terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fim do segredo (II)

Ainda repercute no seio da família a revelação das minhas aulas de forró. O povo boquiabre-se. Até agora a companheira foi quem menos se mostrou surpresa com a notícia. Para muitos, foi uma atitude impensável, inimaginável, inconcebível para minha pessoa. Não apenas a decisão tomada, mas, principalmente, o fato de ter começado às escondidas e de manter em sigilo por mais de um mês, mesmo editando um blog relatando as experiências de cada aula.

Depois do fato sabido, evidentes ficaram os rastros que, a um olhar mais atento, denunciavam que alguma coisa diferente estava acontecendo. Agora está explicado porque passei a encher o saco do povo com a repentina exclusividade do forró nas músicas que colocava no microsistem, no computador e no som do carro. Dei bobeira até com o som portátil que uso para treinar frevo na sala de ginástica do prédio onde moro, pois se antes era comum ficar nele cd das orquestras de Spok, de Forró ou do Maestro Nunes, de uma hora pra outra passei a deixar cd de Petrúcio Amorim, Josildo Sá e do meu amigo Maciel Melo, que eu colocava para ouvir na hora do alongamento final. Esclarecida ficou também a estranha necessidade de comprar calças de tactel para caminhar no calçadão da praia de Boa Viagem, sob a alegação de que era para aplacar o frio nas pernas provocado pela vento soprado pelo Atlântico.

Como se vê, em termos de trelas clandestinas, todo cuidado é pouco para não dar bandeira e nem dormir de touca.

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