segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vigésima terceira aula

Eu que, durante o dia, cheguei a ventilar a hipótese de procurar outra lavagem de roupa, sai da aula hoje com o ânimo revigorado e dando-me mais uma chance.
É que no fim de semana, fiz um cálculo, mas deu um calculo. Planejei curtir o forró de forma socializada com uns amigos, praticantes da nordestinidade sertaneja, mas eles, impossibilitados de chegarem junto, deixaram-me a ver navios e quase que meu barco naufraga. O involuntário monopólio provocado pela inesperada ausência, deixou-me à deriva, velas aos ventos, sem rumo e sem direção, perdido qual deficiente visual no meio de um confronto armado.
Esta não é minha praia, pensei.
Porém, vindo à aula, deparo-me com uma proposta de variação do básico "dois pra lá, dois pra cá", que consistia na inserção de um giro, quebrando a monotonia do passo. Penei, mas, tendo tido a sorte de ser colocado aos cuidados da doce Ana Luíza, fiz o dever de classe e, depois de dar inúmeras voltas feito carrapeta ou peru doido, acho que absorvi o movimento. Possivelmente já tonta, de tanto ser girada, a certo momento, ela me disse:
- Se você quiser, pode mudar o passo. Fique à vontade.
E eu, mesmo olhando ao redor e vendo os demais casais envoltos em mungangas e pantins, resignadamente  respondi:
- Deixa assim mesmo, que eu tenho que repetir até aprender. Se eu inventar de colocar outro aqui, não vou lembrar mais do que está me sendo mostrado agora e não vou recordar direito o que me foi ensinado antes, e aí nem mel, nem cabaço.
E a bichinha, como dama generosa, continuou permitindo-se ser girada até a música acabar e o professor transferi-la para outro cavalheiro, que lhe exigisse menos sacrifício.
Quanto a mim, experimentei outras damas e cheguei à conclusão de que, das duas, uma: ou eu preciso melhorar mais ou estava sendo sutilmente conduzido pela dama primeira.
No trânsito diz-se que, na dúvida, não se deve ultrapassar. Mas, neste caso, é justamente essa dúvida que me faz seguir em frente. Afinal, se levei três meses para receber uma importantíssima orientação (como segurar corretamente a dama) que era para ter sido dada deste o primeiro dia (ou que jamais foi dita como deveria ser), quem sabe daqui a mais três ou seis meses eu consiga dirimir essas dúvidas ou aprenda algo que seja um divisor de águas.
E tome forró até lá!

Conversa de latada: Melhor me deixar quieto

Em visita a um amigo, morador de Serra Talhada, ele foi por este apresentando a três amigas, todas elas sem apresentar qualquer atrativo que lhe chamasse a atenção. Tirador de onda, apresentou-se às garotas como dançarino da banda Aviões do Forró. Farofa pura, porque ele não dançava nem em chapa quente, mas elas acreditaram na conversa mole dele, ficando todas serelepes por conhecerem tão "ilustre" figura.
Horas depois, o amigo levou-o a um animado barzinho da cidade, onde um trio de forró pé-de-serra fazia a festa dos que lá se aboletavam atrás de ralar o bucho. Resolveram permanecer um pouco no ambiente, tomar uma cerveja e curtir o forrozinho. Não demorou muito e lá chegaram as três amigas. Ao entrar, deram de cara com a mesa onde os dois amigos estavam e, a eles se dirigiram, puxando conversa. Uma delas, voltando-se para ele, provocou:
- Você não vai dançar, não?
Ao que ele respondeu:
- É que eu só danço forró estilizado e esse aí é pé-de-serra. Além do mais, o teto desse bar é muito baixo. Se eu fosse dançar com você e lhe jogasse para cima como faço no palco, você ia se esborrachar todinha. Então é melhor me deixar quieto.
E mais ele não disse. E mais ela não quis ouvir.

