Hoje eu ri que só. Começando com uma das pareias designada para dançar comigo a coreografia da noite, mas que, por justa razão, não teve a necessária confiança em mim e desabou naquele riso descontrolado, típico de nervosismo e constrangimento. Eu até que tentei que ela botasse fé, porém, confirmando as suspeitas, nem com um "control+alt+del" eu consegui destravar e lembrar o começo da coreografia. Quando, finalmente, isso se deu, ela se desandou em um novo riso e contagiou boa parte do povo do salão. Aí quem deu aquela risada amarela foi eu. Mas depois da gréia geral, eu heroicamente consegui ir até o fim da sequência proposta. Certo que foi em câmara lenta, passo a passo, dentro do meu tempo e fora da música, martelando compassadamente, quase que quadro a quadro, para não correr o risco de esquecer como se faz nos cinco minutos após.
Eu até que descoro as coisas com facilidade. Se bem que tenho a mesma facilidade de esquecer o que achava estar decorado. Mas, em termos de dança, nem decorar direito eu consigo ainda. Assim, é todo um processo assimilar cada sequência de movimentos.
Agora que já estou íntimo da turma e com o mínimo de cara de pau e cinismo necessários para a harmoniosa conviência entre os diversos, saí da aula com dois temas interessantíssimos para reflexão, frutos de momentos de diálogo e de cumplicidade estabelecida enquanto dançava com uma das parceiras da noite:
1º - Como eu não estava conseguindo a sintonia básica para dançar com ela, procurei preencher o tempo da música pedindo-lhe que me ensinasse dois movimentos que eu verdadeiramente não estava sabendo executar. Sempre solícita, ela com calma e jeito me ensinou direitinho. Achei por bem agradecer-lhe pela aula, mas ao fazê-lo, fui brindado com esta pérola da sinceridade: - Está bom de eu cobrar, no mínimo, R$ 50,00 por essa aula, porque só quem está ganhando aqui para ensinar é o professor.
2º - Considerando a minha lentidão em absorver uma sequência de movimentos, por mais rudimentar que seja, para poder fazê-la de forma espontânea, tenho que repeti-la um trilhão de vez, e ir trabalhando os detalhes a cada uma das vezes que fizer. Esta técnica não é completamente eficiente, mas aumenta a probabilidade de dar certo. Assim, diferentemente dos outros casais, que procuravam dançar com espontaneidade, inserindo de forma natural as sequências até então ensinadas, eu me concentrei nos movimentos récem trabalhados e tentei exercitá-los exaustivamente com a minha dama. Uma, duas, três. Quando estava reproduzindo pela quarta vez a mesma sequência, minha dama docilmente comentou: - Tu vai ficar fazendo esse passo o tempo todo, é?. Eu respondi: - É porque, para fixar, eu preciso praticar bastante. Neste momento escutei um conselho sábio e deveras estimulante: - Oxe, tu tem que praticar assim é em casa.
Legal esta sinceridade. Faz-me ver que devo ter abusado da boa vontade da minha dama, que por sinal, é a colega da turma com quem tenho mais intimidade e que goza da minha estima e do povo da minha família que a conheceu.
Um comentário:
kkkkkkkkkkkkk...
ela fechou com sua cara.
Tadinho, mudeu!
rsrs
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