domingo, 15 de abril de 2012

Conversa de latada: O mico

Ela sabia que ele não dançava, mesmo assim resolveu arriscar. Estavam com uma turma de amigos numa churrascaria, comemorando o aniversário de um deles.Um trio pé-de-serra animava a festa. De uma hora para outra, ela atacou:
- Zé, vamos dançar? Ele, assustado, respondeu:
- Já está bêbada, é?
- Não, Zé. Vamos dançar?
- Você sabe muito bem que eu não sei dançar. Vai sentar, vai!
- Mas é fácil. É só dois pra lá, dois pra cá.
- Eu me atrapalho na contagem. Chama outro.
Ela não desistiu. Foi para o meio do salão, e de lá chamou-o novamente.
- Vamos dançar, Zé!
Fez de conta que não era com ele, mesmo assim ela lançou sua última tentativa:
- Não acredito que você vai me fazer pagar esse mico, deixando-me sozinha aqui no meio do salão!
Sem se sensibilizar com aquele desesperado apelo, ele disse:
- Por mim vai ficar aí,sim. E se dependesse dele, até hoje lá ela estaria. Até hoje, não, porque agora, depois das aulas da academia, ela já teria ido lá salvá-la do constrangimento.

Conversa de Latada: Tem problema, não, doutor!


Dia desses fui num forrozinho que fica próximo a um posto de gasolina.
Não havendo mais vaga no local reservado para estacionamento, coloquei o carro numa área do posto. Por segurança, resolvi perguntar ao vigilante do forró se haveria algum problema em deixar o carro ali, ao que ele me respondeu:

- Tem problema, não, doutor! Só de vez em quando é que o pessoal anota o número das placas e entrega na CTTU (Companhia de trânsito do Recife).

terça-feira, 6 de março de 2012

Forró em dose dupla

Depois de ter amanhecido em um baile de formatura, fui com a companheira e alguns colegas do curso de dança à reabertura da Casa do Forró, localizada no bairro do Pina, Recife, que funciona todos os sábados,  a partir das 16 horas.

Apesar das opiniões contrárias, apelos e pressões, das vezes que dancei praticamente não sai do “dois prá lá, dois pra cá”. Dei-me ao luxo apenas de fazer algumas aberturas laterais de vez em quando, ou um manquinho aqui e acolá, só para a dama não reclamar do tédio e do incômodo de dançar “um passo só”.

Julguei que essas breves intercaladas fossem suficientes, mas desconfio que não foram, pois, no dia seguinte, quando chamei a companheira para irmos ver o Mestre Dominguinhos, no Forró de Arlindo, em Dois Unidos, ela topou de imediato, mas deixando bem clara a condição: Não contasse com ela para dançar, pois estava com o joelho doendo, fruto da sobrecarga do dia anterior.

Tempos atrás ela se queixaria também do pescoço, portanto, os fatos levam-me a crer que eu melhorei 50% nesse aspecto. Em breve deixarei de ser uma ameaça à saúde pública, bem como não mais serei causador de LER (Lesão do esforço repetitivo).

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Avião de Honório e o Mapeamento Corporal de Alana


Devido ao feriado da última quarta-feira, eu e alguns colegas de turma acatamos a proposta apresentada pelo professor para que fizéssemos aula junto com o pessoal das terças e quintas, que por sinal, está em nível mais avançado. Sabendo disso e, já tendo passado por experiência similar dias atrás, compareci à aula já meio cabreiro e prevendo que iria comer o pão que o diabo amassou, pois gato escaldado tem medo de água fria. E o que era cisma virou realidade.

Havendo mais mulheres que homem, posicionamo-nos em círculo e, a cada comando do professor, os cavalheiros trocavam de dama, como numa quadrilha matuta. Boa parte da aula foi utilizada na prática de um passo que envolvia laços e giros, culminando com o cavalheiro encaixando a perna entre as pernas da dama. Era um conjunto de movimentos muito parecido com um passo chamado AVIÃO, que eu vi dia desses numa aula de forró estilizado no youtube. Se foi o dito cujo, as decolagens até que deu pro gasto, porém, no instante seguinte, via-me piloto de um avião mergulhado em área de forte turbulência sobre o Oceano Atlântico, e ainda por cima, com uma das turbinas em pane. E de dama em dama a tragédia era a mesma: chegava no meio do passo, na hora de enrolar a dama, eu ficava todo enrolado e não saía do canto. Já estava na quinta dama e não tinha encaixado ainda. Só consegui desatar o nó depois que apelei para a torre de comando (o professor), que, analisando meus movimentos "quadro a quadro", identificou a falha técnica, corrigiu minhas ações, conseguindo com que eu "voasse" conforme esperado e, finalmente,  fizesse o pouso perfeito (o tão esperado encaixe). A essa altura, já se iam quase três quartos do tempo da aula e metade da minha autoestima. Mas o bom é que a técnica e a perseverança mais uma vez triunfaram e eu fiquei com mais um exemplo de superação para contar.

No tempo restante, foi trabalhada uma variação mais simples desse passo, em que, a certo momento, o homem gira em torno de si (rotação), enquanto a dama, executa um movimento de translação em volta dele, com a mão fazendo contato na região do pescoço do cavalheiro. Esse aí, foi garapa, mel na chupeta e nem seria digno de registro, não fosse o professor ter observado que nossa amiga Alana, que passara uns quinze dias afastadas do convívio da turma, por conta de uma viagem, estava executando-o de uma forma muito particular, com uma variação mais ousada, pois, no lugar de deslizar a mão em torno do pescoço do cavalheiro, fazia um verdadeiro MAPEAMENTO CORPORAL do parceiro. Infelizmente, esta observação aconteceu justo quando eu estava prestes a dançar com ela, e, chegando a minha vez, ela resolveu aderir ao movimento padrão e eu não tive direito a mapeamento algum, só mesmo à mão no pescoço como se em mim estivesse sendo amarrada uma coleira.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Conversa de latada: O forró e o Stanislaw

Germana, companheira de Stanislaw, há vinte anos, já não aguentava mais as esquivas do marido quando ela lhe cobrava levá-la a uma casa de forró para mostrar as novas habilidades adquiridas por ele nas aulas semanais de forró. 

Tendo engravidado no último ano da faculdade, quase não con­cluía seu curso de Assistente Social, profissão que nunca exerceu, pois, casando às pressas e sem projeto de vida, conformou-se com as lides de dona de casa, cuidando mais do marido e dos cinco filhos que de si, rejeitando a ideia de ser escra­va de dietas, vaidades, cremes e grifes. Sua casa era um brinco; seus dotes na cozinha, elogiado pela família e amigos; seus praze­res, acompanhar as novelas da tv, curtir as músicas do seu ídolo maior, Zeca Pagodinho, rodízio de pizza no final do mês e, de vez em quando, comer um peixe "acocorado", no Restaurante do Brilosinho, em Boa Viagem.

De tanto ser aconselhada pelos médicos e amigas, acabou incluindo caminhadas diárias na agenda. Era o máximo de exercício que praticava, já que dispunha de uma auxiliar para as atividades domésticas mais laboriosas, como varrer e arrumar a casa, lavar e passar roupa. Quando mais jovem, gostava de dançar, porém graças à dureza e falta de habilidade de Stanislaw, foi aos poucos perdendo o gosto por este lazer. Assim, quando ele revelou a vontade de entrar numa escola de dança, ela ficou logo entusiasmada, mesmo com a revelação de que ele pretendia fazer aula sozinho, pois o jeito ansioso dela iria deixá-lo ten­so e atrapalharia a aprendizagem.

Transcorridos seis meses, começou a cobrar-lhe irem à Sala de Reboco ou Casa de Zé Nabo, para mostrar e praticar com ela o que já havia aprendido. É verdade que, nesta nova fase, eles já tinham dançado em alguma festa de amigos, mas ele limitara-se apenas ao trivial do “dois pra lá, dois pra cá”.

Cansada de esperar pela iniciativa dele, puxou as rédeas para si. Por isso, às vésperas do dia do aniversário de casamento, ela disse-lhe que já havia escolhido o presente. O tradicional jantar a dois desta vez teria um toque especial: ia ser num lugar diferente, que ela já escolhera, a partir de sugestão de sua melhor e mais confiável amiga. 

Na noite seguinte, uma quinta-feira, rotineiramente reservada ao jogo de sinuca com os amigos, Stanislaw chegou do trabalho um tanto ansioso, tomou banho e logo trocou de roupa, o que não levou mais que dois quartos de hora, ao passo que ela, já de cabelo antecipadamente tratado pela chapinha, quase não findava  a batalha de escolher um vestido que lhe coubesse, sem muito lhe apertar, caprichar nos cosméticos e encontrar os acessórios mais adequados ao conjunto. 

