quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Todo ancho!


Mês que vem faz um ano que tiveram início minhas aulas de forró e parece que os resultados já começam a se mostrar. Mais aos outros do que para mim.

Dizem ser o pior cego aquele que não quer ver, mas, estar sendo um “rei caolho” já é muito gratificante e dá a certeza de que é possível, sim, tirar leite de pedra.

Se, às vezes, bate um desengano porque atropelo o ritmo, tropeço nos pés da dama, dou um nó nas pernas e braços ou não lembro de jeito nenhum de passos já exaustivamente trabalhados, é também verdade que isso já não acontece com a mesma frequência e nem tão explicitamente quanto nos primeiros meses.

Você melhorou muito!”, “Veja como ele está dançando agora!”, “Você está um danadinho no forró, viu!”, “Esse Honório está um dançarino arretado!”, “Eita, forró da gota!” foram algumas expressões de espanto e incentivo que passei a ouvir de uns dias para cá, mesmo que ainda não fique à vontade para dançar fora do ambiente de sala de aula, e continue manobrando a dama como se ela fosse um saco de batatas, mais empurrando e puxando que conduzindo e levando, como uma delas me segredou certo dia e tive a certeza quando, ao dançar com uma dama e ouvir os estalos das suas juntas, perguntei-lhe se meus comandos estavam muito vigorosos e ela respondeu que sim.

Mas, elogio maior ouvi ontem, após a aula, quando, já do lado de fora, uma aluna novinha, e novata, que havia, como as demais damas, dançado com cada um dos cavalheiros presentes, em conversa com seus pais, deu a entender que eu tinha sido o aluno mais desenrolado da turma, só sendo superado pelo professor, que quase a partiu ao meio e a deixava tonta de tanto giro.

Confesso que fiquei todo ancho em ter sido, na opinião daquela jovem, o melhor entre os alunos naquela noite, principalmente porque ela, mesmo iniciante, já dança que só a gota e pega os movimentos num piscar de olhos. Nem soube o que dizer nessa hora, apenas agradeci e, disse-lhe, com outras palavras, que ela não esperasse sair muito coelho desta mata.

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