Umas das coisas que mais me incomodava nas primeiras aulas, era a sensação de estar sendo um estorvo para as damas que o acaso levava a dançarem comigo. Cada pisada de pé, cada interrupção brusca e inesperada da dança, cada tentativa frustrada de executar um passo e cada atropelamento de ritmo era fonte de angústia e detonava minha auto-estima.
De nada adiantava ouvir do professor que isso era besteira; que quem sabe tem prazer de ajudar aos que ainda não tem a mesma desenvoltura. Para mim, era conversa para boi dormir.
Hoje, um ano depois, dou a mão à palmatória! Vejo-me, no meio de uma aula, abrindo mão de continuar dançando com uma das minhas "pareias" preferidas, a Eva Maria, para, deliberada e espontaneamente, fazer o resto da aula com a iniciante com quem dancei na semana passada, sem outro propósito que o de, já conhecendo suas limitações, ajudá-la na sua recém iniciada trajetória de forrozeira (Não arrisco dizer dançarina, porque, mesmo se essa for a meta dela, seria muita ousadia de minha parte, já que me darei por satisfeito se um dia puder me considerar um forrozeiro).
Mil vezes melhor assim do que ser convocado para ficar na frente do grupo servindo de referência, como aconteceu nessa mesma aula. Prefiro o varejo ao atacado. Ao menos, por enquanto!
Diário (meio fantasioso) de um tímido, duro e sem jeito que inventou de aprender a dançar forró.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Inventário
O frevo tem mais de duzentos passos catalogados. Há quase trinta anos ensinaram-me uns cinquenta; Dos ensinados, aprendi uns quarenta; Dos aprendidos, lembro uns trinta; Dos lembrados, ainda consigo fazer uns vinte, e com eles mostrar a minha pernambucanidade na ponta do pé e no calcanhar, frevando o ano inteiro e sem ser refém do carnaval.
No forró, ainda aprendiz, não sei quantos passos existem e nem lembro quantos já me foram ensinados. Se no frevo domino uns vinte, no forró, após quase um ano de academia, já consigo fazer quatro: Dois pra lá, dois pra cá.
Conversa de latada: O test drive de Theobaldo
Reencontrei Theobaldo na última sexta-feira, em Olinda, por ocasião da Mimo, mostra internacional de música, realizada, simultaneamente, naquele município, no Recife e em João Pessoa. Após meses sem contato, contou-me das principais novidades: Viagem de trinta e oito dias pela Europa, com detalhes sobre Paris, Barcelona e Toledo e seu progresso no forró. Da viagem, falou sobre o choque de culturas, exemplificado pelos peitos à mostra das banhistas nas praias europeias e a predisposição sexual das mulheres estrangeiras. E eu pensando que as pernambucanas eram as mais dadas e solícitas mulheres da face da Terra!
Do forró, contou sobre sua mais recente visita ao Bar do Ceará. Foi sua prova pública. Frequentador habitual da casa, das raras vezes que lá arriscou a dançar, só em dois momentos o fez com dama que já não era conhecida. Mas, dessa vez, tomou coragem. Apresentado a duas jovens para lá levadas por uma amiga em comum, após uma hora de convivência e duas doses de uísque, arriscou perguntar se uma delas aceitaria submetê-lo a um “test drive” no forró e, para seu espanto, a reação à sua proposta não poderia ter sido mais receptiva : - Descolei, meu Deus!
A amiga, já sabedora das aulas de dança dele, e de quem esperava um grande incentivo, ao vê-lo dirigir-se ao salão, perguntou, surpresa e incrédula: Eita, e tu aprendeu a dançar, foi? De onde ele esperava uma expressão de incentivo, tipo “aí!”, “valeu!”, saiu essa expressão cheirando a descrédito que ajudou sua auto-estima a despencar. Assim, já entrou no salão titubeante mas, como toda desgraça ainda pode ser piorada, o “test drive” se mostrou uma propaganda enganosa, porque, no salão, havia um elemento perturbador da ordem, inúmeros casais disputando o minúsculo espaço, parecendo que todos eles combinaram em tropeçar em Theobaldo, fazendo-o perder o ritmo. E o rebolado. Daí, na metade da música sua dama já estava dançando com outro e Theobaldo de volta à mesa e à solidariedade do seu copo de uísque.
Do forró, contou sobre sua mais recente visita ao Bar do Ceará. Foi sua prova pública. Frequentador habitual da casa, das raras vezes que lá arriscou a dançar, só em dois momentos o fez com dama que já não era conhecida. Mas, dessa vez, tomou coragem. Apresentado a duas jovens para lá levadas por uma amiga em comum, após uma hora de convivência e duas doses de uísque, arriscou perguntar se uma delas aceitaria submetê-lo a um “test drive” no forró e, para seu espanto, a reação à sua proposta não poderia ter sido mais receptiva : - Descolei, meu Deus!
A amiga, já sabedora das aulas de dança dele, e de quem esperava um grande incentivo, ao vê-lo dirigir-se ao salão, perguntou, surpresa e incrédula: Eita, e tu aprendeu a dançar, foi? De onde ele esperava uma expressão de incentivo, tipo “aí!”, “valeu!”, saiu essa expressão cheirando a descrédito que ajudou sua auto-estima a despencar. Assim, já entrou no salão titubeante mas, como toda desgraça ainda pode ser piorada, o “test drive” se mostrou uma propaganda enganosa, porque, no salão, havia um elemento perturbador da ordem, inúmeros casais disputando o minúsculo espaço, parecendo que todos eles combinaram em tropeçar em Theobaldo, fazendo-o perder o ritmo. E o rebolado. Daí, na metade da música sua dama já estava dançando com outro e Theobaldo de volta à mesa e à solidariedade do seu copo de uísque.
Pedaços de inspiração (02)
"Mas se eu fosse você, amor,
eu voltava pra mim de novo"
[...]
"O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar."
"Espumas ao Vento" (Accioly Neto)
eu voltava pra mim de novo"
[...]
"O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar."
"Espumas ao Vento" (Accioly Neto)
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