Após rápido alongamento, o comando: peguem uma dama e dancem esta música.
Aluno obediente que sou, fui logo agarrando a mais próxima e mandei ver. Quer dizer, tentei mandar, porque a minha parceira era novata e eu estava parecendo tão ou mais iniciante que ela. Não foi à toa que, com apenas dez segundos de "jogo", o professor achou por bem desfazer o par e me juntou com outra dama.
Até que melhorou um pouquinho, mas, ou o piso estava muito liso ou o solado do meu sapato estava muito careca. Só sei que eu escorreguei o tempo todo, e a cada escorregada, um desequilíbrio, e, consequentemente, uma saída do ritmo. Inicialmente, a cada travada minha, a parceira perguntava "o que foi, que aconteceu?" Mais adiante, indagou se eu estava tentado fazer alguma coisa diferente e desistia no meio do caminho. Por último, a bichinha, sem conseguir entender o que me desestabilizava, perguntou se era ela que estava causando aqueles meus tropeços. Deu uma pena! Esforcei-me para descartar qualquer responsabilidade dela nos meus movimentos desencontrados, e tentei explicar que eu não entendia também porque tantos desacertos, mas estava suspeitando que algum movimento em falso, executado involuntariamente, estava atrapalhando meu equilíbrio. Parece que ela aceitou meus argumentos. Tomara!
Entre trancos e barrancos a aula seguiu e, a certa altura, minha performance foi tão surpreendente que fez o professor se perder na contagem e errar a ordem dos movimentos que estavam sendo trabalhados. Ele mesmo declarou isso em alto e bom som, ao microfone. Só não deixou muito claro se eu estava sendo surpreendentemente bom ou ruim.
Teve uma hora que todo cavalheiro foi orientado para retonar à dama que lhe fez par no começo da aula, menos eu, que fui proibido de me juntar àquela dos dez segundos, ficando decretado que a segunda parceira com quem eu dancei teria o status de minha primeira dama.
Ao final, o professor foi bem sucedido na sua meta de trabalhar a harmonia, não de cada casal isoladamente, mas da turma inteira. E a técnica parece que veio de encomenda pra mim, pois para chegar ao nível de excelência por ele desejado, tivemos que repetir a mesma sequência infinitas vezes. Tinha gente que já devia estar agoniado, mas eu estava era achando bom. Quem não deve ter gostado muito foi minha dama, que tem as mãos delicadas e, pela massagem que a vi fazer nos dedos, deixou-me com a impressão que eu não os segurei com o devido cuidado, vendendo tê-los apertado com firmeza além da conta. Ela disse que não foi isso, mas que suas unhas compridas haviam arranhado os seus dedinhos. Não me convenceu muito, mas preferi não polemizar.
Um comentário:
ahuhuahuahuhuhuahuahuahuhuahuahua
vc escreve super bem, e é muito engrançado! tenho q ir mimbora e nao consigo parar de ler! XD
=******
Postar um comentário