terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Capaz d´eu ir...

16/12 - Quinta-feira
19h - Pátio de São Pedro - Tributo a Luiz Gonzaga (Quarteto Olinda - André Macambira - Laia Rosa -Baião Polinário)
22h- Sala de Reboco - Joao Lacerda, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
12h - Mercado da Madalena - Augustinho do Acordeon
14h - Arriégua - João Lacerda e Beto Ortiz
21h - Sítio da Trindade - Ed Carlos
22h - Cafundó - Irah Caldeira
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima

23/12 - Quinta-feira
19h- Pátio de S. Pedro - Homenagem a Manezinho Araújo (Mestre Luiz da Paixão - Adiel Luna e Coco Camará - Geraldo Maia - Josildo Sá - Maciel Salu)

24/12 - Sexta-feira
12h - Mercado da Madalena - Salatiel de Camarão
 
25/12 -Sábado
12h - Arriégua - Forró dos Amigos
26/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Forró de Zé Travassos
18h - Casa de Zé Nabo - Nadia Maia

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vigésima quinta aula

Hoje era pra ser só revisão. O professor foi jogando as músicas, mandando o povo dançar à vontade e refazendo os pares, de vez em quando. Depois da quarta música, declarou que não ia ter passo novo. Que a aula seria para pôr em prática tudo que nós, alunos, havíamos aprendido até então.
Exultante, declarei, em alto e bom som, que já havia executado todos os passos do meu "vasto" repertório, que se resume a três: o básico, o manquinho, e um giro. Quando eu conseguir juntá-los de forma harmoniosa, contínua e dentro do ritmo, já estará de bom tamanho.
Eu e minha boca. Bastou eu falar isso que ele, imediatamente, reformulou seu plano de aula e inventou de mostrar novamente um outro passo, unindo o manquinho, o giro e um eninhado de braços, que eu vi dá a hora desconjuntar tudo. Os mais desenrolados, ou já sabiam ou pegaram de primeira, carecendo apenas de alguns simples ajustes. Mas eu, com minhas necessidades especiais, precisei de um tratamento vip para desarnar, com direito à decomposição pormenorizada de cada movimento, repetição em câmera lenta, inclusive, indicando o jeito certo e a hora propícia para colocar a cabeça (entre os braços).
Nesse momento, Cris era a minha "pareia". É mais uma que me coloca no eixo. Começa enchendo a bola, segue dando confiança, ensina com paciência e cobra com veemência: Vai, menino! ("Hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!"). Salve Tche! Salve Cris! E foi assim que eu, finalmente,  consegui ir do manquinho até o momento de colocar a cabeça e finalizar, voltando ao chamego básico e começando o muído de novo.

Capaz d´eu ir...

09/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Nádia Maia

10/12 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Márcia Lima e Agostinho do Acordeon
22h - Casa de Mainha - Banda Balaio de Cheiro, Perkata de Couro e convidados

11/12 - Sábado
14h - Espaço Cultural Cadê Forró - Forró Flor de Lótus, Arlindo dos 8 Baixos, Jó Silva, Charles Matoso Lampião a Gás e Raminho do Acordeon
14h - Arriégua  - Homenagem à Luiz Gonzaga (Genaro e Walkíria, Camarão, Sisinho e convidados)
20h - Pátio de S. Pedro - Homenagem à Gonzagão - Daniel Bueno, Flávio José e outros
22h - Sala de Reboco - Joquinha Gonzaga e Toinho do Baião
22h- Casa da Rabeca - Festa do Programa Cena Livre - Confraternização da Nação Forrozeira (Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Roberto Cruz, Irah Caldeira, Beto Hortis, Josildo Sá, Andreza Formiga e muitos outros)

12/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Renato Barros e Forró de Zé Travassos
16h- Casa de Zé Nabo - Vates e Violas (com participação de Fim de Feira e Lula Cortes)

16/12 - Quinta-feira
22h- Sala de Reboco - Alcymar Monteiro, Cezzinha, Petrúcio Amorim e Maciel Melo

17/12 - Sexta-feira
22h- Sala de Reboco - Dominguinhos

18/12 - Sábado
22h- Sala de Reboco - Assisão

19/12 - Domingo
22h- Casa de Zé Nabo - Dominguinhos e Flavinho Lima

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

vigésima quarta aula

Hoje foi revisão. Do passo com "S" finalizado com duas peitadas e também de um dos movimentos com giros. Esse último até que deu pra levar, mas o das peitadas, foi um desmantelo só na hora do peito com peito. Logo eu que mamei até os dois anos e sou um dos maiores admiradores do poema "As flô de Puxinanâ", em que Zé da Luz diz:
"Três muié ou três irmã, 
três cachôrra da mulesta, 
eu vi num dia de festa, 
no lugar Puxinanã. 

A mais véia, a mais ribusta 
era mermo uma tentação! 
mimosa flô do sertão 
que o povo chamava Ogusta. 

A segunda, a Guléimina, 
tinha uns ói qui ô! mardição! 
Matava quarqué cristão 
os oiá déssa minina. 

Os ói dela paricia 
duas istrêla tremendo, 
se apagando e se acendendo 
em noite de ventania. 

A tercêra, era Maroca. 
Cum um cóipo muito má feito. 
Mas porém, tinha nos peito 
dois cuscus de mandioca. 

Dois cuscus, qui, pru capricho, 
quando ela passou pru eu, 
minhas venta se acendeu 
cum o chêro vindo dos bicho. 

Eu inté, me atrapaiava, 
sem sabê das três irmã 
qui ei vi im Puxinanã, 
qual era a qui mi agradava. 

Inscuiendo a minha cruz 
prá sair desse imbaraço, 
desejei, morrê nos braços, 
da dona dos dois cuscuz! "

Pois foi! Com tanto cuscuz pra eu peitar lá na aula, eu só conseguia dar ombrada e umbigada. Teve uma hora que o professor chegou a apelar:
- Rapaz, sinta o peito de dama!
Depois disso, e da paciência de Cristina, até que fui melhorando. Acho. Ana Luíza, outra caridosa, operou milagre e com seus toques (dicas, não pensem outra coisa!) também conseguiu algum efeito. Se bem que ela, na ânsia de que levar à execução perfeita, além de querer que correção nos meus movimentos de pernas, cobrava-me a sincronia com a música, o acerto dos movimentos peitorais e, ainda por cima, disse que estava faltando "condução". Na hora, só me veio a vontade de dizer-lhe que eu iria dar um jeito nisso e perguntar-lhe se ela preferia táxi, van, kombi ou ônibus, mas, antes de fazê-lo, caiu a ficha e entendi que eu continuava com o vício de "dançar sozinho", esquecendo de conduzir a dama, como pregam os bons manuais e praticam os dançarinos minimamente hábeis. Infelizmente tive que trocar de dama e essa questão continuou em segundo plano.

Fiquei encasquetado com essa insubordinação muscular. O corpo fazendo pouco do desejo da mente. Mas aí vieram os giros, e com eles, um alento. Apesar de já serem velhos conhecidos, ainda deram nó e me fizeram quebrar a cabeça, mas, aos poucos, foram saindo a contento. Com um detalhe: percebi que eu os fazia na velocidade três e o resto do povo parecia que estava na velocidade cinco, porque quando ainda estava no meio da primeira sequência os outros já estavam recomeçando a série.
Vai ser lento de mente e de corpo assim na caixa-prego.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vigésima terceira aula

Eu que, durante o dia, cheguei a ventilar a hipótese de procurar outra lavagem de roupa, sai da aula hoje com o ânimo revigorado e dando-me mais uma chance.
É que no fim de semana, fiz um cálculo, mas deu um calculo. Planejei curtir o forró de forma socializada com uns amigos, praticantes da nordestinidade sertaneja, mas eles, impossibilitados de chegarem junto, deixaram-me a ver navios e quase que meu barco naufraga. O involuntário monopólio provocado pela inesperada ausência, deixou-me à deriva, velas aos ventos, sem rumo e sem direção, perdido qual deficiente visual no meio de um confronto armado.
Esta não é minha praia, pensei.
Porém, vindo à aula, deparo-me com uma proposta de variação do básico "dois pra lá, dois pra cá", que consistia na inserção de um giro, quebrando a monotonia do passo. Penei, mas, tendo tido a sorte de ser colocado aos cuidados da doce Ana Luíza, fiz o dever de classe e, depois de dar inúmeras voltas feito carrapeta ou peru doido, acho que absorvi o movimento. Possivelmente já tonta, de tanto ser girada, a certo momento, ela me disse:
- Se você quiser, pode mudar o passo. Fique à vontade.
E eu, mesmo olhando ao redor e vendo os demais casais envoltos em mungangas e pantins, resignadamente  respondi:
- Deixa assim mesmo, que eu tenho que repetir até aprender. Se eu inventar de colocar outro aqui, não vou lembrar mais do que está me sendo mostrado agora e não vou recordar direito o que me foi ensinado antes, e aí nem mel, nem cabaço.
E a bichinha, como dama generosa, continuou permitindo-se ser girada até a música acabar e o professor transferi-la para outro cavalheiro, que lhe exigisse menos sacrifício.
Quanto a mim, experimentei outras damas e cheguei à conclusão de que, das duas, uma: ou eu preciso melhorar mais ou estava sendo sutilmente conduzido pela dama primeira.
No trânsito diz-se que, na dúvida, não se deve ultrapassar. Mas, neste caso, é justamente essa dúvida que me faz seguir em frente. Afinal, se levei três meses para receber uma importantíssima orientação (como segurar corretamente a dama) que era para ter sido dada deste o primeiro dia (ou que jamais foi dita como deveria ser), quem sabe daqui a mais três ou seis meses eu consiga dirimir essas dúvidas ou aprenda algo que seja um divisor de águas.
E tome forró até lá!

