terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Capaz d´eu ir...

16/12 - Quinta-feira
19h - Pátio de São Pedro - Tributo a Luiz Gonzaga (Quarteto Olinda - André Macambira - Laia Rosa -Baião Polinário)
22h- Sala de Reboco - Joao Lacerda, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
12h - Mercado da Madalena - Augustinho do Acordeon
14h - Arriégua - João Lacerda e Beto Ortiz
21h - Sítio da Trindade - Ed Carlos
22h - Cafundó - Irah Caldeira
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima

23/12 - Quinta-feira
19h- Pátio de S. Pedro - Homenagem a Manezinho Araújo (Mestre Luiz da Paixão - Adiel Luna e Coco Camará - Geraldo Maia - Josildo Sá - Maciel Salu)

24/12 - Sexta-feira
12h - Mercado da Madalena - Salatiel de Camarão
 
25/12 -Sábado
12h - Arriégua - Forró dos Amigos
26/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Forró de Zé Travassos
18h - Casa de Zé Nabo - Nadia Maia

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vigésima quinta aula

Hoje era pra ser só revisão. O professor foi jogando as músicas, mandando o povo dançar à vontade e refazendo os pares, de vez em quando. Depois da quarta música, declarou que não ia ter passo novo. Que a aula seria para pôr em prática tudo que nós, alunos, havíamos aprendido até então.
Exultante, declarei, em alto e bom som, que já havia executado todos os passos do meu "vasto" repertório, que se resume a três: o básico, o manquinho, e um giro. Quando eu conseguir juntá-los de forma harmoniosa, contínua e dentro do ritmo, já estará de bom tamanho.
Eu e minha boca. Bastou eu falar isso que ele, imediatamente, reformulou seu plano de aula e inventou de mostrar novamente um outro passo, unindo o manquinho, o giro e um eninhado de braços, que eu vi dá a hora desconjuntar tudo. Os mais desenrolados, ou já sabiam ou pegaram de primeira, carecendo apenas de alguns simples ajustes. Mas eu, com minhas necessidades especiais, precisei de um tratamento vip para desarnar, com direito à decomposição pormenorizada de cada movimento, repetição em câmera lenta, inclusive, indicando o jeito certo e a hora propícia para colocar a cabeça (entre os braços).
Nesse momento, Cris era a minha "pareia". É mais uma que me coloca no eixo. Começa enchendo a bola, segue dando confiança, ensina com paciência e cobra com veemência: Vai, menino! ("Hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!"). Salve Tche! Salve Cris! E foi assim que eu, finalmente,  consegui ir do manquinho até o momento de colocar a cabeça e finalizar, voltando ao chamego básico e começando o muído de novo.

Capaz d´eu ir...

09/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Nádia Maia

10/12 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Márcia Lima e Agostinho do Acordeon
22h - Casa de Mainha - Banda Balaio de Cheiro, Perkata de Couro e convidados

11/12 - Sábado
14h - Espaço Cultural Cadê Forró - Forró Flor de Lótus, Arlindo dos 8 Baixos, Jó Silva, Charles Matoso Lampião a Gás e Raminho do Acordeon
14h - Arriégua  - Homenagem à Luiz Gonzaga (Genaro e Walkíria, Camarão, Sisinho e convidados)
20h - Pátio de S. Pedro - Homenagem à Gonzagão - Daniel Bueno, Flávio José e outros
22h - Sala de Reboco - Joquinha Gonzaga e Toinho do Baião
22h- Casa da Rabeca - Festa do Programa Cena Livre - Confraternização da Nação Forrozeira (Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Roberto Cruz, Irah Caldeira, Beto Hortis, Josildo Sá, Andreza Formiga e muitos outros)

12/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Renato Barros e Forró de Zé Travassos
16h- Casa de Zé Nabo - Vates e Violas (com participação de Fim de Feira e Lula Cortes)

16/12 - Quinta-feira
22h- Sala de Reboco - Alcymar Monteiro, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

vigésima quarta aula

Hoje foi revisão. Do passo com "S" finalizado com duas peitadas e também de um dos movimentos com giros. Esse último até que deu pra levar, mas o das peitadas, foi um desmantelo só na hora do peito com peito. Logo eu que mamei até os dois anos e sou um dos maiores admiradores do poema "As flô de Puxinanâ", em que Zé da Luz diz:
"Três muié ou três irmã, 
três cachôrra da mulesta, 
eu vi num dia de festa, 
no lugar Puxinanã. 

A mais véia, a mais ribusta 
era mermo uma tentação! 
mimosa flô do sertão 
que o povo chamava Ogusta. 

A segunda, a Guléimina, 
tinha uns ói qui ô! mardição! 
Matava quarqué cristão 
os oiá déssa minina. 

Os ói dela paricia 
duas istrêla tremendo, 
se apagando e se acendendo 
em noite de ventania. 

A tercêra, era Maroca. 
Cum um cóipo muito má feito. 
Mas porém, tinha nos peito 
dois cuscus de mandioca. 

Dois cuscus, qui, pru capricho, 
quando ela passou pru eu, 
minhas venta se acendeu 
cum o chêro vindo dos bicho. 

Eu inté, me atrapaiava, 
sem sabê das três irmã 
qui ei vi im Puxinanã, 
qual era a qui mi agradava. 

Inscuiendo a minha cruz 
prá sair desse imbaraço, 
desejei, morrê nos braços, 
da dona dos dois cuscuz! "

Pois foi! Com tanto cuscuz pra eu peitar lá na aula, eu só conseguia dar ombrada e umbigada. Teve uma hora que o professor chegou a apelar:
- Rapaz, sinta o peito de dama!
Depois disso, e da paciência de Cristina, até que fui melhorando. Acho. Ana Luíza, outra caridosa, operou milagre e com seus toques (dicas, não pensem outra coisa!) também conseguiu algum efeito. Se bem que ela, na ânsia de que levar à execução perfeita, além de querer que correção nos meus movimentos de pernas, cobrava-me a sincronia com a música, o acerto dos movimentos peitorais e, ainda por cima, disse que estava faltando "condução". Na hora, só me veio a vontade de dizer-lhe que eu iria dar um jeito nisso e perguntar-lhe se ela preferia táxi, van, kombi ou ônibus, mas, antes de fazê-lo, caiu a ficha e entendi que eu continuava com o vício de "dançar sozinho", esquecendo de conduzir a dama, como pregam os bons manuais e praticam os dançarinos minimamente hábeis. Infelizmente tive que trocar de dama e essa questão continuou em segundo plano.

Fiquei encasquetado com essa insubordinação muscular. O corpo fazendo pouco do desejo da mente. Mas aí vieram os giros, e com eles, um alento. Apesar de já serem velhos conhecidos, ainda deram nó e me fizeram quebrar a cabeça, mas, aos poucos, foram saindo a contento. Com um detalhe: percebi que eu os fazia na velocidade três e o resto do povo parecia que estava na velocidade cinco, porque quando ainda estava no meio da primeira sequência os outros já estavam recomeçando a série.
Vai ser lento de mente e de corpo assim na caixa-prego.