segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Forró com Zé Bicudo

Sábado passado, fui ao baile que é realizado mensalmente pela academia. Desta vez, fiz de tudo para não faltar, até porque o foco ia ser forró e a animação estaria a cargo do grande  Zé Bicudo, um dos mais talentosos sanfoneiros da atualidade, cuja versatilidade foi  tão bem retratada pelo inspirado Xico Bizerra, na sua magistral composição Fole Bicudo, que pode ser ouvida abaixo,  numa antológica gravação de Petrúcio Amorim e cuja letra diz:

"Se pedir xote ele toca xote
se for baião ele toca baião
arrasta-pé, coco e xaxado
eita, cabra danado, toca fogo no salão
toca valsa, toca choro, toca samba
esse cabra é o bamba e toca de tudo
e se quiser ouvir aquele forró bom
é só dizer: - puxa o fole, zé bicudo

caruaru te deu ao mundo
e o mundo todo tu vais alegrar
tu fica aí malinando os dedos
e os pés da gente ficam doidos pra dançar
e toca rindo, toca brincando
nesse balé bonito do sertão
puxa o fole, zé bicudo
que eu ‘tô doidim’ pra alegrar meu coração"




Além do sanfoneiro de primeira, o forró ainda teve um casal convidado que deu um show à parte, dançarinos profissionais, detentores de vários prêmios no Brasil inteiro e que estão participando do concurso "Se ela dança, eu danço", promovido pela emissora SBT. Misturando forró, samba, choro e gafieira, fizeram uma virtuosa apresentação, numa performance única que encantou a todos.

Eu também tive meu momento de glória. Tendo passado a maior parte do tempo usando meu vasto repertório de apenas três passos e entrar em cena exclusivamente no xote, teve um momento, já no finalzinho da festa, que o "caboco dançador" baixou em mim e eu fiz umas estripolias que causou espanto no povo presente. Mesmo concentrado na minha performance e quase em estado de transe, não foi possível ficar alheio às expressões de surpresa,  aos aplausos e assobios. Concluída a performance, vieram os apertos de mãos, tapas nas costas e declarações inflamadas. Estando estabelecido numa mesa próximo à saída, e para lá voltando para recuperar o fôlego após a inesperada performance, ainda pude receber mais alguns cumprimentos dos que iam embora e faziam questão de parabenizar-me pelo "show", como alguns classificaram a minha curta e modesta intervenção.

Elogios vieram até de Zé Bicudo, o maior responsável por aquele meu amostramento. Afinal, até aquela hora eu ia levando a noite na maciota, com meu xotear simplório, sem firulas. Mas, ele tinha nada de inventar de terminar a apresentação tocando frevo! Ao ouvir os primeiros acordes e sentir a marcação binária da zabumba, girei o botão da pernambucanidade no grau máximo e, caolho em terra de cego, passista no meio de forrozeiros, deixei de lado o acanhamento e desembestei na dobradiça, tramela, ferrolho, trocadilho, bico-de-papagaio, saci, parafuso, tesoura, gaveta, saci e o escambau a quatro. Só não dei mais pinote porque o chão estava liso e temi escorregar, contentando-me apenas em fazer um grilo, aqui e acolá, e a certa altura, e só desejando parar quando senti que estava prestes a ficar com um palmo de língua de fora. Mas os acordes finais vieram antes que isso acontecesse.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pedaços de inspiração (01)


"... O tempo é quente, o dragão é voraz..." (Pedras que cantam, de Dominguinhos e Fausto Nilo)

sábado, 20 de agosto de 2011

Ronco do fole (01): Mestre Dominguinhos

Inauguro esta seção, prestando uma homenagem ao nosso querido Dominguinhos que, conforme acabo de ler na internet, não participará do show de aniversário do Parque do Ibirapuera (São Paulo-SP), por estar hospitalizado desde a última quinta-feira, para realizar sessões de quimioterapia. (ler mais...)

Toda a nação forrozeira neste momento está torcendo para que ele se recupere e continue nos alegrando com seu talento e candura. O Brasil inteiro estaria também nessa corrente se a mídia sulista não tivesse olhos apenas para o Gianecchini.

Ouçamos, então,  Abri a porta, uma parceria dele com outra fera, Gilberto Gil, extraída do cd Nas Costas do Brasil (1998).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Todo ancho!


Mês que vem faz um ano que tiveram início minhas aulas de forró e parece que os resultados já começam a se mostrar. Mais aos outros do que para mim.

Dizem ser o pior cego aquele que não quer ver, mas, estar sendo um “rei caolho” já é muito gratificante e dá a certeza de que é possível, sim, tirar leite de pedra.

Se, às vezes, bate um desengano porque atropelo o ritmo, tropeço nos pés da dama, dou um nó nas pernas e braços ou não lembro de jeito nenhum de passos já exaustivamente trabalhados, é também verdade que isso já não acontece com a mesma frequência e nem tão explicitamente quanto nos primeiros meses.

Você melhorou muito!”, “Veja como ele está dançando agora!”, “Você está um danadinho no forró, viu!”, “Esse Honório está um dançarino arretado!”, “Eita, forró da gota!” foram algumas expressões de espanto e incentivo que passei a ouvir de uns dias para cá, mesmo que ainda não fique à vontade para dançar fora do ambiente de sala de aula, e continue manobrando a dama como se ela fosse um saco de batatas, mais empurrando e puxando que conduzindo e levando, como uma delas me segredou certo dia e tive a certeza quando, ao dançar com uma dama e ouvir os estalos das suas juntas, perguntei-lhe se meus comandos estavam muito vigorosos e ela respondeu que sim.

Mas, elogio maior ouvi ontem, após a aula, quando, já do lado de fora, uma aluna novinha, e novata, que havia, como as demais damas, dançado com cada um dos cavalheiros presentes, em conversa com seus pais, deu a entender que eu tinha sido o aluno mais desenrolado da turma, só sendo superado pelo professor, que quase a partiu ao meio e a deixava tonta de tanto giro.

Confesso que fiquei todo ancho em ter sido, na opinião daquela jovem, o melhor entre os alunos naquela noite, principalmente porque ela, mesmo iniciante, já dança que só a gota e pega os movimentos num piscar de olhos. Nem soube o que dizer nessa hora, apenas agradeci e, disse-lhe, com outras palavras, que ela não esperasse sair muito coelho desta mata.