Conversa de latada: Melhor me deixar quieto

Em visita a um amigo, morador de Serra Talhada, ele foi por este apresentando a três amigas, todas elas sem apresentar qualquer atrativo que lhe chamasse a atenção. Tirador de onda, apresentou-se às garotas como dançarino da banda Aviões do Forró. Farofa pura, porque ele não dançava nem em chapa quente, mas elas acreditaram na conversa mole dele, ficando todas serelepes por conhecerem tão "ilustre" figura.
Horas depois, o amigo levou-o a um animado barzinho da cidade, onde um trio de forró pé-de-serra fazia a festa dos que lá se aboletavam atrás de ralar o bucho. Resolveram permanecer um pouco no ambiente, tomar uma cerveja e curtir o forrozinho. Não demorou muito e lá chegaram as três amigas. Ao entrar, deram de cara com a mesa onde os dois amigos estavam e, a eles se dirigiram, puxando conversa. Uma delas, voltando-se para ele, provocou:
- Você não vai dançar, não?
Ao que ele respondeu:
- É que eu só danço forró estilizado e esse aí é pé-de-serra. Além do mais, o teto desse bar é muito baixo. Se eu fosse dançar com você e lhe jogasse para cima como faço no palco, você ia se esborrachar todinha. Então é melhor me deixar quieto.
E mais ele não disse. E mais ela não quis ouvir.

Capaz d´eu ir...


02/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Heleno de Maceió

03/12 - Sexta-feira
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Agostinho do Acordeon e outros)
20h - Casa de Seu Jorge  - Cezinha
21h - Forró do Bagacinho - Território Nordestino e Forró Ketú
22h - Sala de Reboco - Carlinhos Monteverde, Zé Bicudo e Paula Forrozeira

04/12 - Sábado
14h - Arriégua - Luizinho Calixto e Messias Holanda
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Luizinho Calixto e outros sanfoneiros)
22h - Sala de Reboco - Djalma Siqueira e Aracílio Araújo (Part. Paulinho Leite)
22h - Casa da Rabeca - Irah Caldeira, Dudu do Acordeon e Dinda Salu
22h - Cafundó - Quinteto Chinelo Velho e Banda Balanço Matuto

05/12 - Domingo
16h - Casa de Mainha - Forró sem Fronteiras e Trio Mói de Aruá
17h - Forró do Caboclinho - João Lacerda
17h - Praça do Arsenal - Elza Soares canta Luiz Gonzaga (Participação dos grupos Fim de Feira, Rabecado e vários trios de forró)
17h - Casa de Zé Nabo - Irah Caldeira e Dudu do Acordeon

09/12 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Nádia Maia

10/12 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Márcia Lima e Agostinho do Acordeon

11/12 - Sábado
22h- Casa da Rabeca - Festa do Programa Cena Livre (Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Roberto Cruz, Irah Caldeira, Beto Hortis, Josildo Sá, Andreza Formiga e muitos outros)

12/12 - Domingo
16h- Casa de Zé Nabo - Vates e Violas

Fontes: Sites Cadê ForróForrozeiros PE e Jornal da Besta Fubana

Vigésima segunda aula

APAGARAM O CANDEEIRO E DERRAMARAM O GÁS

O que seria a vigésima segunda aula não aconteceu. Faltou energia elétrica no bairro inteiro e adjacências. Era um breu só, quebrado pelos faróis dos automóveis e pela iluminação dos raros prédios com geradores. O professor, que também é músico, até que fez um esforço para não frustrar as expectativas dos aprendizes da  turma do primeiro horário, da dança de salão, marcando o ritmo com o bongô, abrindo as janelas e deixando a luz da lua alumiar a sala, o que se traduzia numa aconchegante penumbra, propiciando o mínimo de claridade, suficiente para enxergar a demonstração do professor, além de evitar possíveis esbarrões e, quem sabe, inibir alguma ousadia de um(a) assanhado(a) oportunista, algo pouco provável, mas não impossível de acontecer, pois, como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.
Nesse cenário, eu já comecei a imaginar como seria a aula de forró sem ouvir o resfolego da sanfona, dançar só com o tum-tum-tum-pac da percussão, mas sem o timbre familiar do zabumba. A priori, pensei que iria ser sem graça, mas mudei de idéia ao ver que até seria bom dançar um forrozinho à luz da lua, como se estivesse num autêntico forró de latada, sem energia, no máximo, um candeeiro a gás. Viajei tanto nessa idéia que, quando vi, já estava me sentindo o felizardo personagem do xote  "Meu Cenário", de Petrúcio Amorim:
"Nos braços de uma morena
Quase morro um belo dia
Ainda me lembro meu cenário de amor
Um lampião aceso 

O guarda-roupa escancarado
Vestidinho amassado debaixo de um batom
Um copo de cerveja uma viola na parede

E uma rede convidando a balançar
Num cantinho da cama  um rádio a meio volume
E um cheiro de amor e de perfume pelo ar
Numa esteira

O meu sapato pisando o sapato dela
Em cima da cadeira aquela minha bela sela
Ao lado do meu velho alforje de caçador
Que tentação

Minha morena me beijando feito abelha
A lua malandrinha pela brechinha  da telha
Fotografando meu cenário de amor".


Suspeito que a experiência de dançar bolero apenas ao som de um bongô não deve ter sido muito satisfatória, porque, perdurando a falta de energia, o professor não quis fazer o mesmo com o forró e acabou dispensando a turma.
A princípio, fiquei frustrado por mais um dia sem praticar o ralabucho, mas, compreendo as impossibilidades do imprevisto, acatei a decisão e, aproveitando a oportunidade que o inesperado me ofereceu, sai de lá, correndo, a procura do lugar mais próximo onde houvesse energia e um barzinho suprido de cerveja gelada, e, com ela, deixar fluir as idéias e ficar "viajando" diante da tentação de uma morena beijando feito abelha, e a lua malandrinha, pela brechinha da telha, fotografando o cenário de amor...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Capaz d´eu ir...

24/11 - Quarta-feira
19h - 100% Brasil - João Lacerda, Ronaldo Aboiador, Nádia Maia e Antônio Paulino

25/11 - Quinta-feira
21h - Sala de Reboco - Amazan e convidados (Novinho da Paraíba)

26/11 - Sexta-feira
21h - Forró do Bagacinho - Diego Cabral e Forró Ketú
21h - Casa de Mainha - Trio Mói de Arauá e Kinho Callou
22h - Sala de Reboco - Nadia Maia

27/11 - Sábado
14h - Espaço Cultural Cadê Forró - Forró dos Amigos (Jó Silva, Forró Flor de Lótus, Charles Matoso e amigos)
20h - Feira de Humor e Poesia (Rua da Moeda) - Grupo Fim de Feira

21h - Forró do Bagacinho - Forró sem Fronteiras e Forró Falado
22j - Sala de Reboco - Mazinho de Arcoverde

28/11 - Domingo
16h - Forró de Zé Nabo - Trio Juriti
16h - Forró de Arlindo -
16h - Bar do Caboclinhos

03/12 - Sexta-feira
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Agostinho do Acordeon e outros)

04/12 - Sábado
18h - Pátio de São Pedro - 13º Encontro de Sanfoneiros do Recife (Luizinho Calixto e outros sanfoneiros)

Palavras de mestre: O baião

No baião é assim: O negócio é enfiar a perna entre as pernas do outro. Você entra quente e recua. Aí a  dama entra fervendo e recua. E assim vai, dando aquela quebrada, ora pra frente, ora pra trás, senão fica muito solene, parecendo bolero.

Vigésima primeira aula

Hoje tinha mais cavalheiro que dama. Na hora de pegar uma, dormi no ponto e quando vi, tinha sobrado.
Então, se deu algo que eu esperava acontecer no primeiro dia de aula e que me deixou frustrado por não ter se realizado naquele momento: quem fez par comigo foi a professora. Mas o que, a princípio, seria uma maravilha, tornou-se uma bomba chiando.
No começo, ela vendo que eu não consegui dar a partida, deu o arranque e acabou com minha inércia, e se foi deixando que eu a conduzisse a meu belprazer. Disso eu não tive do que me queixar, ao contrário, já estava achando era bom. Aí deu-se o revestrés. Porque já tinha passado mais da metade da música e esse "meu belprazer" se resumia ao "dois pra lá, dois pra cá", no mesmo canto, girando em volta do próprio eixo feito pião ou carrapeta, o que a levou a misturar os papéis de dama e professora e verbalizar, sem papa na língua, o que uma dama não costuma dizer, embora fique pensando e até demonstre muitas vezes: - E aí, menino, vai ficar o tempo todo só nisso, é? Faz uma coisa diferente, homem!
Aí o cancou piou. Tive que apelar para a única carta que guardo na manga: uma sequência de giros que sempre me salva nestas horas, provando que eu não sou um Coisinha de Jesus, um dançarino de um único passo. Já tenho dois no meu repertório. Com eles já insinuo que estou em processo de adestramento, para, em breve, passar para o estágio do amostramento.

Finalmente saimos do xote. Chegou a vez do baião. O passo inicial até que não foi muito diferente do que eu costumo fazer quanto estou com umas no quengo e fico facinho, sem oferecer muita resistência a um insistente convite para dançar vindo de alguém que já tenha intimidade suficiente para fazer tal pressão e não se incomode em tentar tirar leite de peito de homem. Mas já estou vendo que a porca vai torcer o rabo na hora que tiver que mudar de passo ou então fazer a junção com outros movimentos. Nessa hora o bicho pega.
Esse negócio de enfiar a perna no meio das pernas da pareia é mesmo interessante. Se bem que eu consigo ser criativo o suficiente para, com frequência, errar o caminho entre a brecha e, foi não foi, acertar o joelho da dama. Pense num cabra desmantelado! Não é à toa que estou com artrose na patela.

domingo, 14 de novembro de 2010

Capaz d´eu ir...

