quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Nona aula

A primeira parte da aula de hoje até que foi satisfatória, mas a metade derradeira foi uma tragicomédia. Lá estava eu todo ancho, sentindo-me o maior dançador de xote desta nação nordestina, quando o professor, de uma hora pra outra, inventa de mudar para um novo ritmo, que, segundo me informaram, era baião. Mas não era um baião qualquer não, daqueles baiões cantados pelo Velho Lua ou pelo mestre Dominguinhos. Era desses baiões modernos, dessas bandas contaminadas com outros vícios musicais. Acho que poderia ser chamado de um "baião envenenado". Tenho fé que a mudança tão brusca não foi por pura maldade. Certamente teve alguma intenção pedagógica que eu não consegui captar.
O movimento que o professor ensinou até que não deu tanto trabalho assim para assimilar, até porque a minha dama a toda hora dava dicas preciosas e procurou corrigir todas as minhas imperfeições (se ela não conseguiu êxito total, a culpa foi minha e não dela). Mas nem eu, que sou aprendiz, tive saco para repeti-lo incansavelmente durante toda a música, quanto mais minha parceira. Então, fiquei naquela ânsia de mudar para algo menos atlético e performático, mas quem disse que consegui intuir o ritmo? Pense numa briga de foice!
Na troca de parceira, a coisa piorou, porque nem o performático eu conseguia fazer mais. Ai que saudade do meu xote! E eu que sempre disse que xote era o pior estilo de forró pra dançar. A coleguinha até que tentou e foi generosa na sua tolerância. Na nova troca, até que o negócio melhorou. Se bem que o ritmo era mais lento e parece que consegui um "embromation" mínimo que desse pra tapear. A sintonia com a dama também foi fundamental para que o desfecho da noite não fosse tão catastrófico quando eu cheguei a imaginar em determinando momento.

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