Capaz d´eu ir...


02/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Heleno de Maceió

03/12 - Sexta-feira
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Agostinho do Acordeon e outros)
20h - Casa de Seu Jorge  - Cezinha
21h - Forró do Bagacinho - Território Nordestino e Forró Ketú
22h - Sala de Reboco - Carlinhos Monteverde, Zé Bicudo e Paula Forrozeira

04/12 - Sábado
14h - Arriégua - Luizinho Calixto e Messias Holanda
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Luizinho Calixto e outros sanfoneiros)
22h - Sala de Reboco - Djalma Siqueira e Aracílio Araújo (Part. Paulinho Leite)
22h - Casa da Rabeca - Irah Caldeira, Dudu do Acordeon e Dinda Salu
22h - Cafundó - Quinteto Chinelo Velho e Banda Balanço Matuto

05/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Forró sem Fronteiras e Trio Mói de Aruá
17h - Forró do Caboclinho - João Lacerda
17h - Praça do Arsenal - Elza Soares canta Luiz Gonzaga (Participação dos grupos Fim de Feira, Rabecado e vários trios de forró)
17h - Casa de Zé Nabo - Irah Caldeira e Dudu do Acordeon

09/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Nádia Maia

10/12 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Márcia Lima e Agostinho do Acordeon

11/12 - Sábado
22h- Casa da Rabeca - Festa do Programa Cena Livre (Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Roberto Cruz, Irah Caldeira, Beto Hortis, Josildo Sá, Andreza Formiga e muitos outros)

12/12 - Domingo
16h- Casa de Zé Nabo - Vates e Violas

Fontes: Sites Cadê ForróForrozeiros PE e Jornal da Besta Fubana

Vigésima segunda aula

APAGARAM O CANDEEIRO E DERRAMARAM O GÁS

O que seria a vigésima segunda aula não aconteceu. Faltou energia elétrica no bairro inteiro e adjacências. Era um breu só, quebrado pelos faróis dos automóveis e pela iluminação dos raros prédios com geradores. O professor, que também é músico, até que fez um esforço para não frustrar as expectativas dos aprendizes da  turma do primeiro horário, da dança de salão, marcando o ritmo com o bongô, abrindo as janelas e deixando a luz da lua alumiar a sala, o que se traduzia numa aconchegante penumbra, propiciando o mínimo de claridade, suficiente para enxergar a demonstração do professor, além de evitar possíveis esbarrões e, quem sabe, inibir alguma ousadia de um(a) assanhado(a) oportunista, algo pouco provável, mas não impossível de acontecer, pois, como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.
Nesse cenário, eu já comecei a imaginar como seria a aula de forró sem ouvir o resfolego da sanfona, dançar só com o tum-tum-tum-pac da percussão, mas sem o timbre familiar do zabumba. A priori, pensei que iria ser sem graça, mas mudei de idéia ao ver que até seria bom dançar um forrozinho à luz da lua, como se estivesse num autêntico forró de latada, sem energia, no máximo, um candeeiro a gás. Viajei tanto nessa idéia que, quando vi, já estava me sentindo o felizardo personagem do xote  "Meu Cenário", de Petrúcio Amorim:
"Nos braços de uma morena
Quase morro um belo dia
Ainda me lembro meu cenário de amor
Um lampião aceso 

O guarda-roupa escancarado
Vestidinho amassado debaixo de um batom
Um copo de cerveja uma viola na parede

E uma rede convidando a balançar
Num cantinho da cama  um rádio a meio volume
E um cheiro de amor e de perfume pelo ar
Numa esteira

O meu sapato pisando o sapato dela
Em cima da cadeira aquela minha bela sela
Ao lado do meu velho alforje de caçador
Que tentação

Minha morena me beijando feito abelha
A lua malandrinha pela brechinha  da telha
Fotografando meu cenário de amor".