18/11 - Quinta-feira
19h - Espaço Muda - Lançamento do DVD do Grupo Fim de Feira
22h - Sala de Reboco - Amazan, com participação de Petrúcio Amorim e Cristina Amaral

19/11 - Sexta-feira
22h - Sala de Reboco - Balaio de Cheiro e Júnior Torres

20/11 - Sábado
14h - Arriégua - Homenagem à cidade de Exu com Joquinha Gonzaga, Jaiminho de Exu e outros convidados
19h - Casa de Zé Nabo - Aniversário da Academia Arts Passos Cia de Danças,  com Márcia Lima
22h - Sala de Reboco - Irah Caldeira (Aniversário do fã clube Quero ter você)

21/11 - Domingo
16h - Forró de Arlindo - Trio Juriti
16h - Casa de Zé Nabo - Cristina Amaral e convidados

27/11 - Sábado
21h - Cafundó - Trio Juriti

28/11 - Domingo
16h - Forró de Zé Nabo - Trio Juriti

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Conversa de latada: Nem se fosse Juliana Paes

Sábado, quase na boca da noite, ele já tinha tomado todas e ainda desejava mais algumas, por isso recebeu com entusiasmo a proposta da turma para esticar até o Forró do Assis a  farra que começara no Mercado da Boa Vista.
Rateada a conta, foi o primeiro a tomar destino e puxar o comboio, já incomodado com o moído do povo sem sair do canto e ainda querendo pedir a saideira. Com poucos minutos chegaram ao local desejado, que durante a semana funciona como estacionamento e, nas tardes de sábado, se transforma em um aprazível reduto de forrozeiros.
Chegando lá, aboletaram-se à mesa, pediram logo a ceva gelada e ficaram cubando o ambiente. Não demorou aparecer gente conhecida que acabou se juntando àquela turma festeira. No meio desses agregados, havia uma amiga de uma das amigas do grupo, animada que só ela, e pelo chapéu de couro na cabeça e pela blusa xadrez que vestia, já dava a entender que gostar de ralar o bucho. Dito e feito, a bicha não parava de se remexer um minuto sequer, dançando sozinha assim que a música começou.
Despachada como muito homem sonha, não exitou em convidá-lo para dançar. Ele, pego de surpresa, ficou sem ação e, por não encontrar jeito de recusar o convite-intimação, acabou cedendo ao apelo e conduziu-a ao salão, dando um jeito de adverti-la sobre a sua falta de jeito para a dança, ao que ela deu pouca importância.
Esforçando-se para dar o melhor de si, tentou sincronizar o passo com a inesperada dama e a envolvente música, sei saber ao certo até onde estava sendo bem sucedido nesta tarefa. Na hora, nem percebeu que ela parecia não estar tão incomodada assim com a possível fraca performance dele. Mas ele, ainda tenso e preocupado em frustrar expectativas, inventou de justificar o embaraço da situação. Melhor tivesse ficado calado ou pisado no pé dela, pois ao tentar falar sobre a sua timidez e a influência do álcool na neutralização do bloqueio que tem com a dança, não escolheu bem as palavras e deflagrou o seguinte desaforo:
- Eu só aceitei dançar com você porque eu estou bêbado, porque se estivesse bom, nem se fosse a Juliana Paes que me chamasse eu iria...
Mais não chegou a dizer porque foi logo tachado de fuleiro, percebendo que sua declaração levava a outro entendimento. Tentou esclarecer que o motivo da recusa seria por sua timidez e não pela falta de atrativos da outra, mas como mesmo assim ela não o largou no salão e nem parou de com ele dançar, achou por bem deixar o dito pelo não dito e continuar curtindo o forrozinho de boca fechada.
Terminada a música, voltaram à mesa, e entre goles de cerveja e brindes,  parece ter conseguido convencê-la de que era tímido, pois até hoje ela lhe tem em boa estima.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vigésima aula:

Hoje foi minha vigésima aula, mas pareceu-me até que era a primeira. Não por alguma sensação de que o tempo não passou, mas pelo meu precário desempenho do começo ao fim. Para não dizerem novamente que sou exagerado, faço uma ressalva: no começo até que eu mereci elogio do professor, mas isso foi durante os exercícios de alongamento, quando ele comentou sobre a minha correta execução dos seus comandos e por eu ter sido um dos poucos da minha faixa etária que conseguiu apoiar a perna na barra só com o impulso, sem a ajuda das mãos).
No mais, a prática de hoje ainda não foi suficiente para automatizar a sequência de cinco movimentos encadeados iniciada na aula anterior, nem tampouco a outra sequência proposta, inclusive, já praticada dias atrás.. Dancei com cinco damas, cada uma contribuiu sobremaneira para melhorar minha performance, mas com nenhuma delas a coisa foi cem por cento. Com muito boa vontade, daria pra dizer que foi razoável. A que me é mais íntima, suspeitando de alguma responsabilidade sua nesse processo, perguntou-me se eu era travado assim também com as outras ou era só com ela. Numa humilde e sincera confissão, disse-lhe que isso não era "privilégio" dela. Todas as demais também foram vítimas da minha costumeira descoordenação motora.
Mas hoje realmente o caso estava sério. Só encontro uma justificativa: a trilha sonora. O professor caprichou na seleção de fuleragem music, genero degenerado do forró que eu abomino de coração, ouvidos, pernas e corpo inteiro. É que não dá mesmo! Se eventualmente eu travo até ao som de Dominguinhos, Petrúcio Amorim, João Silva e outros feras, quanto mais com essas músicas horrorosas de aviões e companhia limitada. É alergia mesmo e não tem corticóide que dê jeito.
Não serei hipócrita para colocar a culpa na música, mas tenho plena convicção que minha limitações ficam mais acentuadas quando a música não presta. E se não foi esse o principal motivo, certamente foi a gota d´água do desmantelo.
Mas no caminho de casa, não perdi tempo. Fiz minha assepsia auditiva, colocando no som do carro Dudu do Acordeon, Genaro e Walkiria e Maciel Melo. Santos remédios, sem contraindicação, que podem ser usados à vontade, de forma isolada ou associada e sem perigo de efeitos colaterais por consumo em demasia.

Palavras de mestre: Dançar com corpo e alma

O negócio é dançar buscando o prazer, como se fosse brincando com alguém. Se errar, que é que tem? Comece de novo, como aquele que brinca Carnaval em Olinda, e de repente tropeça, não perde o embalo, do tombo acha graça, retoma o passo e segue sorrindo, ladeiras abaixo, ladeiras acima, atrás da folia.

(Adaptação ousadamente livre e propositadamente poetizada de comentário em sala de aula)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Décima-nona aula

Hoje me senti um Arquimedes gritando Eureka!, um Isaac Newton recebendo uma maçã na cabeça, um Eistein descobrindo a Teoria da Relatividade, um Santos Dumont pilotando o 14-Bis, um Edson dando a luz e o outro fazendo o milésimo gol, um Luiz Gonzaga criando Asa Branca e um Capiba compondo Madeira que Cupim não Rói.
Como diria o grande filósofo capixaba, Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Um novo mundo se abre para mim após esta revelação.
Assim como Moisés conduziu o povo hebreu na fuga do Egito, Conselheiro comandou os sertanejos de Canudos, os boiadeiros tangem o gado Pantanal a fora, Maomé guiou o povo muçulmano e Zumbi capitaneou o povo negro nos Palmares, agora eu também tenho a força.
Após dois penosos meses tropeçando nos próprios pés, dando nó nas pernas,  recapitulando anatomia, aprendendo a contar de um a oito, exercitando a teimosia, gastando a paciência das damas, esforçando-me para assimilar uma sequência de movimentos sem precisar repeti-la mais de vinte vezes ininterruptamente,  tentando distinguir a diferença do xote para o baião, eis que surge um "Mister M" à minha frente e abre o jogo,  revelando um segredo que estava escondido a sete chaves, dentro de uma caixa com fundo falso e coberto por um pano preto: Que gestos usar para conduzir a dama no salão, para fazê-la ir para onde o cavalheiro desejar.
Agora ficou tudo mais fácil. Quando eu souber direito para onde eu quero ir, já saberei como levar alguém junto.
Quando o “São” Jorge me deu tal toque, pensei: Paulo Coelho um dia deve ter tido esta mesma sensação que estou tendo agora. Senti-me um iluminado, mas tamanho regozijo não impediu de questionar por que, até então, ninguém me contou nada sobre este detalhe tão simplório e ao mesmo tempo tão importante? Das duas uma: ou a coisa é tão básica que só um leso feito eu não intuiu nem percebeu antes ou se trata de uma informação pra lá de estratégica, só acessível aos iniciados, aos que passam de nível, como num videogame, tornando-se, assim, merecedores de dominar tal conhecimento.
Estou inclinado a dar crédito à segunda alternativa, por isso, tire o cavalo da chuva aquele que vive na ignorância, como eu vivia, e esperava que eu terminasse esta postagem dizendo como se faz. Deixe de pressa que sua hora vai chegar.

Capaz d´eu ir...

