Devido ao feriado da última quarta-feira, eu e alguns colegas de turma acatamos a proposta apresentada pelo professor para que fizéssemos aula junto com o pessoal das terças e quintas, que por sinal, está em nível mais avançado. Sabendo disso e, já tendo passado por experiência similar dias atrás, compareci à aula já meio cabreiro e prevendo que iria comer o pão que o diabo amassou, pois gato escaldado tem medo de água fria. E o que era cisma virou realidade.
Havendo mais mulheres que homem, posicionamo-nos em círculo e, a cada comando do professor, os cavalheiros trocavam de dama, como numa quadrilha matuta. Boa parte da aula foi utilizada na prática de um passo que envolvia laços e giros, culminando com o cavalheiro encaixando a perna entre as pernas da dama. Era um conjunto de movimentos muito parecido com um passo chamado AVIÃO, que eu vi dia desses numa aula de forró estilizado no youtube. Se foi o dito cujo, as decolagens até que deu pro gasto, porém, no instante seguinte, via-me piloto de um avião mergulhado em área de forte turbulência sobre o Oceano Atlântico, e ainda por cima, com uma das turbinas em pane. E de dama em dama a tragédia era a mesma: chegava no meio do passo, na hora de enrolar a dama, eu ficava todo enrolado e não saía do canto. Já estava na quinta dama e não tinha encaixado ainda. Só consegui desatar o nó depois que apelei para a torre de comando (o professor), que, analisando meus movimentos "quadro a quadro", identificou a falha técnica, corrigiu minhas ações, conseguindo com que eu "voasse" conforme esperado e, finalmente, fizesse o pouso perfeito (o tão esperado encaixe). A essa altura, já se iam quase três quartos do tempo da aula e metade da minha autoestima. Mas o bom é que a técnica e a perseverança mais uma vez triunfaram e eu fiquei com mais um exemplo de superação para contar.
No tempo restante, foi trabalhada uma variação mais simples desse passo, em que, a certo momento, o homem gira em torno de si (rotação), enquanto a dama, executa um movimento de translação em volta dele, com a mão fazendo contato na região do pescoço do cavalheiro. Esse aí, foi garapa, mel na chupeta e nem seria digno de registro, não fosse o professor ter observado que nossa amiga Alana, que passara uns quinze dias afastadas do convívio da turma, por conta de uma viagem, estava executando-o de uma forma muito particular, com uma variação mais ousada, pois, no lugar de deslizar a mão em torno do pescoço do cavalheiro, fazia um verdadeiro MAPEAMENTO CORPORAL do parceiro. Infelizmente, esta observação aconteceu justo quando eu estava prestes a dançar com ela, e, chegando a minha vez, ela resolveu aderir ao movimento padrão e eu não tive direito a mapeamento algum, só mesmo à mão no pescoço como se em mim estivesse sendo amarrada uma coleira.