Suspeito que a experiência de dançar bolero apenas ao som de um bongô não deve ter sido muito satisfatória, porque, perdurando a falta de energia, o professor não quis fazer o mesmo com o forró e acabou dispensando a turma.
A princípio, fiquei frustrado por mais um dia sem praticar o ralabucho, mas, compreendo as impossibilidades do imprevisto, acatei a decisão e, aproveitando a oportunidade que o inesperado me ofereceu, sai de lá, correndo, a procura do lugar mais próximo onde houvesse energia e um barzinho suprido de cerveja gelada, e, com ela, deixar fluir as idéias e ficar "viajando" diante da tentação de uma morena beijando feito abelha, e a lua malandrinha, pela brechinha da telha, fotografando o cenário de amor...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Capaz d´eu ir...

24/11 - Quarta-feira
19h - 100% Brasil - João Lacerda, Ronaldo Aboiador, Nádia Maia e Antônio Paulino

25/11 - Quinta-feira
21h - Sala de Reboco - Amazan e convidados (Novinho da Paraíba)

26/11 - Sexta-feira
21h - Forró do Bagacinho - Diego Cabral e Forró Ketú
21h - Casa de Mainha - Trio Mói de Arauá e Kinho Callou
22h - Sala de Reboco - Nadia Maia

27/11 - Sábado
14h - Espaço Cultural Cadê Forró - Forró dos Amigos (Jó Silva, Forró Flor de Lótus, Charles Matoso e amigos)
20h - Feira de Humor e Poesia (Rua da Moeda) - Grupo Fim de Feira

21h - Forró do Bagacinho - Forró sem Fronteiras e Forró Falado
22j - Sala de Reboco - Mazinho de Arcoverde

28/11 - Domingo
16h - Forró de Zé Nabo - Trio Juriti
16h - Forró de Arlindo -
16h - Bar do Caboclinhos

03/12 - Sexta-feira
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Agostinho do Acordeon e outros)

04/12 - Sábado
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Luizinho Calixto e outros sanfoneiros)

Palavras de mestre: O baião

No baião é assim: O negócio é enfiar a perna entre as pernas do outro. Você entra quente e recua. Aí a  dama entra fervendo e recua. E assim vai, dando aquela quebrada, ora pra frente, ora pra trás, senão fica muito solene, parecendo bolero.

Vigésima primeira aula

Hoje tinha mais cavalheiro que dama. Na hora de pegar uma, dormi no ponto e quando vi, tinha sobrado.
Então, se deu algo que eu esperava acontecer no primeiro dia de aula e que me deixou frustrado por não ter se realizado naquele momento: quem fez par comigo foi a professora. Mas o que, a princípio, seria uma maravilha, tornou-se uma bomba chiando.
No começo, ela vendo que eu não consegui dar a partida, deu o arranque e acabou com minha inércia, e se foi deixando que eu a conduzisse a meu belprazer. Disso eu não tive do que me queixar, ao contrário, já estava achando era bom. Aí deu-se o revestrés. Porque já tinha passado mais da metade da música e esse "meu belprazer" se resumia ao "dois pra lá, dois pra cá", no mesmo canto, girando em volta do próprio eixo feito pião ou carrapeta, o que a levou a misturar os papéis de dama e professora e verbalizar, sem papa na língua, o que uma dama não costuma dizer, embora fique pensando e até demonstre muitas vezes: - E aí, menino, vai ficar o tempo todo só nisso, é? Faz uma coisa diferente, homem!
Aí o cancou piou. Tive que apelar para a única carta que guardo na manga: uma sequência de giros que sempre me salva nestas horas, provando que eu não sou um Coisinha de Jesus, um dançarino de um único passo. Já tenho dois no meu repertório. Com eles já insinuo que estou em processo de adestramento, para, em breve, passar para o estágio do amostramento.