11/11 - Quinta-feira
22h - Sala de Reboco - Amazan e convidados

12/11 - Sexta-feira
21h - Casa de Mainha - Bandas Rouxinol do Nordeste e Origem Nordestina
21h - Cafundó - Márcia Lima  e Banda Chinelo Velho
21h - Forró do Bagacinho - Patrícia Cruz
21h - Forro do Azulzinho - Trio de Zé Bicudo
22h - Sala de Reboco - Petrucio Amorim

13/11 - Sábado
14h - Forro do Arriégua (TV Forró Brasil) - Genaro e Walkíria, Gel e seus manos, Simão do Acordeon e Ronaldo Aboiador
21h - Forró do Bagacinho - Forró Ketu e Forró sem Fronteiras
21h - Cafundó - Banda Kartuxo
22h - Sala de Reboco - Banda Pega Pakapá

14/11 - Domingo
16h - Bar do Caboclinho - Eduardo Anísio e Banda Jaqueta de Couro
16h - Casa de Zé Nabo - Sirino e Sirano
17h - Casa de Mainha - Aracílio Araújo
17h - Forró de Arlindo - Trio Macambira, Genildo Souza, Quintento Sanfonado e Adriano Pontes

Fonte: Site Cadê Forró e outras

Conversa de latada: Navio de pirata

“Rapaz, sexta-feira eu fui conferir se aquele forró que você recomendou era bom mesmo.  Você sabe que eu não sou muito exigente com essas coisas, o básico para mim já é suficiente. Mas pense numa decepção! Quando eu cheguei lá, parecia que eu tinha entrado em um navio de pirata: Só tinha macho e canhão. Vote!”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Décima-oitava aula

Hoje foi a vez do que vou chamar de "remexido", um movimento que, salvo engano, é característico do maxixe, antiga dança popular brasileira. Pense num negócio bom danado! Mijador com mijador remoendo feito mão de pilão circulando nas beiradas do dito cujo. E eu ainda fui premiado com o privilégio de fazer pareia, mais de uma vez, com uma cabocla faceira e que teve o  melhor moído da noite.

Se eu já fico tenso só por estar ali, mesmo no meio de um povo já conhecido, dá pra imaginar como fiquei ao me ver com a responsabilidade de fazer esse remelexo com uma cabrocha bonita, risonha, serelepe e desenrolada (A prudência recomenda que eu economize os adjetivos) e que estava vendo pela primeira vez. Senti-me um tangedor de burro prestes a pilotar uma Ferrari.

Fiz o que pude. Fui logo recomendando que tivesse paciência comigo, declarando que eu era iniciante. Ela, compreensiva, disse que eu não me preocupasse e perguntou há quanto tempo eu fazia aula. Precisava ela fazer tal pergunta? Lá vou eu todo encabulado revelar que não eram só duas ou três semanas, mas que já passava um tiquinho de dois meses, umas dez semanas. Passado este constrangimento inicial, comecei e fiquei um tempão no básico do básico, que, conforme já me disseram uma vez, parece a dança do siri (do povo do Pânico). Ai, já amaciado o motor, ousei fazer a única sequência de giros que já está medianamente assimilada e sai com certa naturalidade. Senti na minha dama uma expressão de prazer por eu ter finalmente saído do arroz com feijão, porém, antes que ela criasse maiores expectativas, avisei-lhe que não esperasse de mim algo mais além daquilo. E voltei pra dança do siri, digo, para o básico, e para o mesmo giro, e de novo para o básico, e assim iria até acabar a música, mas ela, dama boa e gentil, tomou a iniciativa de mostrar-me outras possibilidades de movimentos, todas já ensinadas em aulas anteriores, mas nenhuma ainda internalizada e executada com segurança e leveza. Fiz de conta que eram desconhecidas, para não dar muita bandeira.

Aprendiz atento e concentrado, eu procurei repetir o que ela ensinava. Até que não fui tão mal, segundo ela, que só observou que eu faltava lembrar que existiam umas coisas chamadas música, ritmo e tempo, que deviam ser levadas em consideração na hora de dançar. Paciente, ela tentava me sintonizar gradualmente, com direito a me chamar de apressadinho algumas vezes. Não que eu estivesse avançando algum sinal com ela, o que até seria compreensível diante do seu jeito doce, mas sim, porque eu sempre tirava antes da hora. A mão.

Como se vê, o negócio ia bem, mas, de repente, ela precisou de uma pausa, pois uma câimbra inconveniente atacou-lhe no pé. Ainda bem que foi algo passageiro e passou justo na hora de praticar o remexido. Dois pra lá, dois pra cá, e pra trás, e pra frente, chama na xinxa, faz o remoído, quebra pra trás, puxa pro peito, e dois pra lá, dois pra cá, e assim sucessivamente. Eita pisada boa! Lavei a égua. Aí foi que nem lembrava que tinha uma música a ser seguida.

Mas diz um velho ditado que tudo que é bom dura pouco. E, cumprindo a dinâmica da aula, veio a tradicional recomposição dos pares. Bem que Gledson podia ter posto em prática o outro pensamento que diz que toda regra tem exceção, e ter deixado tudo como estava. Até porque a troca aconteceu justamente quando eu começava a sentir o ritmo e estava me encaminhando para fazer a coisa no tempo certo. A morena já estava assanhada de tanto jogar a cabeça pra trás. Ficou com sede e com fome também. Câimbra, sede, fome e um cavaleiro desajeitado. Dama nenhuma merece!

Superada a contrariedade de ver a cabrocha brejeira partir para outros braços, desdobrei-me o mais que pude para caprichar na performance com minha nova dama, Alana. Não foi preciso muito esforço, já que ela, segundo o próprio mestre, é a única que me coloca no eixo, além de Ana Luíza, declaração que me pegou de surpresa, pois eu não sabia que alguém já tinha alcançado tal proeza. Fiquei satisfeito com a revelação, pois tenho especial carinho pelas duas e, realmente, sinto-me à vontade com elas, embora também já tenha estabelecido cumplicidade com outras damas com quem tenho dançado, fruto da convivência e da sintonia.
Agora, o que eu quero mesmo saber é se na próxima aula vai ter remelexo de novo, pois se eu já faço questão de repetir infinitas vezes os passos para poder fixá-los, com esse aí é que eu vou querer praticar até a dama “pedir pra sair”.
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Outra coisa: Só agora me veio uma dúvida atroz: Será que foi câimbra ou eu pisei no pé da garota?  Tomara que na próxima aula ela apareça e esclareça esta questão.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Décima-sétima aula

*** Confirmei: é mesmo o danado do sapato que  escorrega e me tira de tempo. Não vou mais com ele.***

*** Em que pesem os tropicões e as travadas de vez em quando, mais de uma dama asseverou que eu estou progredindo. Acho que, finalmente, os momentos de desengano e desespero estão com os dias contados. ***

*** Acabei de crer que perseverança e determinação faz mesmo milagre. O professor hoje sofreu que só axila de portador de necessidade especial para colocar a turma no eixo, no ritmo e em harmonia. Até de aviãozinho fez a gente brincar. Comigo não funcionou direito não, pois eu era um teco-teco tentando conduzir um Boeing  747-300. Fiz o melhor que pude. Teve gente que chiou, que não queria mais decolar. Vi a hora ter um apagão aéreo lá na aula. Mas quem sabe onde quer chegar não abandona o caminho. E o professor seguiu em frente. E não é que, quando eu pensei que ele ia entregar os pontos, o danado anunciou, em regozijo, que finalmente conseguira com que todos dançassem de forma harmoniosa, do jeito que ele estava querendo, desde o início da aula. Será que ele reparou direito mesmo o que eu estava fazendo? ***


Capaz d´eu ir...

04/11/2010 - QUINTA-FEIRA
20h - Círculo Militar do Recife - Irah Caldeira e Dudu do Acordeon
22h - Sala de Reboco - Amazan (participação Josildo Sá e Waldonis)

05/11/2010 - SEXTA-FEIRA
21h - Azulzinho - Trio de Zé Bicudo
21h - Bagacinho - Cristina Amaral e Forró Arretado
21h - Cafundó - Lampião a Gás e Quinteto Chinelo Velho
21h - Casa de Mainha - Irah Caldeira e Forró sem Fronteiras
22h - Sala de Reboco - Qui nem Jiló e convidados


06/11/2010 - SÁBADO
14h - Arriégua - Ivan Ferraz e convidados (Homenagem à cidade de Floresta)
21h - Bagacinho - Forró sem Fronteiras e Forroketu
21h - Cafundó - Qui nem Jiló e Quinteto Chinelo Velho
22h - Casa da Rabeca - Cristina Amaral, Rogério Rangel e Dinda Salu
22h - Sala de Reboco - Galeguinho de Gravatá e Tio do Acordeon

07/11/2010 - DOMINGO
17h - Caboclinho - Jaqueta de Couro
17h - Casa de Mainha - Trio Mói de Aruá, Rogério Rangel (part. de Petrúcio Amorim, Nádia Maia e Cristina Amaral)
17h - Casa de Zé Nabo - Geraldinho Lins
17h - Forró do Arlindo  - Arlindo dos 8 Baixos, Genildo Souza e Trio Macambira
17h - Forró de Pai pra Filho (Vila Rica-Jaboatão dos Guararapes) - Nádia Maia

Fonte: Site Cadê forró

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Palavras de mestre: para as damas...

NUNCA, DE VEZ EM QUANDO e SEMPRE. Essa é a regra:
- Nunca (despencada);
- De vez em quando (Exibida);
- Sempre (Graciosa).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Décima-sexta aula

Será que o professor só vai mudar de ritmo quando eu tiver aprendido o xote? Se for, estamos todos lascado.  Na aula anterior ele anunciou que iria retomar o baião, mas ficou só na promessa. Na de hoje, pensei que ele iria cumprir o prometido, mas tome xote de novo. Xote é bom, mas só xote num tem cristão que aguente. Melhor desenfastiar um pouco.

