Local nada discreto para quem estava agindo em segredo. Justo na frente de movimentado restaurante e de uma parada de ônibus, onde passa uma das linhas de coletivo que leva ao meu bairro. Iludia-me deixando o carro alguns metros adiante e olhando atentamente ao derredor, à cata de algum conhecido que pudesse me flagrar adentrando aquela porta, que, duas vezes por semana, leva-me a inesquecíveis momentos de prazer e de intensa ansiedade.Que me ativa o sangue e faz-me suar. Que me transforma a cada encontro.
E vivi assim esta minha aventura clandestina até esta semana. Cada vez que de lá saía, vinha com o coração na mão e a suspeita de que, a qualquer momento, seria pego em flagrante delito. Com o temor de uma inoportuna descoberta, vinha a carga de adrenalina provocada pelo desafio que era ver até quando conseguiria fazer aquilo escondido. Como agir para me manter sempre com esses dias livres de outros compromissos? Que nova desculpa irei inventar da próxima vez? E se alguma amiga me ver e for contar para ela? E se eu chegar em casa cheirando a perfume diferente ou com mancha de batom na camisa? Eram interrogações que roubavam-me horas de planejamento e simulações.
Agora já não é mais preciso. Tudo tornou-se público. Antes que despertasse desconfiança, resolvi confessar. Minha companheira já sabe que estou fazendo aulas de forró na DANÇAR. Além de ficar ciente desta minha estripolia, pode provar das minhas novas habilidades (e sofrer com elas também), e para completar o pacote, foi surpreendida com o convite para a festa Embalos de Sábado à Noite, quando foi apresentada à academia, aos professores e a alguns e algumas colegas de curso.. E, confirmando minhas suspeitas, corre o risco de torna-se a mais nova aluna do espaço.
Passado o choque da surpresa, rendeu-se ao milagre da técnica, reconhecendo que poucas semanas foram suficientes para extrair de mim um progresso que ela tenta há mais de vinte anos, sem muito sucesso.
E olhe que isso é só o começo.
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