Finalmente saimos do xote. Chegou a vez do baião. O passo inicial até que não foi muito diferente do que eu costumo fazer quanto estou com umas no quengo e fico facinho, sem oferecer muita resistência a um insistente convite para dançar vindo de alguém que já tenha intimidade suficiente para fazer tal pressão e não se incomode em tentar tirar leite de peito de homem. Mas já estou vendo que a porca vai torcer o rabo na hora que tiver que mudar de passo ou então fazer a junção com outros movimentos. Nessa hora o bicho pega.
Esse negócio de enfiar a perna no meio das pernas da pareia é mesmo interessante. Se bem que eu consigo ser criativo o suficiente para, com frequência, errar o caminho entre a brecha e, foi não foi, acertar o joelho da dama. Pense num cabra desmantelado! Não é à toa que estou com artrose na patela.

domingo, 14 de novembro de 2010

Capaz d´eu ir...

18/11 - Quinta-feira
19h - Espaço Muda - Lançamento do DVD do Grupo Fim de Feira
22h - Sala de Reboco - Amazan, com participação de Petrúcio Amorim e Cristina Amaral

19/11 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Balaio de Cheiro e Júnior Torres

20/11 - Sábado
14h - Arriégua - Homenagem à cidade de Exu com Joquinha Gonzaga, Jaiminho de Exu e outros convidados
19h - Casa de Zé Nabo - Aniversário da Academia Arts Passos Cia de Danças,  com Márcia Lima
22h - Sala de Reboco - Irah Caldeira (Aniversário do fã clube Quero ter você)

21/11 - Domingo
16h - Forró de Arlindo - Trio Juriti
16h - Casa de Zé Nabo - Cristina Amaral e convidados

27/11 - Sábado
21h - Cafundó - Trio Juriti

28/11 - Domingo
16h - Forró de Zé Nabo - Trio Juriti

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Conversa de latada: Nem se fosse Juliana Paes

Sábado, quase na boca da noite, ele já tinha tomado todas e ainda desejava mais algumas, por isso recebeu com entusiasmo a proposta da turma para esticar até o Forró do Assis a  farra que começara no Mercado da Boa Vista.
Rateada a conta, foi o primeiro a tomar destino e puxar o comboio, já incomodado com o moído do povo sem sair do canto e ainda querendo pedir a saideira. Com poucos minutos chegaram ao local desejado, que durante a semana funciona como estacionamento e, nas tardes de sábado, se transforma em um aprazível reduto de forrozeiros.
Chegando lá, aboletaram-se à mesa, pediram logo a ceva gelada e ficaram cubando o ambiente. Não demorou aparecer gente conhecida que acabou se juntando àquela turma festeira. No meio desses agregados, havia uma amiga de uma das amigas do grupo, animada que só ela, e pelo chapéu de couro na cabeça e pela blusa xadrez que vestia, já dava a entender que gostar de ralar o bucho. Dito e feito, a bicha não parava de se remexer um minuto sequer, dançando sozinha assim que a música começou.
Despachada como muito homem sonha, não exitou em convidá-lo para dançar. Ele, pego de surpresa, ficou sem ação e, por não encontrar jeito de recusar o convite-intimação, acabou cedendo ao apelo e conduziu-a ao salão, dando um jeito de adverti-la sobre a sua falta de jeito para a dança, ao que ela deu pouca importância.
Esforçando-se para dar o melhor de si, tentou sincronizar o passo com a inesperada dama e a envolvente música, sei saber ao certo até onde estava sendo bem sucedido nesta tarefa. Na hora, nem percebeu que ela parecia não estar tão incomodada assim com a possível fraca performance dele. Mas ele, ainda tenso e preocupado em frustrar expectativas, inventou de justificar o embaraço da situação. Melhor tivesse ficado calado ou pisado no pé dela, pois ao tentar falar sobre a sua timidez e a influência do álcool na neutralização do bloqueio que tem com a dança, não escolheu bem as palavras e deflagrou o seguinte desaforo:
- Eu só aceitei dançar com você porque eu estou bêbado, porque se estivesse bom, nem se fosse a Juliana Paes que me chamasse eu iria...
Mais não chegou a dizer porque foi logo tachado de fuleiro, percebendo que sua declaração levava a outro entendimento. Tentou esclarecer que o motivo da recusa seria por sua timidez e não pela falta de atrativos da outra, mas como mesmo assim ela não o largou no salão e nem parou de com ele dançar, achou por bem deixar o dito pelo não dito e continuar curtindo o forrozinho de boca fechada.
Terminada a música, voltaram à mesa, e entre goles de cerveja e brindes,  parece ter conseguido convencê-la de que era tímido, pois até hoje ela lhe tem em boa estima.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vigésima aula:

