Devo reconhecer que está cada vez mais difícil manter este blog atualizado com os relatos das aulas. Falta-me assunto. Tal confissão faria alguém julgar tal dificuldade como algo positivo, levando a imaginar que eu já estou entrando nos eixos e dos velhos e indesejáveis vícios e defeitos, mas o que acontece é que estou apenas evitando ser repetitivo e deixando de relatar as mesmas deficiências.
Continuo em litígio com o ritmo, dançando fora do tempo, batendo asa, olhando para cima e para os lados, menos para a dama, pisando o pé de gente, esquecendo os passos, atrapalhando-me nos giros, enrolando-me nos laços, confundindo-me nos esses, embaraçando-me nas mudanças de passo e, ainda por cima, esperando que a dama adivinhe o que nem eu mesmo sei direito o que estou querendo fazer.
Mas melhorei. Isto é fato corrente. Não sei bem onde foi a melhora, mas as coleguinhas que acompanham minha trajetória andam dando tal testemunho. Como nem só de antigas companheiras se constitui a vida de um aprendiz de forrozeiro, a cada aula aparece uma novata que, tendo o infortúnio de cair nos meus braços, sem conhecer meu passado, julga-me pelo presente e mesmo com toda generosidade, certamente não deve dar-me uma nota lá muito satisfatória. Ás vezes tendo justificar o meu despreparo, revelando que estou nas aulas apenas há quatro meses, mas algo me diz que a emenda fica pior que o soneto. Tomara que todas saibam que cada um tem seu tempo. Há quem seja dos segundos, como muitos, e há os que precisam de séculos, feito eu. E dizem que há os que precisam do infinito, os que não progridem de jeito nenhum, mas nisso eu não boto fé.