terça-feira, 13 de setembro de 2011

Varejo e atacado

Umas das coisas que mais me incomodava nas primeiras aulas, era a sensação de estar sendo um estorvo para as damas que o acaso levava a dançarem comigo. Cada pisada de pé, cada interrupção brusca e inesperada da dança, cada tentativa frustrada de executar um passo e cada atropelamento de ritmo era fonte de angústia e detonava minha auto-estima.

De nada adiantava ouvir do professor que isso era besteira; que quem sabe tem prazer de ajudar aos que ainda não tem a mesma desenvoltura. Para mim, era conversa para boi dormir.

Hoje, um ano depois, dou a mão à palmatória! Vejo-me, no meio de uma aula, abrindo mão de continuar dançando com uma das minhas "pareias" preferidas, a Eva Maria, para, deliberada e espontaneamente, fazer o resto da aula com a iniciante com quem dancei na semana passada, sem outro propósito que o de, já conhecendo suas limitações, ajudá-la na sua recém iniciada trajetória de forrozeira (Não arrisco dizer dançarina, porque, mesmo se essa for a meta dela, seria muita ousadia de minha parte, já que me darei por satisfeito se um dia puder me considerar um forrozeiro).

Mil vezes melhor assim do que ser convocado para ficar na frente do grupo servindo de referência, como aconteceu nessa mesma aula. Prefiro o varejo ao atacado. Ao menos, por enquanto!

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