Hoje foi minha vigésima aula, mas pareceu-me até que era a primeira. Não por alguma sensação de que o tempo não passou, mas pelo meu precário desempenho do começo ao fim. Para não dizerem novamente que sou exagerado, faço uma ressalva: no começo até que eu mereci elogio do professor, mas isso foi durante os exercícios de alongamento, quando ele comentou sobre a minha correta execução dos seus comandos e por eu ter sido um dos poucos da minha faixa etária que conseguiu apoiar a perna na barra só com o impulso, sem a ajuda das mãos).
No mais, a prática de hoje ainda não foi suficiente para automatizar a sequência de cinco movimentos encadeados iniciada na aula anterior, nem tampouco a outra sequência proposta, inclusive, já praticada dias atrás.. Dancei com cinco damas, cada uma contribuiu sobremaneira para melhorar minha performance, mas com nenhuma delas a coisa foi cem por cento. Com muito boa vontade, daria pra dizer que foi razoável. A que me é mais íntima, suspeitando de alguma responsabilidade sua nesse processo, perguntou-me se eu era travado assim também com as outras ou era só com ela. Numa humilde e sincera confissão, disse-lhe que isso não era "privilégio" dela. Todas as demais também foram vítimas da minha costumeira descoordenação motora.
Mas hoje realmente o caso estava sério. Só encontro uma justificativa: a trilha sonora. O professor caprichou na seleção de fuleragem music, genero degenerado do forró que eu abomino de coração, ouvidos, pernas e corpo inteiro. É que não dá mesmo! Se eventualmente eu travo até ao som de Dominguinhos, Petrúcio Amorim, João Silva e outros feras, quanto mais com essas músicas horrorosas de aviões e companhia limitada. É alergia mesmo e não tem corticóide que dê jeito.
Não serei hipócrita para colocar a culpa na música, mas tenho plena convicção que minha limitações ficam mais acentuadas quando a música não presta. E se não foi esse o principal motivo, certamente foi a gota d´água do desmantelo.
Mas no caminho de casa, não perdi tempo. Fiz minha assepsia auditiva, colocando no som do carro Dudu do Acordeon, Genaro e Walkiria e Maciel Melo. Santos remédios, sem contraindicação, que podem ser usados à vontade, de forma isolada ou associada e sem perigo de efeitos colaterais por consumo em demasia.

Palavras de mestre: Dançar com corpo e alma

O negócio é dançar buscando o prazer, como se fosse brincando com alguém. Se errar, que é que tem? Comece de novo, como aquele que brinca Carnaval em Olinda, e de repente tropeça, não perde o embalo, do tombo acha graça, retoma o passo e segue sorrindo, ladeiras abaixo, ladeiras acima, atrás da folia.