Estando prontos, foram à comemoração, para ser maior a surpresa, fez ela questão de saírem no seu carro, com ela ao volante. Com alguns minutos de rua, Stanislaw começou a sentir um frio na barriga, uma ânsia, como a antever que algo de indesejável estaria por acontecer. E a impressão passou à certeza quando Germana parou o carro bem próximo à Praça da Cerveja e disse: - Chegamos! Falta só encontrar onde estacionar.

Entre surpreso e desesperado, Stanislaw ainda tentou sugerir que fossem a outro local, alegando que àquela hora seria difícil encontrar mesa disponível ali e que poderiam ir a um lugar mais reservado, mais romântico, porém Germana mostrou-se resoluta e ele acabou entregando sua sorte ao destino. E, pelo que disse o flanelinha ao vê-lo descer do carro, seu martírio estava só começando:

- Veio de carona hoje, patrão?

Stanislaw fingiu não ter sido com ele e esboçou relativa tranquilidade su­pondo que a mulher não também não ouvira, já que continuou indi­ferente. Alguns passos adiante, à entrada do restaurante, uma nova ameaça. O moço da recepção, todo cordial, cumprimen­tou-lhe com insuspeita intimidade:

-
Boa Noite, Stanislaw. Chegou cedo hoje, hein!

Desta vez, o tom foi mais alto e o olhar fuzilante de Germana de­nunciou que ela não gostara do que acabara de ouvir, embora nada tenha falado a respeito. Vencido o último degrau de acesso à área das mesas, passa serelepe um garçom magro e baixinho, que, sem interromper seu trajeto, fala para Stanislaw:

- Por incrível que pareça, a única mesa que esta desocupada, no momento, é aquela la do canto, onde o senhor sempre fica!

O jeito foi seguir a indicação do garçom e acomodar-se à mesa por ele referida, e se, por um momento, achou que sua presença ali não seria mais notada, convenceu-se que dera com os burros n'água, quando o cantor do trio de forró, que já começara a apresentação, entre um xote e outro, cumprimentou-o em alto e bom som: 

- A próxima música vai para nosso amigo Stanislaw, frequentador de carteirinha nesta casa, e sapecou Meu Cenário, de Petrúcio Amorim.

Foi a gota d'água! Mal Germana começara soltando os cachorros, dizendo para ele "seu pilantra, quer dizer que é aqui que você vem, toda quinta-feira, "jogar sinuca" com os amigos, né?", aproxima-se Roberto Andrade, o mala do lugar, sempre sem noção e mais inconveniente ainda pelo excesso de bebida, chegou junto do casal, pôs a mão esquerda no ombro do marido desesperado e com a outra, em concha, disse-lhe numa inútil tentativa  de segredo, ouvida por quem estava perto:

- Stanislaw, que decadência , meu chapa! Secou a fonte daquelas gostosinhas que você sempre traz aqui pra dançar, foi? Hoje você vem só com uma e, ainda mais, uma coroa derrubada dessa!


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(A partir da crônica "O inferninho e Gervásio", de Stanislaw Ponte Preta, e de um causo ouvido nas minhas andanças pelos engenhos da Zona da Mata pernambucana)

domingo, 9 de outubro de 2011

Coversa de latada: O forró das sete meninas


Esta semana eu fui a um forró em que, surpreendentemente, dancei com sete mulheres. Com elas, mandei brasa no xote, xaxado e baião. E no coco também.
Eram jovens, coroas, esguias, cheinhas, umas belas, outras nem tanto. Uma já conhecida, outras jamais vistas. Teve de professora à desengonçada. De alvoroçada à tímida. De conterrânea à turista. Bem capaz de não terem sido só sete, a conta do mentiroso, mas, sim, toda uma legião de mulheres ávidas para dançar. E comigo, registre-se. Estranho foi parecer que eu era o único homem disposto e disponível para dançar, apesar dos inúmeros casais que estavam no rala-bucho. Permanece uma vaga impressão de ter ouvido uma delas confidenciar ao meu ouvido, enquanto dançávamos:
- Você dança, viu! A gente estava olhando. Todas as minhas amigas estão esperando, doidas, que você as chame para dançar também!
E dei conta de todas elas. Não sei se cem por cento, mas, ao menos, nenhuma voltou para casa com a frustração de não ter dançado.
À certa altura, suspeitei que eu estava sendo vítima de uma trama do meu professor de dança, que, achando insuficiente apresentar-me durante as aulas como exemplo de superação, resolvera aliciar algumas cúmplices para me convencerem de que eu já estou pronto para enfrentar os salões da vida. Que já me garanto com o que sei.
Mas ele não estava lá, nem ninguém mais que estampasse algum modo suspeito, a não ser Lelêu, dono de um dos bares do Mercado da Boa Vista e de uma careca kojakiana, das mais lustrosas que eu conheço. Se bem que o recinto estava só na penumbra, após apagarem metade dos candeeiros da casa, em forma de balões, e não dava para ver o povo direito.
Até hoje não sei se foi mesmo tramoia de alguém. O que sei é que só parei de dançar quando acordei, no meio da madrugada, e o sonho foi bruscamente  interrompido. Um sonho com tal gosto de realidade que deixou uma desconfiança de que não foi imaginação ou delírio alcóolico, mas uma confirmação de que estão mais firmes os meus passos em direção ao pé-de-serra.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Varejo e atacado

Umas das coisas que mais me incomodava nas primeiras aulas, era a sensação de estar sendo um estorvo para as damas que o acaso levava a dançarem comigo. Cada pisada de pé, cada interrupção brusca e inesperada da dança, cada tentativa frustrada de executar um passo e cada atropelamento de ritmo era fonte de angústia e detonava minha auto-estima.

De nada adiantava ouvir do professor que isso era besteira; que quem sabe tem prazer de ajudar aos que ainda não tem a mesma desenvoltura. Para mim, era conversa para boi dormir.

Hoje, um ano depois, dou a mão à palmatória! Vejo-me, no meio de uma aula, abrindo mão de continuar dançando com uma das minhas "pareias" preferidas, a Eva Maria, para, deliberada e espontaneamente, fazer o resto da aula com a iniciante com quem dancei na semana passada, sem outro propósito que o de, já conhecendo suas limitações, ajudá-la na sua recém iniciada trajetória de forrozeira (Não arrisco dizer dançarina, porque, mesmo se essa for a meta dela, seria muita ousadia de minha parte, já que me darei por satisfeito se um dia puder me considerar um forrozeiro).

Mil vezes melhor assim do que ser convocado para ficar na frente do grupo servindo de referência, como aconteceu nessa mesma aula. Prefiro o varejo ao atacado. Ao menos, por enquanto!

domingo, 11 de setembro de 2011

Inventário


O frevo tem mais de duzentos passos catalogados. Há quase trinta anos ensinaram-me uns cinquenta; Dos ensinados, aprendi uns quarenta; Dos aprendidos, lembro uns trinta; Dos lembrados, ainda consigo fazer uns vinte, e com eles mostrar a minha pernambucanidade na ponta do pé e no calcanhar, frevando o ano inteiro e sem ser refém do carnaval.
No forró, ainda aprendiz, não sei quantos passos existem e nem lembro quantos já me foram ensinados. Se no frevo domino uns vinte, no forró, após quase um ano de academia, já consigo fazer quatro: Dois pra lá, dois pra cá.

Conversa de latada: O test drive de Theobaldo

Reencontrei Theobaldo na última sexta-feira, em Olinda, por ocasião da Mimo, mostra internacional de música, realizada, simultaneamente, naquele município, no Recife e em João Pessoa. Após meses sem contato, contou-me das principais novidades: Viagem de trinta e oito dias pela Europa, com detalhes sobre Paris, Barcelona e Toledo e seu progresso no forró. Da viagem, falou sobre o choque de culturas, exemplificado pelos peitos à mostra das banhistas nas praias europeias e a predisposição sexual das mulheres estrangeiras. E eu pensando que as pernambucanas eram as mais dadas e solícitas mulheres da face da Terra!
Do forró, contou sobre sua mais recente visita ao Bar do Ceará. Foi sua prova pública. Frequentador habitual da casa, das raras vezes que lá arriscou a dançar, só em dois momentos o fez com dama que já não era conhecida. Mas, dessa vez, tomou coragem. Apresentado a duas jovens para lá levadas por uma amiga em comum, após uma hora de convivência e duas doses de uísque, arriscou perguntar se uma delas aceitaria submetê-lo a um “test drive” no forró e, para seu espanto, a reação à sua proposta não poderia ter sido mais receptiva : - Descolei, meu Deus!
A amiga, já sabedora das aulas de dança dele, e de quem esperava um grande incentivo, ao vê-lo dirigir-se ao salão, perguntou, surpresa e incrédula: Eita, e tu aprendeu a dançar, foi? De onde ele esperava uma expressão de incentivo, tipo “aí!”, “valeu!”, saiu essa expressão cheirando a descrédito que ajudou sua auto-estima a despencar. Assim, já entrou no salão titubeante mas, como toda desgraça ainda pode ser piorada, o “test drive” se mostrou uma propaganda enganosa, porque, no salão, havia um elemento perturbador da ordem, inúmeros casais disputando o minúsculo espaço, parecendo que todos eles combinaram em tropeçar em Theobaldo, fazendo-o perder o ritmo. E o rebolado. Daí, na metade da música sua dama já estava dançando com outro e Theobaldo de volta à mesa e à solidariedade do seu copo de uísque.