Acho que realizei um grande feito hoje: consegui passar uns quinze segundos dançando e conversando com a dama sem perder o ritmo. Sinto-me como um peão que se segurou por oito segundos em cima de um touro brabo e sai se sentindo o rei da cocada preta. Falta agora é aprender passar de um movimento para outro de forma harmoniosa e espontanea, sem parar de dançar de uma hora pra outra e deixar a dama com cara de pastel. (Abrirei aqui uma exceção à regra que estabeleci para este blog, que era de não citar nomes de algum colega de turma, sem a prévia autorização, mas tenho que louvar a maneira carinhosa e delicada com que Ana Luíza tentou me ajudar na superação dessa minha deficiência, tão logo percebeu o meu aparreio. Valeu, garotinha!). Espero não estar sendo injusto com as demais que, cada uma do seu jeito, se dispuseram a me fazer entrar no eixo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Capaz d´eu ir...

28/10 (quinta)
21h - Sala de Reboco - Atração: Tributo a Accioly Netto (Cristina Amaral, Roberto Cruz, Ilana Ventura, Andreza Formiga, Beto Hortis, Dudu do Acordeon e André Macambira)
29/10 (sexta):
21h - Casa de Mainha - Atração: Trio Mói de Aruá e Couro de Zabumba
21h - Azulzinho - Atração:
21h - Bagacinho - Atração:
22h - Cafundó - Atração: Forró Falado e Chinelo Velho
22h - Sala de Reboco - Atração: Chico Balla
30/10 (sábado):
12h - Pátio de São Pedro - Atração: Dudu do Acordeon e outros convidados
14h - Arriégua - Atração: Homenagem à cidade de Vicência (Mahathma e convidados)
22h - Sala de Reboco - Atração: João Lacerda
22h - Cafundó - Atração: Irah Caldeira e Chinelo Velho
31/10 (domingo):
16h - Casa de Mainha - Atração: Júnior Torres e Tuca Versátil
16h - O Caboclinho - Atração:
16h - Casa de Zé Nabo - Atração: Novinho da Paraíba
16h - Forró de Arlindo - Atração:

Décima-quinta aula

Após rápido alongamento, o comando: peguem uma dama e dancem esta música.
Aluno obediente que sou, fui logo agarrando a mais próxima e mandei ver. Quer dizer, tentei mandar, porque a minha parceira era novata e eu estava parecendo tão ou mais iniciante que ela. Não foi à toa que, com apenas dez segundos de "jogo", o professor achou por bem desfazer o par e me juntou com outra dama.
Até que melhorou um pouquinho, mas, ou o piso estava muito liso ou o solado do meu sapato estava muito careca. Só sei que eu escorreguei o tempo todo, e a cada escorregada, um desequilíbrio, e, consequentemente, uma saída do ritmo. Inicialmente, a cada travada minha, a parceira perguntava "o que foi, que aconteceu?" Mais adiante, indagou se eu estava tentado fazer alguma coisa diferente e desistia no meio do caminho. Por último, a bichinha, sem conseguir entender o que me desestabilizava, perguntou se era ela que estava causando aqueles meus tropeços. Deu uma pena! Esforcei-me para descartar qualquer responsabilidade dela nos meus movimentos desencontrados, e tentei explicar que eu não entendia também porque tantos desacertos, mas estava suspeitando que algum movimento em falso, executado involuntariamente, estava atrapalhando meu equilíbrio. Parece que ela aceitou meus argumentos. Tomara!
Entre trancos e barrancos a aula seguiu e, a certa altura, minha performance foi tão surpreendente que fez o professor se perder na contagem e errar a ordem dos movimentos que estavam sendo trabalhados. Ele mesmo declarou isso em alto e bom som, ao microfone. Só não deixou muito claro se eu estava sendo surpreendentemente bom ou ruim.
Teve uma hora que todo cavalheiro foi orientado para retonar à dama que lhe fez par no começo da aula, menos eu, que fui proibido de me juntar àquela dos dez segundos, ficando decretado que a segunda parceira com quem eu dancei teria o status de minha primeira dama.
Ao final, o professor foi bem sucedido na sua meta de trabalhar a harmonia, não de cada casal isoladamente, mas da turma inteira. E a técnica parece que veio de encomenda pra mim, pois para chegar ao nível de excelência por ele desejado, tivemos que repetir a mesma sequência infinitas vezes. Tinha gente que já devia estar agoniado, mas eu estava era achando bom. Quem não deve ter gostado muito foi minha dama, que tem as mãos delicadas e, pela massagem que a vi fazer nos dedos, deixou-me com a impressão que eu não os segurei com o devido cuidado, vendendo tê-los apertado com firmeza além da conta. Ela disse que não foi isso, mas que suas unhas compridas haviam arranhado os seus dedinhos. Não me convenceu muito, mas preferi não polemizar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Décima-quarta aula

Hoje eu ri que só. Começando com uma das pareias designada para dançar comigo a coreografia da noite, mas que, por justa razão, não teve a necessária confiança em mim e desabou naquele riso descontrolado, típico de nervosismo e constrangimento. Eu até que tentei que ela botasse fé, porém, confirmando as suspeitas, nem com um "control+alt+del" eu consegui destravar e lembrar o começo da coreografia. Quando, finalmente, isso se deu, ela se desandou em um novo riso e contagiou boa parte do povo do salão. Aí quem deu aquela risada amarela foi eu. Mas depois da gréia geral, eu heroicamente consegui ir até o fim da sequência proposta. Certo que foi em câmara lenta, passo a passo, dentro do meu tempo e fora da música, martelando compassadamente, quase que quadro a quadro, para não correr o risco de esquecer como se faz nos cinco minutos após.
Eu até que descoro as coisas com facilidade. Se bem que tenho a mesma facilidade de esquecer o que achava estar decorado.  Mas, em termos de dança, nem decorar direito eu consigo ainda. Assim, é todo um processo assimilar cada sequência de movimentos.
Agora que já estou íntimo da turma e com o mínimo de cara de pau e cinismo necessários para a harmoniosa conviência entre os diversos, saí da aula com dois temas interessantíssimos para reflexão, frutos de  momentos de diálogo e de cumplicidade estabelecida enquanto dançava com uma das parceiras da noite:
1º - Como eu não estava conseguindo a sintonia básica para dançar com ela, procurei preencher o tempo da música pedindo-lhe que me ensinasse dois movimentos que eu verdadeiramente não estava sabendo executar. Sempre solícita, ela com calma e jeito me ensinou direitinho. Achei por bem agradecer-lhe pela aula, mas ao fazê-lo, fui brindado com esta pérola da sinceridade: - Está bom de eu cobrar, no mínimo, R$ 50,00 por essa aula, porque só quem está ganhando aqui para ensinar é o professor.
2º - Considerando a minha lentidão em absorver uma sequência de movimentos, por mais rudimentar que seja, para poder fazê-la de forma espontânea, tenho que repeti-la um trilhão de vez, e ir trabalhando os detalhes a cada uma das vezes que fizer. Esta técnica não é completamente eficiente, mas aumenta a probabilidade de dar certo. Assim, diferentemente dos outros casais, que procuravam dançar com espontaneidade, inserindo de forma natural as sequências até então ensinadas, eu me concentrei nos movimentos récem trabalhados e tentei exercitá-los exaustivamente com a minha dama. Uma, duas, três. Quando estava reproduzindo pela quarta vez a mesma sequência, minha dama docilmente comentou: - Tu vai ficar fazendo esse passo o tempo todo, é?. Eu respondi: - É porque, para fixar, eu preciso praticar bastante.  Neste momento escutei um conselho sábio e deveras estimulante: - Oxe, tu tem que praticar assim é em casa.
Legal esta sinceridade. Faz-me ver que devo ter abusado da boa vontade da minha dama, que por sinal, é a colega da turma com quem tenho mais intimidade e que goza da minha estima e do povo da minha família que a conheceu.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Capaz d´eu ir...

22/10 - 21h - Cafundó (Caxangá) - Atração: Banda Chinelo Velho
22/10 - 21h - Casa de Mainha (Arruda) - Atração: Paulo César do Acordeon, Flor de Lótus e convidados
22/10 - 21h - Azulzinho (Cid. Universitária): Atração: Zé Bicudo e Paula
22/10 - 22h - Sala de Reboco (Cordeiro) - Atração: Maciel Melo

23/10 - 14h - Arriégua (Cid. Universitária ) - Atração: Banda Kartuxo e participação especial de Cezinha
23/10 - 16h - Batutas de São José (Afogados) - Atração: Ilana Ventura (bingo do bloco "O Bonde")
23/10 - 21h - Cafundó (Caxangá) - Atração: Chinelo Velho e Nádia Maia
23/10 - 21h - Casa da Rabeca (Cidade Tabajara-Olinda): Atração: Petrúcio Amorim, Paulinho Leite e Sintonia Pé de Serra
23/10 - 22h - Sala de Reboco (Cordeiro) - Dudu do Acordeon

24/10 - 16h - Casa de Zé Nabo (Prado) - Atração: Jorge Silva, Charles Matoso, Raminho do Acordeon e Quarteto do Zé
24/10 - 16h - Caboclinhos (Afogados): Atração: Rogério Rangel (participação de Maciel Melo, Petrúcio Amorim e Benil)
24/10 - 16h - Casa de Mainha (Arruda) - Atração: a confirmar
24/10 - 16h - Forró de Arlindo (Dois Unidos) - Atração: Arlindo dos 8 baixos e convidados
24/10 - 19h - Bar Mamulengo (Praça do Arsenal-Recife Antigo) - Atração: Vôte, que é isso!