(Adaptação ousadamente livre e propositadamente poetizada de comentário em sala de aula)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Décima-nona aula

Hoje me senti um Arquimedes gritando Eureka!, um Isaac Newton recebendo uma maçã na cabeça, um Eistein descobrindo a Teoria da Relatividade, um Santos Dumont pilotando o 14-Bis, um Edson dando a luz e o outro fazendo o milésimo gol, um Luiz Gonzaga criando Asa Branca e um Capiba compondo Madeira que Cupim não Rói.
Como diria o grande filósofo capixaba, Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Um novo mundo se abre para mim após esta revelação.
Assim como Moisés conduziu o povo hebreu na fuga do Egito, Conselheiro comandou os sertanejos de Canudos, os boiadeiros tangem o gado Pantanal a fora, Maomé guiou o povo muçulmano e Zumbi capitaneou o povo negro nos Palmares, agora eu também tenho a força.
Após dois penosos meses tropeçando nos próprios pés, dando nó nas pernas,  recapitulando anatomia, aprendendo a contar de um a oito, exercitando a teimosia, gastando a paciência das damas, esforçando-me para assimilar uma sequência de movimentos sem precisar repeti-la mais de vinte vezes ininterruptamente,  tentando distinguir a diferença do xote para o baião, eis que surge um "Mister M" à minha frente e abre o jogo,  revelando um segredo que estava escondido a sete chaves, dentro de uma caixa com fundo falso e coberto por um pano preto: Que gestos usar para conduzir a dama no salão, para fazê-la ir para onde o cavalheiro desejar.
Agora ficou tudo mais fácil. Quando eu souber direito para onde eu quero ir, já saberei como levar alguém junto.
Quando o “São” Jorge me deu tal toque, pensei: Paulo Coelho um dia deve ter tido esta mesma sensação que estou tendo agora. Senti-me um iluminado, mas tamanho regozijo não impediu de questionar por que, até então, ninguém me contou nada sobre este detalhe tão simplório e ao mesmo tempo tão importante? Das duas uma: ou a coisa é tão básica que só um leso feito eu não intuiu nem percebeu antes ou se trata de uma informação pra lá de estratégica, só acessível aos iniciados, aos que passam de nível, como num videogame, tornando-se, assim, merecedores de dominar tal conhecimento.
Estou inclinado a dar crédito à segunda alternativa, por isso, tire o cavalo da chuva aquele que vive na ignorância, como eu vivia, e esperava que eu terminasse esta postagem dizendo como se faz. Deixe de pressa que sua hora vai chegar.

Capaz d´eu ir...

11/11 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Amazan e convidados

12/11 - Sexta-feira
21h - Casa de Mainha - Bandas Rouxinol do Nordeste e Origem Nordestina
21h - Cafundó - Márcia Lima  e Banda Chinelo Velho
21h - Forró do Bagacinho - Patrícia Cruz
21h - Forro do Azulzinho - Trio de Zé Bicudo
22h - Sala de Reboco - Petrucio Amorim

13/11 - Sábado
14h - Forro do Arriégua (TV Forró Brasil) - Genaro e Walkíria, Gel e seus manos, Simão do Acordeon e Ronaldo Aboiador
21h - Forró do Bagacinho - Forró Ketu e Forró sem Fronteiras
21h - Cafundó - Banda Kartuxo
22h - Sala de Reboco - Banda Pega Pakapá

14/11 - Domingo
16h - Bar do Caboclinho - Eduardo Anísio e Banda Jaqueta de Couro
16h - Casa de Zé Nabo - Sirino e Sirano
17h - Casa de Mainha - Aracílio Araújo
17h - Forró de Arlindo - Trio Macambira, Genildo Souza, Quintento Sanfonado e Adriano Pontes

Fonte: Site Cadê Forró e outras

Conversa de latada: Navio de pirata

“Rapaz, sexta-feira eu fui conferir se aquele forró que você recomendou era bom mesmo.  Você sabe que eu não sou muito exigente com essas coisas, o básico para mim já é suficiente. Mas pense numa decepção! Quando eu cheguei lá, parecia que eu tinha entrado em um navio de pirata: Só tinha macho e canhão. Vote!”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Décima-oitava aula

Hoje foi a vez do que vou chamar de "remexido", um movimento que, salvo engano, é característico do maxixe, antiga dança popular brasileira. Pense num negócio bom danado! Mijador com mijador remoendo feito mão de pilão circulando nas beiradas do dito cujo. E eu ainda fui premiado com o privilégio de fazer pareia, mais de uma vez, com uma cabocla faceira e que teve o  melhor moído da noite.