Pedaços de inspiração (02)

"Mas se eu fosse você, amor,
eu voltava pra mim de novo"
[...]
"O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar."

"Espumas ao Vento" (Accioly Neto)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Forró com Zé Bicudo

Sábado passado, fui ao baile que é realizado mensalmente pela academia. Desta vez, fiz de tudo para não faltar, até porque o foco ia ser forró e a animação estaria a cargo do grande  Zé Bicudo, um dos mais talentosos sanfoneiros da atualidade, cuja versatilidade foi  tão bem retratada pelo inspirado Xico Bizerra, na sua magistral composição Fole Bicudo, que pode ser ouvida abaixo,  numa antológica gravação de Petrúcio Amorim e cuja letra diz:

"Se pedir xote ele toca xote
se for baião ele toca baião
arrasta-pé, coco e xaxado
eita, cabra danado, toca fogo no salão
toca valsa, toca choro, toca samba
esse cabra é o bamba e toca de tudo
e se quiser ouvir aquele forró bom
é só dizer: - puxa o fole, zé bicudo

caruaru te deu ao mundo
e o mundo todo tu vais alegrar
tu fica aí malinando os dedos
e os pés da gente ficam doidos pra dançar
e toca rindo, toca brincando
nesse balé bonito do sertão
puxa o fole, zé bicudo
que eu ‘tô doidim’ pra alegrar meu coração"




Além do sanfoneiro de primeira, o forró ainda teve um casal convidado que deu um show à parte, dançarinos profissionais, detentores de vários prêmios no Brasil inteiro e que estão participando do concurso "Se ela dança, eu danço", promovido pela emissora SBT. Misturando forró, samba, choro e gafieira, fizeram uma virtuosa apresentação, numa performance única que encantou a todos.

Eu também tive meu momento de glória. Tendo passado a maior parte do tempo usando meu vasto repertório de apenas três passos e entrar em cena exclusivamente no xote, teve um momento, já no finalzinho da festa, que o "caboco dançador" baixou em mim e eu fiz umas estripolias que causou espanto no povo presente. Mesmo concentrado na minha performance e quase em estado de transe, não foi possível ficar alheio às expressões de surpresa,  aos aplausos e assobios. Concluída a performance, vieram os apertos de mãos, tapas nas costas e declarações inflamadas. Estando estabelecido numa mesa próximo à saída, e para lá voltando para recuperar o fôlego após a inesperada performance, ainda pude receber mais alguns cumprimentos dos que iam embora e faziam questão de parabenizar-me pelo "show", como alguns classificaram a minha curta e modesta intervenção.

Elogios vieram até de Zé Bicudo, o maior responsável por aquele meu amostramento. Afinal, até aquela hora eu ia levando a noite na maciota, com meu xotear simplório, sem firulas. Mas, ele tinha nada de inventar de terminar a apresentação tocando frevo! Ao ouvir os primeiros acordes e sentir a marcação binária da zabumba, girei o botão da pernambucanidade no grau máximo e, caolho em terra de cego, passista no meio de forrozeiros, deixei de lado o acanhamento e desembestei na dobradiça, tramela, ferrolho, trocadilho, bico-de-papagaio, saci, parafuso, tesoura, gaveta, saci e o escambau a quatro. Só não dei mais pinote porque o chão estava liso e temi escorregar, contentando-me apenas em fazer um grilo, aqui e acolá, e a certa altura, e só desejando parar quando senti que estava prestes a ficar com um palmo de língua de fora. Mas os acordes finais vieram antes que isso acontecesse.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pedaços de inspiração (01)


"... O tempo é quente, o dragão é voraz..." (Pedras que cantam, de Dominguinhos e Fausto Nilo)

sábado, 20 de agosto de 2011

Ronco do fole (01): Mestre Dominguinhos

Inauguro esta seção, prestando uma homenagem ao nosso querido Dominguinhos que, conforme acabo de ler na internet, não participará do show de aniversário do Parque do Ibirapuera (São Paulo-SP), por estar hospitalizado desde a última quinta-feira, para realizar sessões de quimioterapia. (ler mais...)

Toda a nação forrozeira neste momento está torcendo para que ele se recupere e continue nos alegrando com seu talento e candura. O Brasil inteiro estaria também nessa corrente se a mídia sulista não tivesse olhos apenas para o Gianecchini.

Ouçamos, então,  Abri a porta, uma parceria dele com outra fera, Gilberto Gil, extraída do cd Nas Costas do Brasil (1998).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Todo ancho!


Mês que vem faz um ano que tiveram início minhas aulas de forró e parece que os resultados já começam a se mostrar. Mais aos outros do que para mim.

Dizem ser o pior cego aquele que não quer ver, mas, estar sendo um “rei caolho” já é muito gratificante e dá a certeza de que é possível, sim, tirar leite de pedra.

Se, às vezes, bate um desengano porque atropelo o ritmo, tropeço nos pés da dama, dou um nó nas pernas e braços ou não lembro de jeito nenhum de passos já exaustivamente trabalhados, é também verdade que isso já não acontece com a mesma frequência e nem tão explicitamente quanto nos primeiros meses.

Você melhorou muito!”, “Veja como ele está dançando agora!”, “Você está um danadinho no forró, viu!”, “Esse Honório está um dançarino arretado!”, “Eita, forró da gota!” foram algumas expressões de espanto e incentivo que passei a ouvir de uns dias para cá, mesmo que ainda não fique à vontade para dançar fora do ambiente de sala de aula, e continue manobrando a dama como se ela fosse um saco de batatas, mais empurrando e puxando que conduzindo e levando, como uma delas me segredou certo dia e tive a certeza quando, ao dançar com uma dama e ouvir os estalos das suas juntas, perguntei-lhe se meus comandos estavam muito vigorosos e ela respondeu que sim.

Mas, elogio maior ouvi ontem, após a aula, quando, já do lado de fora, uma aluna novinha, e novata, que havia, como as demais damas, dançado com cada um dos cavalheiros presentes, em conversa com seus pais, deu a entender que eu tinha sido o aluno mais desenrolado da turma, só sendo superado pelo professor, que quase a partiu ao meio e a deixava tonta de tanto giro.

Confesso que fiquei todo ancho em ter sido, na opinião daquela jovem, o melhor entre os alunos naquela noite, principalmente porque ela, mesmo iniciante, já dança que só a gota e pega os movimentos num piscar de olhos. Nem soube o que dizer nessa hora, apenas agradeci e, disse-lhe, com outras palavras, que ela não esperasse sair muito coelho desta mata.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Palavras do mestre: O antes e o depois!

Incentivando um candidato a aluno que participou da aula a se matricular:
“ Tá vendo esse aqui? [apontando para mim] É um dos maiores exemplos de superação que esta academia já teve. Quando chegou parecia um caso perdido. Não sabia para onde ia. Era duro que só. Aqui é que foi apresentado à música, ao  ritmo, às pernas, aos braços... E hoje está aí, dançando do jeito que você viu.”

(Eu não sei se engulo essa corda!)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Recado

Muniiiiiiiirah,

Uma novidade pra tu: Eu errei e não parei no meio da dança, visse!

Já era tempo, não?

Cheiro.

Em terra de cego quem tem um olho... é caolho!

Julho é mês de chuvas e férias, devendo ser esta a razão pela qual o povo não tem comparecido muito às aulas de forró esses dias. Só os iniciantes e algumas damas veteranas. Dos cavalheiros antigos, praticamente só Luciano e eu.
Não bastasse a turma temporariamente reduzida, o professor está com um dos braços imobilizado numa timpóia, devido a uma cirurgia, ficando impedido de realizar alguns movimentos. Estes dois fatos levou-me a protagonizar uma cena inusitada e vexatória: fui alçado à condição de guia da turma, para, juntamente com Alana, ficar à frente e executar determinada sequência de movimentos para os demais acompanharem.
"Já que não tem tu, vai tu mesmo" deve ter sido o pensamento do professor quando resolveu designar-me para missão de tão grande responsabilidade. De minha parte, a surpresa só não foi maior que o pânico que em mim se instalou na hora que fui chamado. Ainda tentei me fazer de desentendido, mas não teve jeito. Sendo inevitável, relaxei. Não tanto quanto deveria pois, mal segurei a mão da dama, ela comentou: Vixe, Honório, como sua mão está gelada! E estava mesmo. Parecia que eu estava adivinhando o que estava para acontecer.