Décima-terceira aula

Ainda bem que era aula de forró, porque se fosse de bolero e com o sono que eu estava ontem,  eu acho que teria arriado a cabeça no ombro da dama e, assim, apoiadinho, dormiria até roncar. Além dessa inoportuna sonolência, ainda entrei na dança sem o prévio alongamento, que me ajuda a ficar mais solto e a descolar o relé, como bem diz meu amigo Eliseu, o Sultão da Boa Vista. Não deu outra: Fiquei  leso e travado quase a aula toda. Ainda bem que contei logo à dama do meu estado de letargia e de demência além do normal. Como são maravilhosas e compreensivas essas mulheres! Quando eu atropelava o ritmo ao fazer um movimento desconexo, ela, dócil e pacientemente, tranquilizava-me: - Calma, deixe você acordar direito! Diante de tanta generosidade, o jeito era respirar fundo e tentar um novo recomeço.
Nesta aula, por conta deste meu estado físico e mental, também houve uma pane no meu sistema interno de comunicação. Cérebro não comandava direito as pernas, que por sua vez não buscavam se entender com os braços e estes ignoravam que faziam parte de um mesmo corpo. Pior foi na hora do peito com peito, que meu tórax era insistentemente sabotado pelo meu bucho e, ao invés de dar as peitadas que faziam parte da coreografia, eu só conseguia dar umbigada. Por incrível que pareça, até a bunda quis aprontar nesse momento, recuando sem a menor precisão, o que mais atrapalhava que ajudava.
Aproveitando que o caos estava generalizado, deixei a música em segundo plano e procurei a cumplicidade das damas para que eu absorvesse a fisiologia dos movimentos que estavam sendo trabalhados, para, em outro momento, tentar executá-los dentro do ritmo esperado.
A julgar pela preleção do professor, o povo ontem estava muito sisudo, carrancudo ou apático. Sem borogodó. Parecíamos estar mais numa aula de física quântica que de forró. Tem dia que o mar não está mesmo para peixe! Nem as dinâmicas propostas pelo professor fizeram o povo soltar a franga e dançar de forma solta e contagiante. Eu não liguei muito para isso, porque no meu caso, quando, numa festa, essas técnicas de animação não funcionam, é só eu apelar para os recursos do outro professor, o Teachers, que num instante eu me animo e danço até a marcha fúnebre como se fosse frevo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Décima-segunda aula:

Cinco novos iniciantes nesta aula, quatro damas e um cavalheiro. Não consegui enxergar em suas fisionomias a mesma expressão de pânico que devo ter exibido na minha primeira vez. Percebo agora que não prestei muita atenção ao que eles faziam e acredito que os outros veteranos (já estou me sentindo um deles) também não, mas no meu primeiro dia, a impressão que eu tinha era que todos os olhos da sala estavam voltados para mim
Atualmente meu desafio, não é mais me preocupar com os olhos alheios, mas com os pés. Não os dos outros, mas  os meus, para os quais não consigo deixar de olhar enquanto estou dançando. Embora várias damas já tenham dado o toque, eu ainda não me convenci de que sou capaz de dançar melhor sem tê-los sob atenta vigilância. Continuo suspeitando que tais sugestões, na verdade, são mecanismo de autodefesa delas contra alguma inconveniência da situação que eu ainda não consegui identificar.

Sei que um dia hei de me libertar desse mau costume, aí, será a vez de  uma tarefa mais difícil ainda para um tímido como eu: FITAR OS OLHOS DA DAMA.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Palavras de mestre:

... Eu agradeço às trinta ou quarenta mulheres com quem eu dançava por noite. Cada uma delas teve enorme importância no meu aprendizado e ajudou-me a ser o que eu sou hoje na dança ...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fim do segredo (II)

Ainda repercute no seio da família a revelação das minhas aulas de forró. O povo boquiabre-se. Até agora a companheira foi quem menos se mostrou surpresa com a notícia. Para muitos, foi uma atitude impensável, inimaginável, inconcebível para minha pessoa. Não apenas a decisão tomada, mas, principalmente, o fato de ter começado às escondidas e de manter em sigilo por mais de um mês, mesmo editando um blog relatando as experiências de cada aula.

Depois do fato sabido, evidentes ficaram os rastros que, a um olhar mais atento, denunciavam que alguma coisa diferente estava acontecendo. Agora está explicado porque passei a encher o saco do povo com a repentina exclusividade do forró nas músicas que colocava no microsistem, no computador e no som do carro. Dei bobeira até com o som portátil que uso para treinar frevo na sala de ginástica do prédio onde moro, pois se antes era comum ficar nele cd das orquestras de Spok, de Forró ou do Maestro Nunes, de uma hora pra outra passei a deixar cd de Petrúcio Amorim, Josildo Sá e do meu amigo Maciel Melo, que eu colocava para ouvir na hora do alongamento final. Esclarecida ficou também a estranha necessidade de comprar calças de tactel para caminhar no calçadão da praia de Boa Viagem, sob a alegação de que era para aplacar o frio nas pernas provocado pela vento soprado pelo Atlântico.

Como se vê, em termos de trelas clandestinas, todo cuidado é pouco para não dar bandeira e nem dormir de touca.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Conversa de latada: É ciscando que se começa (*)

Menino nascido no interior, mas criado na capital por uma tia zelosa e mergulhado na igreja desde criança, ao chegar aos catorze anos, ele resolveu deixar a religião de lado e caiu no oco do mundo. Nunca mais voltou.
Ovelha desgarrada, na sua primeira saída noturna, foi atraído pelo burburinho de um bar do centro da cidade, sem saber que aquelas luzes piscantes poderiam ser um sinal de que estava  adentrando em um verdadeiro templo do pecado, que acabara de cruzar as portas de um cabaré. Para matar a curiosidade e um desejo reprimido, a primeira coisa que fez foi pedir uma cerveja, mas não passou do primeiro gole. Deu retorno. Ligeiro, apareceu uma "menina" perguntando se podia tomar um copinho. Ele disse:
- Leve, pode tomar tudo.
E haja a aparecer meninas sorrindo pro lado dele, mostrando as lapas de coxas e a polpa da bunda, espremidas por shortinhos acochados, alguns mais parecendo calcinhas. Aquela abundante oferta de carne, feito balcão de açougueiro, as luzes coloridas e o comportamento lascivo daquela gente lhe fizeram suspeitar do ambiente, mas, àquela altura, pagou para ver até onde chegaria, fiando-se na velha filosofia popular que prega: já que está dentro, deixa.
E ele lá, agora só no guaraná, encostado atrás de uma coluna e curtindo um forrozinho vindo da radiola de ficha.  Lembrou do seu tempo de igreja, onde tocava bateria, começou a se envolver com o ritmo,e, nem deu fé que estava mexendo os pés, marcando com eles a cadência. Teria ficado com tais movimentos o resto da noite, viajando na música, pois, dançar não sabia, já que também era umas das muitas coisas que, até então, lhe tinham sido proibidas, mas uma das meninas da casa percebeu sua dança minimalista e gritou toda gaiata:
- Olha o menino ciscando! 
Procurou onde se enfiar e não achou. Saiu de lá tiririca da vida, na semana seguinte matriculou-se em um curso de forró e jurou que nunca mais quenga alguma ia ter motivo para greiar com dele. 
Dito e feito. Hoje é o cão chupando manga na dança. A igreja perdeu um fervoroso fiel, mas o mundo ganhou um pé-de-valsa arretado.
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(*) - Livre adaptação do depoimento de vida do professor de danças Gledson Silva

domingo, 10 de outubro de 2010

Fim do segredo (I)

Local nada discreto para quem estava agindo em segredo. Justo na frente de movimentado restaurante e de uma parada de ônibus, onde passa uma das linhas de coletivo que leva ao meu bairro. Iludia-me deixando o carro alguns metros adiante e olhando atentamente ao derredor, à cata de algum conhecido que pudesse me flagrar adentrando aquela porta, que, duas vezes por semana, leva-me a  inesquecíveis momentos de prazer e de intensa ansiedade.Que me ativa o sangue e faz-me suar. Que me transforma a cada encontro.
E vivi assim esta minha aventura clandestina até esta semana. Cada vez que de lá saía, vinha com o coração na mão e a suspeita de que, a qualquer momento, seria pego em flagrante delito. Com o temor de uma inoportuna descoberta, vinha a carga de adrenalina provocada pelo desafio que era ver até quando  conseguiria fazer aquilo escondido. Como agir para me manter sempre com esses dias livres de outros compromissos? Que nova desculpa irei inventar da próxima vez? E se alguma amiga me ver e for contar para ela? E se eu chegar em casa cheirando a perfume diferente ou com mancha de batom na camisa? Eram interrogações que roubavam-me horas de planejamento e simulações.
Agora já não é mais preciso. Tudo tornou-se público. Antes que despertasse desconfiança, resolvi confessar.  Minha companheira já sabe que estou fazendo aulas de forró na DANÇAR. Além de ficar ciente desta minha estripolia, pode provar das minhas novas habilidades (e sofrer com elas também), e para completar o pacote, foi surpreendida com o convite para a festa Embalos de Sábado à Noite, quando foi apresentada  à academia, aos professores e a alguns e algumas colegas de curso.. E, confirmando minhas suspeitas, corre o risco de torna-se a mais nova aluna do espaço.
Passado o choque da surpresa, rendeu-se ao milagre da técnica, reconhecendo que poucas semanas foram suficientes para extrair de mim um progresso que ela tenta há mais de vinte anos, sem muito sucesso.
E olhe que isso é só o começo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Kit de primeiros socorros...