Se eu já fico tenso só por estar ali, mesmo no meio de um povo já conhecido, dá pra imaginar como fiquei ao me ver com a responsabilidade de fazer esse remelexo com uma cabrocha bonita, risonha, serelepe e desenrolada (A prudência recomenda que eu economize os adjetivos) e que estava vendo pela primeira vez. Senti-me um tangedor de burro prestes a pilotar uma Ferrari.

Fiz o que pude. Fui logo recomendando que tivesse paciência comigo, declarando que eu era iniciante. Ela, compreensiva, disse que eu não me preocupasse e perguntou há quanto tempo eu fazia aula. Precisava ela fazer tal pergunta? Lá vou eu todo encabulado revelar que não eram só duas ou três semanas, mas que já passava um tiquinho de dois meses, umas dez semanas. Passado este constrangimento inicial, comecei e fiquei um tempão no básico do básico, que, conforme já me disseram uma vez, parece a dança do siri (do povo do Pânico). Ai, já amaciado o motor, ousei fazer a única sequência de giros que já está medianamente assimilada e sai com certa naturalidade. Senti na minha dama uma expressão de prazer por eu ter finalmente saído do arroz com feijão, porém, antes que ela criasse maiores expectativas, avisei-lhe que não esperasse de mim algo mais além daquilo. E voltei pra dança do siri, digo, para o básico, e para o mesmo giro, e de novo para o básico, e assim iria até acabar a música, mas ela, dama boa e gentil, tomou a iniciativa de mostrar-me outras possibilidades de movimentos, todas já ensinadas em aulas anteriores, mas nenhuma ainda internalizada e executada com segurança e leveza. Fiz de conta que eram desconhecidas, para não dar muita bandeira.

Aprendiz atento e concentrado, eu procurei repetir o que ela ensinava. Até que não fui tão mal, segundo ela, que só observou que eu faltava lembrar que existiam umas coisas chamadas música, ritmo e tempo, que deviam ser levadas em consideração na hora de dançar. Paciente, ela tentava me sintonizar gradualmente, com direito a me chamar de apressadinho algumas vezes. Não que eu estivesse avançando algum sinal com ela, o que até seria compreensível diante do seu jeito doce, mas sim, porque eu sempre tirava antes da hora. A mão.

Como se vê, o negócio ia bem, mas, de repente, ela precisou de uma pausa, pois uma câimbra inconveniente atacou-lhe no pé. Ainda bem que foi algo passageiro e passou justo na hora de praticar o remexido. Dois pra lá, dois pra cá, e pra trás, e pra frente, chama na xinxa, faz o remoído, quebra pra trás, puxa pro peito, e dois pra lá, dois pra cá, e assim sucessivamente. Eita pisada boa! Lavei a égua. Aí foi que nem lembrava que tinha uma música a ser seguida.

Mas diz um velho ditado que tudo que é bom dura pouco. E, cumprindo a dinâmica da aula, veio a tradicional recomposição dos pares. Bem que Gledson podia ter posto em prática o outro pensamento que diz que toda regra tem exceção, e ter deixado tudo como estava. Até porque a troca aconteceu justamente quando eu começava a sentir o ritmo e estava me encaminhando para fazer a coisa no tempo certo. A morena já estava assanhada de tanto jogar a cabeça pra trás. Ficou com sede e com fome também. Câimbra, sede, fome e um cavaleiro desajeitado. Dama nenhuma merece!