Todos posicionados, começa a música, o professor comanda: 6... 7... 8... segue! Eu segui, porém trocando os pés pelas mãos, invertendo os passos e atropelando o ritmo, para decepção do professor, que não teve outra jeito que não me rebaixar de posto e colocar Luciano como guia. Minha promoção não durou mais que trinta segundos.

Tomara que nas próximas aulas os demais veteranos apareçam e eu continue na minha paz e tranquilidade de sempre, para o bem de todos e felicidade geral desta nação forrozeira.

sábado, 11 de junho de 2011

Conversa de latada: O palhaço e a rumbeira

Agora não tem conversa, o forró desembestou mesmo por esse Pernambuco afora e, cá no Recife e adjacências, a coisa está pegando fogo, mesmo sem as dispensáveis fogueiras.
Ontem, sexta-feira, enquanto meio mundo de gente estava entupindo o Chevrolet Hall no "São oão da Capitá", a maior concentração de forró de plástico nas terras pernambucanas, uma outra boa parte, mais seletiva e consciente do que é bom, foi à Praça do Arsenal, no Recife Antigo, testemunhar um raro encontro de feras da Música Universal Nordestina: Maciel Melo, Geraldo Azevedo e Xangai.
E eu, onde estava? Nem lá e nem lô. Juntei parte de duas tribos da minha convivência, a da dança e a da farra e fui curtir um forró de latada, sem cara de megaevento e que, mesmo sem a presença de medalhões, estava muito bem suprido de talento e competência. Foi no Azulzinho, tradicional templo do forró, localizado na Cidade Universitária, onde o virtuoso sanfoneiro Zé Bicudo, ao lado da sua  mulher, Paula Forrozeira, brinda os forrozeiros que lá comparecem com as mais belas pérolas do cancioneiro nordestino.
O propósito de todos ali concentra-se apenas em entregar-se à mais pura diversão, mas eu sabia que, para alguns dos ali presentes a maior, expectativa era me ver no forrobodó, uns de forma confessa, outros subtendida. A confirmação desta suspeita veio na hora que atravessei o salão de mãos dadas com a companheira, levando-a até o sanitário e, de súbito, percebi que fomos seguidos por dois integrantes do grupo com celular à mão, para nos filmar, pensavam que íamos dançar escondido. Caíram na nossa pegadinha. Até o professor, que lá estava de folga e muito bem entretido com sua parceira, esteve atento a esta minha manobra e frustrou-se quando viu que a dança não era a razão daquele meu ato.
Consciente dessa ansiedade e antevendo o inevitável, fiz questão de chegar o mais cedo possível, para reservar logo uma mesa estratégica, e, ao mesmo tempo, começar a ingestão do meu relaxante muscular predileto: cerveja gelada, a fim de estar no ponto na hora que a viesse a pressão.
E ela veio. De todas as formas. Chantagem emocional, convites diretos e indiretos, ameaças e muitas outras. Gente me puxando, gente me jogando, gente me empurrando e eu ganhando tempo na base da malandragem. Até que fui e desfiei meu vasto repertório de três passos, recheando-os com algumas simplórias mungangas.
Mas, estando numa noite de sorte, fui salvo de ser o centro das atenções dos amigos, pela presença inesquecível de um casal de forrozeiros que roubou a cena, com sua dança original e circense. Duvido que aqueles dois não tenham sido, outrora, o palhaço e a rumbeira de algum circo "tomara que não chova". Foram a sensação da festa. Arrisco dizer que colocaram no bolso os meus amigos da academia de dança. Não pelo esmero da técnica ou pelo capricho da coreografia, mas pelo nonsense e bizarrice dos movimentos inigualáveis e indescritíveis.
Ele, possivelmente um octogenário. Ela, nem tanto, formando uma dupla perfeita e sintonizada, com uma leveza de espírito que neutralizava o peso da idade, dando-nos uma bela lição de bem viver.

A paradinha perigosa

Na mesma aula do meu pas de deux com a bailarina, passei por apuro pior quando dançava com uma dama cujo companheiro também faz aula conosco e no momento estava sob os cuidados especiais de Alana, a quem são confiados os cavalheiros que necessitam de um tratamento mais intensivo.

Alertou-me a parceira que eu não estava dando a “paradinha” na hora do laço, como havia sido ensinado. Aluno caprichoso, na execução seguinte, concentrei-me nesse detalhe com tanto empenho, que fiquei parado mais tempo do que devia, por trás da dama, enlaçando-a pela cintura, não com segundas intenções, mas simplemente por não lembrar mais qual era o movimento seguinte. Sem me aperceber das possíveis conseqüências dessa amnésia temporária, fenômeno recorrente, surpreendi-me quando a minha dama, com a sutileza e a objetividade que lhe são peculiares, disse-me em tom de advertência:
- Basta dar uma paradinha básica e soltar logo, não carece ficar agarrado, porque do jeito que você está fazendo, vai acabar apanhando, proferindo estas últimas palavras com os olhos dirigidos para o dito camarada que, para minha felicidade, estava no lado oposto da sala, envolvido com a dança o suficiente para não ter visto a cena que poderia deixá-lo com uma impressão equivocada, e eu, no mínimo, com um olho roxo ou um dente quebrado.
Pense num remédio bom pra memória. Pois foi ela dizendo isso e eu lembrando na hora do que devia fazer. Eu nem sei se lembrei ou se improvisei, só sei que tive que fazer alguma coisa pra sair de trás da moça o mais rápido possível.

O clássico no forró

A aula de hoje foi alicerçada na ampliação do movimento que envolve uns pulos, comentado em postagem anterior. Novamente me deparei com uma dama que comungou com meu pensamento de que aquele era um passo sem futuro, mas, fomos  disciplinados e demos o máximo de nós na execução do mesmo. Só que quando o professor dava as costas, a gente ficava só chamegando no "dois pra lá dois pra cá" felizes da vida, com direito até a uns improvisos e mungangas.
Mas alegria de pobre dura pouco e, antes que começasse a segunda música, minha dama cúmplice foi embora. Com sua ausência, fui destacado para dançar com uma aluna novata e novinha, com jeito de ninfeta e gestos de bailarina, pois até escala abriu durante o alongamento inicial (não pra fazer inveja a nós já na "idade do condor", mas, involuntariamente, levada a isso pelo chão escorregadio).
O que seria uma dádiva acabou virando lástima, pois não consegui dar conta da responsabilidade e a bailarina acabou entregue a mãos mais habilidosas. O desconsolo imediato por ter sido desapartado dela tão precocemente foi substituído pela satisfação de ter me saído razoavelmente bem com outras damas.Perdi no atacado, mas ganhei no varejo.
Isso ficou mais evidente na última música, quando esgotadas as opções de rodízio, novamente fui lançado de volta à bailarina. Desta vez, a falta de sincronia foi mais explícita e caótica no nosso pas de deux. Eu não sabia se estava na Sala de Reboco ou no Teatro Municipal, fiquei em dúvida se quem estava tocando era Dominguinhos ou uma orquestra sinfônica, e já me perguntava se devia fazer os giros e laços ou cambrês e grand plié.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Palavra de mestre

... A finalização dessa sequência se dá em quatro tempos: No "primeiro" o homem vai para trás; laça a dama no "segundo"; vai para trás no "terceiro" e, depois que pega a dama no "quarto", faz o que quiser com ela... (movimento livre).
- Explicando um novo passo -

terça-feira, 7 de junho de 2011

Conversa de latada: Buruçu no forró

Contou-me Teobaldo que lá no Forró do Ceará, certa vez, um gaiato pediu licença ao apresentador para dar um aviso e, estando com o microfone às mãos, gritou em tom de desespero:
- Corre, que a mulé tá vindo aí!
Com o inesperado anúncio, foi um reboliço de homem casado correndo pra lá e pra cá, pulando a cerca ou se jogando debaixo da mesa, que foi um desmantelo só. Teve uns que não saíram do canto, mas suspeita-se que foi devido às pernas estarem mais trêmulas que flandre de Toyota, como se dizia lá pras bandas de Surubim.
Quando o povo deu conta que aquilo havia sido um trote, o terrorista já tinha sumido no oco do mundo, e até hoje ninguém sabe do seu paradeiro, de onde veio e nem muito menos quem era.
Derna então, ficou determinado que quem tiver seus recados que os repasse ao mestre de cerimônia, que decidirá se deve ou não ser divulgado, a bem da ordem e da felicidade geral.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Forró de São Longuinho...