Aflitos, 06 de outubro de 2010.
Prezado Professor,

Na condição de aluno casado, mas que faz aula desacompanhado da digníssima, tendo eu sido vítima de acidentes  ocorridos durante algumas aulas, que, não fosse minha lábia, poderiam causar transtornos irreparáveis à harmonia conjugal, e a fim de evitar novas situações desesperadoras a mim e a outros cavalheiros que estejam na mesma condição que eu, ou pior, já que é do meu conhecimento que tem gente que faz aula de forma clandestina, sem o conhecimento da mulher, sugiro que  esta academia tenha sempre disponível o seguinte kit de primeiros socorros:
1- REMOVEDOR INSTANTÂNEO DE MARCA DE BATOM, principalmente daquelas que deixam desenhada  uma boquinha sexy na camisa do sujeito, e que, obedecendo à Lei de Murphy, normalmente ocorrem quando a camisa é branca;
2- NEUTRALIZADOR DE PERFUME SUPER ATIVO, desses que ficam impregnados na roupa do cabra e não tem suor que lhe substitua;
3- REPELENTES DE CABELOS FEMININOS, que, despregando-se do couro cabeludo pelo força centrípeta provocada pelos movimentos da cabeça da dama, se agarram feito carrapicho na roupa ou nos braços peludos do cavalheiro, e camuflam-se de tal forma, que só olhos femininos conseguem percebê-los, e que, inevitavelmente, são sempre de dimensões e coloração diferentes dos da companheira que os descobre.

Acreditando que esta solicitação não será de difícil atendimento, e, considerando os benefícios que poderão proporcionar, espero que este pedido seja atendido o mais rápido possível.

Atenciosamente

Forrozeiro aperriado.

Décima-primeira aula

Hoje me empareei com três damas com as quais não tinha formado par ainda. Foi legal a experiência, que não aconteceu por acaso, mas porque, no início da aula, procurei  posicionar-me numa área da sala que usualmente não fico. E ao comando do "pegue sua dama", não foi difícil me juntar a alguém diferente das vezes anteriores. Bom interagir com o novo. É desafio, mas também é prazer.

Hoje só a pau é que o povo conseguiu entrar no ritmo. É que o professor teve que usar umas baquetas para o povo se acertar. E tome xote!

Normalmente eu tenho dificuldade em aprender novos movimentos, mas as vezes eu me supero e, além de travar para o novo, ainda consigo a façanha de me enrolar naquilo que eu acho que já sei. Hoje foi assim. Talvez a preocupação com a hora, por necessitar sair mais cedo da aula, tenha comprometido a minha concentração. Só sei que foi um desmantelo só!
O que me alivia é que tinha muita gente se enrolando também, embora eu não seja dos que se alegram com o infortúnio alheio.

Conversa de latada: Filosofia matuta

Ainda no seu tempo de rapaz, no interior, ele foi a um forró de latada, na zona rural de sua cidade, localizada no sertão paraibano. Ao vê-lo voltar pra casa mais cedo que de costume, seu pai, o barbeiro Josafá, perguntou-lhe:
- E o forró, filho, como foi?
- Ah, pai , respondeu ele, prestou não. Só tinha mulher feia.
O velho, com a força da sabedoria sertaneja, retrucou:
- Mas, meu filho, se só tinha mulher feia ainda foi muito melhor do que se lá só tivesse homem bonito!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Décima aula

O rojão hoje foi quente. O professor não alisou. Já começou a aula com um baião coletivo, mostrando as diversas possibilidades de movimentos das pernas. Para os lados, pra frente, pra trás, chutando, girando, mancando e o escambau a quatro. Se ele tivesse executado na velocidade 3 eu teria fixado ao menos umas duas variações, mas, parece que a velocidade 6 foi suficiente para a maioria pegar o jeito. Então, paciência. Devagar se vai ao longe, já dizia meu avô.

Passada a hora do aquecimento, voltou a ser trabalhado o passo treinado na aula anterior. Esse, como foi exaustivamente repassado na velocidade 2, eu consegui absorvê-lo em torno de setenta por cento.  Além do mais, fui premiado com uma jovem dama, graciosa, paciente e atenta aos meus deslizes, que, com uma meiguice singular, dava-me a dica de como corrigi-los.  Depois de inúmeras tentativas, conseguimos concluir a sequência de movimentos conforme nos foi ensinada. O que deu a murrinha e não saiu de jeito nenhum foi a transição de um passo para outro. O jeito era parar um, se posicionar, respirar fundo, se concentrar e executar o seguinte.

Por um momento  a professora pensou que eu trabalhava na CEASA ou era calunga de caminhão. Porque ela disse que eu estava jogando a dama para o lado como se fosse um saco de batatas. Depois desta observação, tentei ser menos brucutu. Tomara que a minha graciosa dama não tenha ficado com alguma luxação ou hematoma.

A aula hoje foi bem vegetariana. Além do saco de batatas, teve também gente dançando feito uma árvore, só da cintura pra cima. Não fosse o olhar atento do professor, tinha enganado direitinho.

Por fim, percebi o quanto é importante o cavalheiro passar segurança à sua dama. Por isso, amanhã cedo, a primeira coisa que eu vou fazer, é comprar uma maromba e uns halteres, trabalhar bíceps e tríceps, ganhar um muque para assim, não ver o olhar de pânico de uma dama com IMC um pouquinho acima do desejado, temendo que eu não seja capaz de sustentar por alguns segundos o peso do seu corpo sobre o meu, como aconteceu na aula de hoje. Ainda bem que minha demência deu uma trégua , deixando-me traduzir aquele riso como sinal de nervosismo, entender a causa do desconforto e não perder o embalo da dança fazendo apenas o caô de que a estava puxando para cima de mim. Quem manda ser um buchudo franzino e só fazer levantamento de copo!

Conversa de latada: Forró de pé quebrado

Falou meu amigo Wilson, passista dos bons: - Poeta, dançar forró é como fazer cordel. Não tem diferença.
E mais não disse porque estávamos no Samba no Morro e, nesse momento, subiu ao palco Jorge Ribas, provocando o maior alvoroço e aumentando o burburinho à nossa volta, impossibilitando, assim, uma conversa mais amena e sem concorrência.
Mas a afirmação dele ficou percutindo no meu juízo, feito o toque do bacalhau embaixo da zabumba.E estou começando a concordar com ele. Se não, vejamos: assim como a dança se alicerça no ritmo da música, a poesia se ampara na sonoridade das palavras e na cadência dos versos. E a poesia de cordel, tão nordestina quanto o forró, não foge a essa regra. Pelo contrário, o cordel tem na métrica e na rima a sua razão de ser.A rima, tendo o momento e o lugar certo de ser colocada no verso pelo poeta, é como a dama no forró, que o cavalheiro tem que ter pleno domínio e tem que fazê-la ir aonde ele quer, sem parecer forçada, mas de forma natural e graciosa. E é a métrica, representada pelo tamanho dos versos e pelas sílabas neles presentes, que dá o ritmo aos versos, como o compasso dá à música, imprimindo a cadência rítmica à poesia. E, quem já está com o ouvido acostumado com os versos do cordel, de imediato, percebe se o poeta escorrega na métrica, porque, quando isso acontece, quebra-se o ritmo do poema..Neste caso, costuma-se dizer que o cordel tem (verso de) pé quebrado.
Levando em consideração as sempre sábias palavras do meu amigo Wilson, acho que ainda estou a meio caminho de saber o que fazer com a rima do forró (a dama) e nem ainda dominei a métrica da dança. Mesmo assim, vou dançando meu forró de pé quebrado, confiante que o tempo há de me conceder a graça de dançar um forró metrificado.

Conversa de latada: Arriégua, sô!

O fato dele não dançar não o impedia de ir aos forrós da cidade, para curtir o ambiente, a música e a farra com gente amiga. Nessa tarde, no Arriégua, não foi diferente. Um forró bom da gota, gente bonita, alegre e festeira. Lá estava ele à mesa, tomando rum com coca e conversando com Aninha, sua grande amiga, quando Polyanna, uma prima dela, mulher bonita e dotada de outros agradáveis atributos, chega, toda queixosa, e diz para os dois:
- Eu devo está muito derrubada mesmo. O forró já está acabando e até agora nenhum homem me chamou pra dançar. Como é que pode!
Mesmo consciente que um simples gesto seu haveria de ajudar na recuperação da autoestima daquela forrozeira insatisfeita, ele só foi capaz de cochichar ao ouvido de sua amiga:
- Eu estou com dó da tua prima, porque, se depender de mim, ela vai continuar sem dançar..

Capaz d´éu ir

08/10/2010 - 22h - Trio Juriti de novo na Casa de Mainha (Arruda-Recife)
08/10/2010 - 21h - Dudu do Acordeon no Bagacinho (Av. Marcos Freire - Olinda)
09/10/2010 - 22h - Trio Juriti na Sala de Reboco (Cordeiro-Recife)
10/10/2010 - 17h - Josildo Sá na Casa de Zé Nabo (Prado-Recife)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Conversa de latada: Do não e do sim; do sim e do não

- Rapaz, olha aquela morena ali, tá te dando mole, doidinha pra dançar. Vai lá e chama ela pro salão.
- Eu, não.
- Por que, tem medo de receber um não, é?
- De jeito nenhum. Eu tenho medo é de um Sim.

Palavras de mestre:

"Mulher exibida, não fica esquecida; Mulher acanhada, só fica sentada".