Superada a contrariedade de ver a cabrocha brejeira partir para outros braços, desdobrei-me o mais que pude para caprichar na performance com minha nova dama, Alana. Não foi preciso muito esforço, já que ela, segundo o próprio mestre, é a única que me coloca no eixo, além de Ana Luíza, declaração que me pegou de surpresa, pois eu não sabia que alguém já tinha alcançado tal proeza. Fiquei satisfeito com a revelação, pois tenho especial carinho pelas duas e, realmente, sinto-me à vontade com elas, embora também já tenha estabelecido cumplicidade com outras damas com quem tenho dançado, fruto da convivência e da sintonia.
Agora, o que eu quero mesmo saber é se na próxima aula vai ter remelexo de novo, pois se eu já faço questão de repetir infinitas vezes os passos para poder fixá-los, com esse aí é que eu vou querer praticar até a dama “pedir pra sair”.
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Outra coisa: Só agora me veio uma dúvida atroz: Será que foi câimbra ou eu pisei no pé da garota?  Tomara que na próxima aula ela apareça e esclareça esta questão.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Décima-sétima aula

*** Confirmei: é mesmo o danado do sapato que  escorrega e me tira de tempo. Não vou mais com ele.***

*** Em que pesem os tropicões e as travadas de vez em quando, mais de uma dama asseverou que eu estou progredindo. Acho que, finalmente, os momentos de desengano e desespero estão com os dias contados. ***

*** Acabei de crer que perseverança e determinação faz mesmo milagre. O professor hoje sofreu que só axila de portador de necessidade especial para colocar a turma no eixo, no ritmo e em harmonia. Até de aviãozinho fez a gente brincar. Comigo não funcionou direito não, pois eu era um teco-teco tentando conduzir um Boeing  747-300. Fiz o melhor que pude. Teve gente que chiou, que não queria mais decolar. Vi a hora ter um apagão aéreo lá na aula. Mas quem sabe onde quer chegar não abandona o caminho. E o professor seguiu em frente. E não é que, quando eu pensei que ele ia entregar os pontos, o danado anunciou, em regozijo, que finalmente conseguira com que todos dançassem de forma harmoniosa, do jeito que ele estava querendo, desde o início da aula. Será que ele reparou direito mesmo o que eu estava fazendo? ***


Capaz d´eu ir...

04/11/2010 - QUINTA-FEIRA
20h - Círculo Militar do Recife - Irah Caldeira e Dudu do Acordeon
22h - Sala de Reboco - Amazan (participação Josildo Sá e Waldonis)

05/11/2010 - SEXTA-FEIRA
21h - Azulzinho - Trio de Zé Bicudo
21h - Bagacinho - Cristina Amaral e Forró Arretado
21h - Cafundó - Lampião a Gás e Quinteto Chinelo Velho
21h - Casa de Mainha - Irah Caldeira e Forró sem Fronteiras
22h - Sala de Reboco - Qui nem Jiló e convidados


06/11/2010 - SÁBADO
14h - Arriégua - Ivan Ferraz e convidados (Homenagem à cidade de Floresta)
21h - Bagacinho - Forró sem Fronteiras e Forroketu
21h - Cafundó - Qui nem Jiló e Quinteto Chinelo Velho
22h - Casa da Rabeca - Cristina Amaral, Rogério Rangel e Dinda Salu
22h - Sala de Reboco - Galeguinho de Gravatá e Tio do Acordeon

07/11/2010 - DOMINGO
17h - Caboclinho - Jaqueta de Couro
17h - Casa de Mainha - Trio Mói de Aruá, Rogério Rangel (part. de Petrúcio Amorim, Nádia Maia e Cristina Amaral)
17h - Casa de Zé Nabo - Geraldinho Lins
17h - Forró do Arlindo  - Arlindo dos 8 Baixos, Genildo Souza e Trio Macambira
17h - Forró de Pai pra Filho (Vila Rica-Jaboatão dos Guararapes) - Nádia Maia

Fonte: Site Cadê forró