Como diz o povo, é vivendo e aprendendo. Se bem que muita coisa que nos ensinam e que a gente aprende acaba ficando para trás, por não ter serventia. Na dança deve ter disso também.
Acho que é o que vai acontecer com o movimento ensinado na aula de hoje e já meu conhecido de alguns meses atrás. Não encontro outra forma mais eficaz de descrevê-lo que dizer que é um movimento pendular em três tempos, alternando as pernas lateralmente. Algo parecido como se pegássemos um compasso de desenhar, o apoiássemos em uma de suas pontas e ficassémos revezando o ponto de apoio. Ora uma ponta, ora outra, em três tempos, algo que poderia ser esquematicamente representado por A - B - A, B - A - B, A - B - A, B - A - B. Algo bem próximo dos três pulinhos em gratidão à São Longuinho ou de um dos passos característicos do country americano, importado pelo povo dos rodeios do sudeste.
Parece que dizer como é o danado é pior do que fazê-lo bem feito. E ele nem faz jus a tanto trabalho, porque, mesmo vendo-o executado pelos melhores da sala, é muito do sem graça.
Confesso que fiz o maior esforço para executá-lo da melhor forma possível, mas eu e uma das damas com que dancei hoje tivemos o consenso de que esse é o tipo do passo que nós jamais será levado para os forrós da vida. Por mim, e por ela, ficará confinado à sala de aula, e mesmo assim, só quando o professor exigir.
A aula só não foi perdida de toda porque serviu para fixar os movimentos da aula passada e também porque, pela primeira vez, eu tive um feedback de uma dama que não deixa a menor dúvida quanto à sua sinceridade. Após dançarmos a primeira música, disse-me ela de forma dócil e sutil: Você hoje ainda não encontrou o ritmo, Honório. Essa sua declaração veio confirmar o que eu estava suspeitando, e como há quem diga que tenho exagerado na autocrítica, eu estava tentando ser mais tolerante comigo. Ainda me vi tentado a pôr a culpa na música, como costumo fazer, mas acolhi o diagnóstico com resignação e procurei relaxar e manter a concentração. E não é que na segunda música fui premiado com um "Agora!" da minha dama, que me deixou mais feliz que pinto no lixo.

Bota ortopédica

Na aula da última quarta-feira minha capacidade de conduzir foi posta à prova, uma vez que dancei com duas damas que não eram tão autosuficientes quantos as demais e precisavam de um empurrãozinho (às vezes, literalmente). Juro que me esforcei o mais que pude, mas o resultado não foi lá tão satisfatório assim, pois tinha hora que mais parecia uma sessão de judô do que uma aula de forró. Mas um dia eu chego lá.
Pra completar, ainda me coube dançar com uma dama que estava com um pé imobilizado por uma bota ortopédica. Pior que a danada nesse estado dançava bem melhor que eu. Mas quem mandou ir logo tocando no meu ponto fraco e dizer que, se eu tivesse que pisar, pisasse no pé bom! Pronto. Com esse prefixo a tensão se instalou e o desmantelo também.

terça-feira, 31 de maio de 2011

No limite da paciência...

Na aula desta segunda-feira coube-me dançar com uma dama ansiosa e impaciente. Não tiro a sua razão, pois a sequência de movimentos que estava sendo trabalhada já era bastante familiar aos mais antigos, porém estava sendo um bicho-de-sete-cabeças para os novatos (e um pouco também para mim). Não foi à toa, que, certa altura, quando recebemos o comando de dançar sem o professor como guia, ela não se furtou de perguntar:
- É para dançar livre ou ficar nesse lenga-lenga?
Era para ficar no lenga-lenga!
Em estado de alerta, procurei executar o mínimo necessário aqueles passos tão exaustivamente já repetidos, torcendo para que minha memória coreográfica não me traisse e eu pudesse "enfeitar" com um ou outro passo diferente, ensinado anteriormente. Suspeito que eu não tenha sido tão competente nesta tarefa quanto deveria, porque, por duas vezes, o professor me viu sozinho no salão e ao perguntar por minha dama, obteve como resposta:
- Professor, ela teve uma sede repentina e foi beber água!
Mas o abandono temporário foi plenamente tolerado, uma vez que, conhecendo bem o temperamento de minha dama, sabia que tal ato era apenas expressão de sua ansiedade em experimentar novidades, até porque ela permaneceu sempe paciente comigo, ajudando-me a lembrar e concluir os movimentos.
Para sua felicidade, houve um rodízio entre os pares e ela teve a oportunidade de dançar com um outro cavalheiro, mais desenrolado e serelepe que eu.
Do meu lado, xoteei com mais duas outras damas e sai de lá consciente de que, após quase seis meses, não estou tão longe assim de executar com certa desenvoltura o tradicional dois pra lá, dois pra cá.
Aguardem-me!

Conversa de latada: Recife... e haja forró!

Anunciada a programação dos festejos juninos da Prefeitura do Recife. Agora é se agendar e se preparar para gastar o solado da chinela. Veja aqui

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pródiga lembrança

Ficou todo animado quando o professor colocou-me para dançar com aquela gaúcha que ali estava para sua primeira aula de forró, mas, diferentemente da aula anterior, confirmei o dito "alegria de pobre dura pouco". Afinal, primeira aula necessariamente não significa que não se tenha conhecimento prévio nem talvez uma predisposição para a atividade.
Aos primeiros acordes do xote vi que aquela ali essa uma forrozeira de mão cheia o que já me deixou cabreiro, estado que se agravou mais ainda quando ela disse que nós, nordestinos, já tínhamos o forró no DNA, como se todo carioca fosse bamba no samba e todo argentino o papa no tango. Depois dessa, minhas pernas deram um nó e o tico e teco da dança fizeram um buruçu no juízo, que nem acertava o que estava sendo ensinado e nem lembrava o que eu pensava ter aprendido antes. O riso leso disfarçava (ou denunciava) o constragimento, quando fui salvo pela troca de pares. Neste momento, a novata correu o risco de continuar comigo, mas eu recomendei ao professor que tivesse pena da coitada e a colocasse com um cavalheiro à altura.
Com a nova dama, o negócio pegou. O começo foi uma verdadeira briga de foice, mas aos poucos passou para uma luta de canivetes, porém, no fim, parece que a gente conseguiu fazer as pazes, e, inexplicavelmente, pela primeira vez eu consegui encadear vários passos diferentes e executá-los de maneira razoável. Tomara que isto tenha sido o início de uma nova fase e não apenas um fenônemo ocasional.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mãe e Filha

Este meu retorno às aulas coincidiu com a chegada de novos alunos e alunas. Duas são mãe e filha. Deve ser a segunda vez que comparecem. Ambas verdinhas ainda no trato com o ritmo. Na formação dos pares, a mãe ficou com o cavalheiro ao meu lado. Coube-me ficar com a filha e, assim, pôr em prática o ditado que diz “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. O reinado de um caolho diante da novel dançarina e não dos demais.

O movimento que estava sendo trabalhado já era um velho conhecido meu, embora isso não signifique que o executo com destreza. Já tendo penado anteriormente com aquela sequência de “atrás - na frente - lacei / atrás – na frente – abracei” não me foi difícil de novo “pegar” a dinâmica do passo, diferentemente da minha dama, que, desconhecendo-o, demorou a assimilar. Desejosa de aprender, com atenção e serenidade se esmerava em acompanhar minha movimentação, que, confesso, não era tão harmoniosa e segura quanto deveria, mas pareceu ser o suficiente para aquela situação e a confiança que ela parecia em mim depositar, fez com que eu me sentisse “o rei da cocada preta”, tendo a sensação de estarmos evoluindo juntos na execução daquele passo tão simplório para quem tem um mínimo de desenvoltura para a dança, e tão desafiador para os desengonçados iguais a mim.   

Por isso fiquei todo ancho e com a impressão de ter sido útil na aprendizagem daquela candidata a forrozeira, e não um atraso de vida, como era de costume me achar. A empolgação foi tanta que dei-me ao luxo de oferecer-me para dançar com a mãe dela, que àquela altura demonstrava não estar muito satisfeita com a sua resposta ao exercício. Com esta segunda dama o tempo não foi suficiente para sentir se houve progresso ou se, ao menos, ela viu alguma serventia naquele meu oferecimento. Pouco importa. Sai da aula mais confiante e dançando melhor. Será?