Nona aula

A primeira parte da aula de hoje até que foi satisfatória, mas a metade derradeira foi uma tragicomédia. Lá estava eu todo ancho, sentindo-me o maior dançador de xote desta nação nordestina, quando o professor, de uma hora pra outra, inventa de mudar para um novo ritmo, que, segundo me informaram, era baião. Mas não era um baião qualquer não, daqueles baiões cantados pelo Velho Lua ou pelo mestre Dominguinhos. Era desses baiões modernos, dessas bandas contaminadas com outros vícios musicais. Acho que poderia ser chamado de um "baião envenenado". Tenho fé que a mudança tão brusca não foi por pura maldade. Certamente teve alguma intenção pedagógica que eu não consegui captar.
O movimento que o professor ensinou até que não deu tanto trabalho assim para assimilar, até porque a minha dama a toda hora dava dicas preciosas e procurou corrigir todas as minhas imperfeições (se ela não conseguiu êxito total, a culpa foi minha e não dela). Mas nem eu, que sou aprendiz, tive saco para repeti-lo incansavelmente durante toda a música, quanto mais minha parceira. Então, fiquei naquela ânsia de mudar para algo menos atlético e performático, mas quem disse que consegui intuir o ritmo? Pense numa briga de foice!
Na troca de parceira, a coisa piorou, porque nem o performático eu conseguia fazer mais. Ai que saudade do meu xote! E eu que sempre disse que xote era o pior estilo de forró pra dançar. A coleguinha até que tentou e foi generosa na sua tolerância. Na nova troca, até que o negócio melhorou. Se bem que o ritmo era mais lento e parece que consegui um "embromation" mínimo que desse pra tapear. A sintonia com a dama também foi fundamental para que o desfecho da noite não fosse tão catastrófico quando eu cheguei a imaginar em determinando momento.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Capaz d´eu ir...

29/09 - 19 horas - Cristina Amaral, no Passadisco (Shopping Sítio da Trindade-Estrada do Encanamento)

01/10 - 22 horas - Trio Nordestino no Cafundó (Caxangá)

02/10 - 14 horas - TV Forró Brasil - Restaurante Arriégua (Av. Gal. Polidoro - Cid. Universitária)

02/10 - 22 horas - Forró com Quarteto Olinda - Xinxim da Baiana  (Praça do Carmo - Olinda)

Palavras de mestre:

"Recado aos homens: No caso de ser a primeira vez com aquela amiga ou com uma mulher que você não teve experiência anterior, comece usando as duas mãos. Se ele mostrar sintonia e chegar onde você quer que ela chegue, aí você pode se permitir soltar uma das mãos, ou até as duas. Caso contrário, fique com as duas até ela se acostumar e obedecer ao comando. Aí, pra onde você mandar ela vai direitinho. Mulher é assim, depois que você bota no costume, ela faz tudo que você quer. Mas cuidado, porque pode chegar um momento que ela sinta que você está sobrando, que não precisa mais do homem e mande você embora" (Alertando sobre os cuidados quando for dançar fazendo os movimentos com giros e enlaces).

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Oitava aula

No som do carro agora é só xote. Tudo indica que hoje consegui achar o ritmo em menos tempo que das vezes anteriores. Suspeito também que consegui passar alguns segundos a mais sem perdê-lo. Parece que o negócio é controlar a ansiedade e, por enquanto, se contentar com o trivial, sem querer planejar o movimento seguinte. Pois, toda vez que penso no que vou fazer erro no que estou fazendo. Mas, deixa estar!
Hoje eu estava com a corda toda. Deixei de girar em volta do próprio eixo e ousei dar umas voltas salão afora. Certo que andei dando umas trombadas em alguns casais, tropecei em outro, pisei no pé da dama e quase desloco o ombro da outra. Mas tudo bem. Todos sobrevivemos e atropelos fazem parte do processo. Algumas das vítimas, apesar de tudo, ainda me presentearam com doces palavras de estímulo, a exemplo de quando o professor, a certo momento, perguntou como a turma tinha se saido, eu respondi "mais ou menos", ao que a minha dama repreendeu meu excesso de autocrítica e me disse: - Seja confiante, rapaz!
Como são maravilhosas essas mulheres do curso. Uma outra, que levou levou a pisada, só faltou pedir desculpas por ter colocado seu pé debaixo do meu. Exemplos de cortesia como este tem sido também uma grande aprendizagem.

Palavras do mestre:

"Forró é rosto com rosto, peito com peito, bucho com bucho, coxa com coxa... " (Acréscimo do amigo Elói: "e mijador com mijador")

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Não custa nada... A bênção, São Vito!


 São Vito. Mártir siciliano do segundo século, é invocado durante uma doença nervosa chamada dança de São Vito. Sua vida foi bem aventureira, sofrendo perseguições por conta de sua fé. Em Roma, foi condenado a ser jogado às feras no Coliseu. É o santo protetor dos dançarinos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Capaz d´eu ir...

24/09/2010 - 22h -  Casa de Mainha -  Trio Juriti
25/09/2010 - 14h - Arriégua (Cristina Amaral, César Amaral, Mestre Camarão, Djalma Siqueira, Banda Kartuxo)
26/09/2010 - 17h - Casa de Zé Nabo - Trio Juriti

Palavras do mestre:

"Gente, a perna esquerda é a que fica do lado esquerdo, viu?"

Sétima aula

A noite começou com uma conversa amena na recepção da academia, enquanto a aula tivesse início. Foi bom descobrir que não fui o único a sofrer de ansiedade e insegurança nas primeiras aulas. Não sei se ele também suou frio de pavor ou se esteve prestes a dar “ré pra trás” como eu, mas ai já é querer demais!

Suspeito que alguma mudança começa a acontecer. Parece que, de vez em quando, já consigo perceber que estou fora do ritmo. Só não sei ainda se nos outros momentos eu entro do ritmo ou deixo de sentir que continuo fora do compasso. Mas, olhando pelo lado bom, esses lapsos de percepção já podem ser um indicativo de que uma relação amistosa e harmoniosa entre mim e o ritmo pode acontecer um dia.

Não sabia que esse negócio de dança era tão paradoxal assim. Para mim, sempre foi óbvio que a dança depende da música, mas ainda continuo sem entender porque é que, quando a música entra na história, a porca torce o rabo. Fico tentado a pensar que é porque o ouvido fica distante dos pés, mas, se fosse por isso, a dificuldade seria geral. O que não é o caso. Talvez Einstein ou Freud explique!

Busco explicação para a incômoda tensão muscular no começo desta aula. Na música primeira, parecia que as extremidades do fêmur estavam com esporões fustigando intermitentemente os músculos das coxas.  Era quase câimbra. Vote! Ainda bem que passou.

Palavras do mestre:


“Dançarino tem que ter pegada, tem que ter borogodó.”

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sexta aula

Tal qual no filme “Como se fosse a primeira vez!, para mim, cada aula continua sendo um tragicômico recomeço. Não vou dizer que volto ao zero, pois, como disse Chico Science, “um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar”. Mas tem hora que dá a impressão que, ao descer aquela escada, deixo ficar lá em cima o que me teria sido ensinado minutos antes. E sempre que subo aqueles degraus levo a sensação de estar me dirigindo a um mundo desafiadoramente desconhecido. Hoje, não foi diferente. Após o alongamento do início, o professor jogou, a título de aquecimento, um forró pesado e mandou a gente se virar. A metade desta interminável música eu passei tentando achar o ritmo e acertar o passo com a minha dama da vez, que, generosamente, quis assumir a responsabilidade dos nossos desacertos, dizendo que se atrapalhava porque ainda estava impregnada do ritmo da aula anteior (ela faz dança de salão no primeiro horário). A outra metade, foi tentando convencê-la da minha parte da culpa pelos atropelos dos pés e tentando lembrar de algo que fosse além do básico “dois pra lá, dois pra cá”, o que só veio acontecer muito tempo depois, quando, milagrosamente, consegui executar o movimento com giro, ensinado na aula passada. Certo que eu parecia um TRANSFORMER dançando, mas a tolerância da pareia e o incentivo do professor fizeram-me ignorar o meu desmantelo e continuar acreditando que nada melhor que um dia atrás do outro e uma noite de forró entre eles.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quinta aula

Fiquei logo junto da pareia iniciante da aula passada. Zona de conforto. Mas o desinfeliz do professor não deixou a dupla junta por muito tempo. Tratou logo de fazer outras combinações. Fez muito bem, porque ele inventou de complicar o que já não era fácil. Foi um tal de gira e enlaça que via a hora dá um nó nos braços. Mas, aos trancos e barrancos consegi efetuar os movimentos ensinados.
Porém não ficou só nisso. O que estava complicado passou a ficar complexo ainda, quando o professor, mandou que os giros e laços fossem intercalados a duplos movimentos laterais, e, ainda por cima, com a troca de dama a cada sequência, que durava em torno de dez segundos.
Prestou não: Com a primeira dama, até que saiu razoável; com a segunda, ao tirar, o braço bateu nos óculos, e gastei os segundos restantes, tentando segurá-los e levá-lo novamente ao rosto; com a terceira, foi a vez do relógio enganchar no cabelo dela e repetiu-se o gasto de tempo; com a quarta, entrei com o movimento errado e num teve jeito de entrar no eixo; com a quinta, já cheguei com a crise de riso iniciada com a dama anterior e não conseguir fazer nada. Ainda tinha mais uma quatro ou cinco damas pela frente, porém, a essas alturas, eu nem lembrava mais como era a sequência, e, subitamente, veio-me a vontade de chegar mais cedo ao encontro previsto para depois da aula. Assim, avisei à professora assistente a minha saída antecipada e procurei escapar de fininho, mas o professor, atento que só, fez questão de mostrar que estava me vendo sair. Tomara que ele não tenha pensado que eu estava fugindo. Longe de mim uma atitude destas.