Completando a noite e a satisfação, tive também a oportunidade de dançar com Carminha, a quem fico devendo a infinita paciência com meu esquecimento dos passos, as valiosas dicas de movimentação e postura, bem como as broncas por eu parar no meio da dança diante da simples impressão de ter errado, suspeita infundada, segundo ela. Como são generosas essas minhas amigas de academia!

Conversa de latada: Teobaldo no forró (1)

Conheci Theobaldo anos atrás, numa das muitas prévias carnavalescas que animam o Recife. Como eu, é adepto do bloco do eu sozinho, por isso não é raro encontrá-lo nas ruas ou ladeiras, meio expectador, meio folião. E não param por aí as nossas afinidades.

Dia desses encontrei-o no Bar do Batatinha, um dos mais concorridos estabelecimentos gastronômicos do Mercado da Boa Vista, aonde eu tinha ido tomar umas, e ele também. Acabamos bebendo juntos e no meio da conversa deu-me a mútua revelação do apreço pelo forró e da lamentável falta de jeito para a dança. Contei-lhe que, reconhecendo-me incapaz de corrigir esta inabilidade sozinho, decidi recorrer à ajuda de um instrutor, e transcorridos de alguns meses, já sentia uma tímida evolução. Falei do meu blog e recomendei que também procurasse uma academia. Não demorou muito e descobri que aceitara a minha sugestão, contando-me ele, dias depois, por telefone, que estava “comendo o pão que o diabo amassou” num curso de dança próximo à sua casa. Entretanto, seus relatos levam-me a crer que seu progresso será bem mais rápido que o meu, pois ele é meio atirado e menos rígido na auto-avalição, além de ter um espírito galhofeiro e brincalhão, o que lhe facilita não só a abordagem, mas também o enfrentamento dos tropeços de um aprendiz.

Avesso à internet, quando passa por uma situação que julga ser digna de registro, liga para mim, contando suas estripulias e sempre arrematando com a declaração: Isso dá blog! Foi o caso que ocorreu, recentemente, no Bar de Ceará, onde costuma ir sem outra expectativa que ouvir um genuíno forró pé de serra, com direito, de vez em quando, ao pé de bode de Truvinca, o escracho de Genival Lacerda e os aboios de Ronaldo. Nesse dia, findava a terceira dose de uísque e se preparava para solicitar a conta, quando dele se aproximou um conhecido com a esposa e duas amigas, perguntando se poderia arranchar-se à sua mesa, já que não havia outra disponível. Ele, prestativo e prestes a se recolher, não se opôs à proposta, aproveitou o ensejo para pedir outra dose e, com o fluir da conversa, mais uma. Pronto. Ficou no ponto, pela primeira vez naquela tarde ficou de pé, e ao sentir firmeza na base não titubeou em chamar uma das amigas do amigo para dançar.

Convite aceito, dirigiu-se ao salão, e lá, não se deixando entusiasmar pelo excesso de álcool, dançou apenas o que sabia com segurança, ou seja, o tradicional dois pra lá, dois pra cá do xote, sem qualquer enfeite ou firula. Achava que estava indo tudo bem até que, no meio da segunda música, sua dama, aproveitando a proximidade do grupo de amigos,  “jogou a toalha” e disse-lhe que estava cansada, já desapartando dele e puxando conversa com uma das mulheres à mesa, sem deixar claro se aquele súbito cansaço era devido às atividades dia ou à enfadonha monotonia da dança daquele eventual parceiro, deixando Theobaldo sem saber se preferia o tormento da dúvida ou o golpe da verdade.

domingo, 15 de maio de 2011

Conversa de latada: A camisa

Ao entrar no táxi não percebi a camisa estendida no encosto do banco do passageiro e, antes que eu nele me recostasse, o taxista pediu licença para pegá-la e a jogou no banco de trás. Explicou-me que era dançarino de forró e conciliava as corridas com o remelexo. Esperto que só, ele opta por fazer ponto nas imediações das principais casas de dança da cidade, chega cedo, enxarca de suor umas três camisas, de tanto dançar, e na hora que o povo começa a ir embora ele troca a dama pelo volante e vai garantir seu ganha pão. Daí a presença daquela peça de roupa que eu quase amassava.

Um tanto sem jeito, segredei-lhe que fazia aula de forró já há alguns meses, mas que ainda não tinha sentido muita evolução ao longo desse tempo. Ouviu atento meu relato e disse-me palavras encorajadoras, oferecendo-se, inclusive, para ser meu orientador prático, observar meus pontos fracos e orientar como melhorá-los. Disse ter jeito pra isso, pois com sua técnica conseguiu até fazer um japonês dançar forró.

Contou-me que há cinco anos vem se dedicando à dança, declarando ser esta atividade muito prazerosa e creditando a ela a causa da aparência tão jovial que esconde seus cinquenta anos de idade. Acrescentou que, graças a sua sugestão, várias pessoas trocaram o divã pelo salão e não se arrependeram. Falei para ele que isso acontecia mesmo, citando o exemplo de uma amiga muito próxima que trocou o psicólogo por uma alfaia de maracatu e vive feliz da vida. Mas, cortando-lhe o barato, confessei que comigo era bem capaz de dar-se o contrário: por conta dessa minha inaptidão para a dança, eu estou vendo a hora ter que procurar um psicólogo para intervir no processo. Ou para remover os bloqueios ou para evitar um trauma.

Ele não conteve o riso mas apressou-me em dizer que eu estava fazendo tempestade em copo d´água, que dançar era fácil demais e frases afins, das que Eistein devia dizer sobre Física e Mozart sobre Música. Disse ainda que bastava eu dominar uns cinco passos que não faria feio onde chegasse. Infelizmente cheguei ao meu destino e a conversa foi interrompida, ficando eu sem dizer a ele que no dia que eu estiver seguro só em fazer o passo básico já será um grande avanço e me sentirei apto a aprender  mais umas quatro dessas mungangas que se ensinam por aí como sendo forró pé de serra.

domingo, 8 de maio de 2011

Em dias de toró...

Mais um transtorno inesperado advindo das chuvas que caíram no Recife nesta segunda-feira. Faltou  mulher na aula de forró. Eram só três para cinco homens, sem contar o professor que sempre pega uma emprestada para fazer a demonstração.

Se evidentemente tal proporção não agradou aos marmanjos, possivelmente para elas também não foi lá essa maravilha, considerando o nível de desenvoltura dos cavalheiros presentes e o clima de desmotivação que se instalou, em que pese o esforço do professor em garantir o dinamismo da aula. Nunca antes nessa sala se viu tanto converseiro.

Mesmo assim a aula foi proveitosa. Dançar é sempre bom, mesmo precariamente, como é o meu caso. Além do mais, a cada encontro tem-se uma nova descoberta. No caso de ontem, uma dama observou que eu dançava enviesado, fato que, possivelmente, interferia na correta execução dos movimentos. Indicou-me a posição correta da forma mais objetiva possível: “Tem que ser umbigo com umbigo”.

Suspeito que passei a dançar assim “de bandinha” a partir da postura assumida para melhor visualizar a demonstração dos movimentos feita pelo instrutor. Se já estava sendo difícil concatenar braços, quadris e pernas, agora tenho mais um elemento anatômico para me preocupar. Vixe!

sábado, 30 de abril de 2011

Conversa de latada: O chiado da chinela...

Possivelmente por conta da minha deficiência técnica no campo da dança, continuou confesso admirador do forrozeiro tradicional, que não é da fazer muita papagaiada, adepto do velho rala bucho, que agarra a morena e não a solta nem que a vaca tussa. Só na hora que pára para respirar, dar um descanso e tomar uma. É peito com peito, pança com pança e bochecha com bochecha. A poeira subindo e o suor descendo (as vezes a mão boba também). É assim que dança o primo da minha amiga Vanessa.
Por conta desse jeito bem brejeiro de dançar, o camarada fica com a boca bem pertinho do ouvido da moça, facilitando o processo de cozinhar o juízo, o conhecido xaveco. Os mais ousados saem com gosto de brinco na boca.  Tem cabra que se limita a cantarolar a música baixinho, na maioria das vezes, desafinado e com voz de taboca rachada. Mas não é nenhum desses o caso do primo dessa amiga.
Contou-me ela que um dia foi dançar com o dito cujo, e, mal ele a enlaçou e colou a bochecha na bochecha dela, começou soltando uns tsi-tsi-tsi intermitente no seu pé do ouvido, que ela interpretou como uma tentativa de reproduzir o som do chiado da chinela arrastando no salão. Estranhando o inusitado daquela onomatopéia e já incomodada com a desagradável sonoridade, ela sutilmente perguntou ao primo se estava tudo bem, ao que ele respondeu:
- Está sim. Tsi-tsi-tsi. Você está (tsi-tsi-tsi) dançando muito bem (tsi-tsi-tsi). Eita forrozinho bom danado (tsi-tsi-tsi).

Do xote para o baião

A aula de ontem foi um deus-nos-acuda, um desmantelo só. Quem disse que eu conseguia entrar no ritmo e acertar os passos?

Achando pouco, o professor ainda inventou de sair do xote e nos jogar no baião, o que aumentou mais ainda o meu desespero. Por que, além dos deslocamentos de pernas, tinha que fazer um remexido lá que só sendo um Elvis Presley pra dar conta.

Mesmo que a primeira parte tenha sido com todo mundo dançando solto e seguindo os movimentos do professor, à frente do grupo, o resultado foi trágico para mim e para mais um companheiro de aula, o que foi surpresa, pois eu jamais imaginava que alguém pudesse estar tão (ou mais) desengonçado que eu naquele momento. Acho que surpreendeu até o professor, que, ao observá-lo, fez um comentário mais ou menos assim:
- Que é isso fulano, você está querendo dançar feito Honório, é?

Antes, o instrutor havia feito uma preleção na qual comentou que o dançarino tem que ser criativo, para saber explorar o máximo dos movimentos que souber, mesmo que estes sejam mínimos. E com eles, fazer a dama feliz, ressaltando que, enquanto ela estiver sorrindo é porque está satisfeita. Desta forma, o dançarino conseguirá despertar o interesse das damas em dançar com ele, uma tradução para o popular “poderá pegar uma nega pra ralar o bucho”.

Dito isso, volto ao baião. Ainda enquanto estávamos dançando de forma avulsa, a dama que estava próximo a mim, tiradora de onda que só ela, perguntou-me se eu já “tava pegando a  nega” ao que lhe respondi:
- Com esse meu baião, eu não pego nem gripe!

Não demorou muito e veio o comando para dançar com a dama do lado direito e praticar a dois o que estava sendo feito individualmente. Pra minha sorte, ou infortúnio, calhou de ser a dita cuja que fez a tal pergunta, e coincidentemente, a mesma do risador frouxo da aula anterior. E deu-se tudo de novo. Mal eu colocava a mão na sua cintura e fazia os primeiros movimentos, a danada já estava rindo descontroladamente, a ponto de quase se engasgar. Se o riso da dama sempre for sinal de que ela está gostando da performance do cavalheiro, diria que essa minha dama estava em pleno êxtase de contentamento e satisfação. Mas tenho cá minhas razões para suspeitar de que não era bem esse o motivo de tanto riso. Teve um momento que ela até demorou alguns segundos séria, tempo suficiente para comentar que devia estar meio devagar naquela noite. Eu disse que isso era normal acontecer, mas, minutos depois, estranhei quando a vi toda serelepe dançando com outro cavalheiro, sem a menor demonstração de que não estaria nos seus melhores dias.

Além dela, outras três damas sofreram em minhas mãos. Umas mais, outras menos. Todas solícitas, compreensivas, pacientes e incentivadoras. Nenhuma com riso no rosto. Apenas aquele semblante sereno dos resignados e de quem não é de se queixar da vida. Nem do pareia sem noção!

Finda a aula, fui curtir um forró dos bons, de um jeito nada traumático, como fiz a maior parte da vida, sem ter que pagar mico, apenas escutando a beleza da música. E música boa e bonita foi o que não faltou na Passadisco (Shopping Sítio da Trindade). Basta dizer que era o lançamento dos discos de Luciano Magno, Flávio Leandro e Thaís Juriti, mas que contou com a participação de figuras no naipe de Jaiminho de Exu, Cezinha, Josildo Sá, Nena Queiroga, André Rio, Maria da Paz e Nádia Maia.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O retorno...

Parece que agora vai! Depois de inúmeras ameaças, finalmente consegui retomar minhas aulas de forró. E de forma menos desastrosa que eu imaginava. Supunha eu que nem lembraria do básico do xote, mas, às primeiras batidas da zabumba eu já estava executando o dois pra lá, dois pra cá como antes, isto é, sem muita fidelidade ao ritmo, sem molejo e sem borogodó suficiente. Mas tudo é um processo! Isto comprovou que era temporária a amnésia que jogou na gaveta do esquecimento as várias sequências  exaustivamente trabalhadas nos quatro meses que antecederam ao carnaval, pois as dificuldades sentidas na execução dos dois passos explorados na noite de ontem não foram muito diferentes das que já se apresentavam anteriormente.
Uma das minhas falhas aconteceu antes mesmo do início à dança, quando já fui pisando no pé da dama da noite na hora que a ela me dirigi para cumprimentá-la.
Menos constrangedor e mais patético foi quando, na sequência que envolvia uns movimentos de pernas que sugerem o “S”, por mais de uma vez, elas se embaralharam eu quase que levava um baque.  O mesmo ocorreu com a dama da vez, que em dois deslocamentos de pernas ficou sem base por pouco também não foi ao chão. Não sei se por constrangimento ou gaiatice, mas, nestas ocasiões, a danada quase engasgou de tanto rir, o que talvez tivesse sido bem feito!

domingo, 24 de abril de 2011

Olha eu aqui de novo...

Passei o dia escutando Gonzaga, Maciel Melo, Dominguinhos, Petrúcio Amorim, Irah Caldeira, Thaís Juriti, Adelmário Coelho e tantos outros.
Verdadeira imersão na tentativa de não farrapar novamente no retorno às aulas de forró.
Maio está chegando, junho se aproxima e a temporada do pé-de-serra está começando. E com uma ótima notícia: A Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba não vai patrocinar as bandas de forró de plástico, como bem deixou claro o secretário Chico César.
Pense num cabra macho! É isso aí Chico. Que a verba pública seja direcionada para a música verdadeiramente nordestina.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sambada de coco anima o sábado em Pontezinha

(Dando uma pausa na folia e curtindo um coco de lascar!)

O grupo Bojo da Macaiba comemora aniversário no Centro Cultural Mestre Goitá, em Pontezinha/Cabo de Santo Agostinho, neste sábado (12), a partir das 17h, com Sambada junto com o os cocos do Mestre Zezinho, Mestre Dié e Grupo Renascer (formado por crianças). Além dos shows a festa terá apresentações de capoeira e do espetáculo de rua Cadê meu Boi. A entrada e a panelada de Mão de Vaca para 200 pessoas serão gratuitas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Forrozeiro em recesso

Evoé!

Será difícil inserir o forró na agenda nestes dias que já antecedem o carnaval e que em Pernambuco já se traduzem em plena folia.
Aproveitarei, como sempre faço, para entregar-me ao frevo em todas as suas variações, mas com intensidade maior node rua, caindo na dança sem amarras ou responsabilidades. Nada de conduzir ninguém. Ao contrário, o barato é deixar-se ser levado... pela multidão. Fazer o passo, de forma solta, avulsa, ao sabor da orquestra e sem esquema prévio. O improviso dá as cartas.
Portanto, até março chegar não esperem relatos de xote, baião e cia. Não me procurem nas aulas de forró. Quem quiser me encontrar, terá maior possibilidade de achar-me nos acertos de marchas do Bloco da Saudade ou do Cordas e Retalhos, acompanhando as Conxitas e o Batuque Pernambuco, na sede de Pitombeiras, nas saídas de Ceroula, nas ladeiras de Olinda, na Praça do Arsenal, no Pátio de São Pedro, no Cordel em Folia, no Baile Perfumado, etc. O mais perto de forró que chegarei será na festa O Carnaval dos Forrozeiros e no bloco Sanfona Branca, no Recife Antigo.

Eu quero frevô... frevô... frevô...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Trigésima aula

"Em terra de cego quem tem um olho é rei".
"Quem não tem cão caça com gato".
"Se não tem tu, vai tu mesmo".

Parece que algo diferente está acontecendo. Na aula desta quarta tinha mais mulher do que homem e, pela primeira vez, o professor me colocou para dançar com duas damas. A bem da verdade, teve uma hora que eu me vi escalado para dançar com três. Eu que não me vejo habilitado a dançar nem com uma só, senti-me o próprio Carlinhos de Jesus. Agora Jorge e Paulo não me fazem mais inveja.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Conversa de latada: Esses sabem...


Américo e Albanita, meus ídolos. 44 anos de sintonia e forró. Campeões do I Concurso de Dança da TV Forró Brasil, realizado no último sábado, dia 08 de janeiro.
No dia que eu dançar cinco por cento do que esse malassombrado dança, eu me sentirei um gigante.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vigésima sexta aula

Devo reconhecer que está cada vez mais difícil manter este blog atualizado com os relatos das aulas. Falta-me assunto. Tal confissão faria alguém julgar tal dificuldade como algo positivo, levando a imaginar que eu já estou entrando nos eixos e dos velhos e indesejáveis vícios e defeitos, mas o que acontece é que estou apenas evitando ser repetitivo e deixando de relatar as mesmas deficiências.
Continuo em litígio com o ritmo, dançando fora do tempo, batendo asa, olhando para cima e para os lados, menos para a dama, pisando o pé de gente, esquecendo os passos, atrapalhando-me nos giros, enrolando-me nos laços, confundindo-me nos esses, embaraçando-me nas mudanças de passo e, ainda por cima, esperando que a dama adivinhe o que nem eu mesmo sei direito o que estou querendo fazer.

Mas melhorei. Isto é fato corrente. Não sei bem onde foi a melhora, mas as coleguinhas que acompanham minha trajetória andam dando tal testemunho. Como nem só de antigas companheiras se constitui a vida de um aprendiz de forrozeiro, a cada aula aparece uma novata que, tendo o infortúnio de cair nos meus braços, sem conhecer meu passado, julga-me pelo presente e mesmo com toda generosidade, certamente não deve dar-me uma nota lá muito satisfatória. Ás vezes tendo justificar o meu despreparo, revelando que estou nas aulas apenas há quatro meses, mas algo me diz que a emenda fica pior que o soneto. Tomara que todas saibam que cada um tem seu tempo. Há quem seja dos segundos, como muitos, e há os que precisam de séculos, feito eu. E dizem que há os que precisam do infinito, os que não progridem de jeito nenhum, mas nisso eu não boto fé. 

Capaz d´eu ir...

13/01 - Quinta-feira
22h- Sala de Reboco - Samba de Latada: Josildo Sá convida Silvério e Biliu de Campina

14/01 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Liv Moraes (Participação Dominguinhos)
22h - Casa de Mainha - Forró sem Fronteiras e Canarinhos do Forró

15/01 - Sábado
14h - Arriégua - TV Forró Brasil
22h- Sala de Reboco - Patrícia Cruz

16/01 - Domingo
16h - Forró de Arlindo - Genildo Souza e Trio Macambira
18h - Casa de Zé Nabo - Que Nem Jiló (participação Josildo Sá, Beto Hortis, Andreza Formiga e Roberto Cruz)

Aula dominical

Para esta aula extra eu já cheguei com minha pareia. Levei-a de casa. Além disso, exercitando a desobediência e contrariando meu tradicional bomocismo, ignorei a instrução dada pelo professor para que trocássemos de par e dancei com a companheira do começo ao fim, atendendo a uma sugestão da Mylle e tentando potencializar o resultado dessa aula intensiva. A estratégia até que deu certo, mesmo tendo sido difícil fazer o giro no tempo certo, só mudar de um passo pra outro de forma brusca e inesperada e provocar umas três caretas ocasionais na companheira, por lhe pisar o pé. Afora isso, até que foi produtivo, principalmente, porque minha cabeça estava mais voltada para o frevo nas ladeiras do que para xote ou baião.

O povo que me desculpe, mas depois do carnaval eu acompanho a turma ao Forró de Arlindo ou outro escolhido para a prática, porém, até lá, nos finais de semana, só vou querer saber de folia, de frevo no pé, de tesouras, tramelas, ferrolhos, dobradiças e o escambau a quatro. E quanto março tiver mais próximo, aí o cancão vai piar e a onça vai beber água. Vou tirar licença das aulas e cair desembestado no passo, testando o limite das juntas e a resistência dos músculos. Juntar-me-ei aos Guerreiros do Passo e aos Brincantes das Ladeiras, com sombrinha na mão e dando pinote no ar.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Capaz d´eu ir...

06/01 - Quinta-feira
22h- Sala de Reboco - Samba de Latada: Josildo Sá convida Amazan e Maciel Melo
22h- Sala de Reboco - Joao Lacerda, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

07/01 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Antônio Paulino
22h - Casa de Mainha - Forró sem Fronteiras e Forró da Zabumbada

08/01 - Sábado
14h - Arriégua - TV Forró Brasil
20h - Fenahall (Chevrolet Hall) - João Lacerda e banda
22h- Sala de Reboco - Reinivaldo Pinheiro (O Crente)

09/01 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Renato Barros e Zé Travassos
16h - Forró de Arlindo - Arlindo dos 8 Baixos e convidados
18h - Casa de Zé Nabo - Charles Matoso, Quarteto do Zé, Raminho do Acordeon e Patrícia Cruz

Fontes: Sites Cadê ForróForrozeiros PEAcontece no Recife e Jornal da Besta Fubana

Retrospectiva 2010: Frases de efeito!

- Para de bater essas asas, menino!
- Você está parecendo um boneco de Olinda!
- Esse menino que entrou agora dança pior do que você quando chegou aqui!
- Você vai ficar só nesse passo, é?
- Bom é quando o cavalheiro sabe dançar com elegância!
- Quero ver se eu também não consigo te colocar no eixo!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Capaz d´eu ir...

16/12 - Quinta-feira
19h - Pátio de São Pedro - Tributo a Luiz Gonzaga (Quarteto Olinda - André Macambira - Laia Rosa -Baião Polinário)
22h- Sala de Reboco - Joao Lacerda, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
12h - Mercado da Madalena - Augustinho do Acordeon
14h - Arriégua - João Lacerda e Beto Ortiz
21h - Sítio da Trindade - Ed Carlos
22h - Cafundó - Irah Caldeira
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima

23/12 - Quinta-feira
19h- Pátio de S. Pedro - Homenagem a Manezinho Araújo (Mestre Luiz da Paixão - Adiel Luna e Coco Camará - Geraldo Maia - Josildo Sá - Maciel Salu)

24/12 - Sexta-feira
12h - Mercado da Madalena - Salatiel de Camarão
 
25/12 -Sábado
12h - Arriégua - Forró dos Amigos
26/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Forró de Zé Travassos
18h - Casa de Zé Nabo - Nadia Maia

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vigésima quinta aula

Hoje era pra ser só revisão. O professor foi jogando as músicas, mandando o povo dançar à vontade e refazendo os pares, de vez em quando. Depois da quarta música, declarou que não ia ter passo novo. Que a aula seria para pôr em prática tudo que nós, alunos, havíamos aprendido até então.
Exultante, declarei, em alto e bom som, que já havia executado todos os passos do meu "vasto" repertório, que se resume a três: o básico, o manquinho, e um giro. Quando eu conseguir juntá-los de forma harmoniosa, contínua e dentro do ritmo, já estará de bom tamanho.
Eu e minha boca. Bastou eu falar isso que ele, imediatamente, reformulou seu plano de aula e inventou de mostrar novamente um outro passo, unindo o manquinho, o giro e um eninhado de braços, que eu vi dá a hora desconjuntar tudo. Os mais desenrolados, ou já sabiam ou pegaram de primeira, carecendo apenas de alguns simples ajustes. Mas eu, com minhas necessidades especiais, precisei de um tratamento vip para desarnar, com direito à decomposição pormenorizada de cada movimento, repetição em câmera lenta, inclusive, indicando o jeito certo e a hora propícia para colocar a cabeça (entre os braços).
Nesse momento, Cris era a minha "pareia". É mais uma que me coloca no eixo. Começa enchendo a bola, segue dando confiança, ensina com paciência e cobra com veemência: Vai, menino! ("Hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!"). Salve Tche! Salve Cris! E foi assim que eu, finalmente,  consegui ir do manquinho até o momento de colocar a cabeça e finalizar, voltando ao chamego básico e começando o muído de novo.

Capaz d´eu ir...

09/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Nádia Maia

10/12 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Márcia Lima e Agostinho do Acordeon
22h - Casa de Mainha - Banda Balaio de Cheiro, Perkata de Couro e convidados

11/12 - Sábado
14h - Espaço Cultural Cadê Forró - Forró Flor de Lótus, Arlindo dos 8 Baixos, Jó Silva, Charles Matoso Lampião a Gás e Raminho do Acordeon
14h - Arriégua  - Homenagem à Luiz Gonzaga (Genaro e Walkíria, Camarão, Sisinho e convidados)
20h - Pátio de S. Pedro - Homenagem à Gonzagão - Daniel Bueno, Flávio José e outros
22h - Sala de Reboco - Joquinha Gonzaga e Toinho do Baião
22h- Casa da Rabeca - Festa do Programa Cena Livre - Confraternização da Nação Forrozeira (Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Roberto Cruz, Irah Caldeira, Beto Hortis, Josildo Sá, Andreza Formiga e muitos outros)

12/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Renato Barros e Forró de Zé Travassos
16h- Casa de Zé Nabo - Vates e Violas (com participação de Fim de Feira e Lula Cortes)

16/12 - Quinta-feira
22h- Sala de Reboco - Alcymar Monteiro, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima