Hoje tinha mais cavalheiro que dama. Na hora de pegar uma, dormi no ponto e quando vi, tinha sobrado.
Então, se deu algo que eu esperava acontecer no primeiro dia de aula e que me deixou frustrado por não ter se realizado naquele momento: quem fez par comigo foi a professora. Mas o que, a princípio, seria uma maravilha, tornou-se uma bomba chiando.
No começo, ela vendo que eu não consegui dar a partida, deu o arranque e acabou com minha inércia, e se foi deixando que eu a conduzisse a meu belprazer. Disso eu não tive do que me queixar, ao contrário, já estava achando era bom. Aí deu-se o revestrés. Porque já tinha passado mais da metade da música e esse "meu belprazer" se resumia ao "dois pra lá, dois pra cá", no mesmo canto, girando em volta do próprio eixo feito pião ou carrapeta, o que a levou a misturar os papéis de dama e professora e verbalizar, sem papa na língua, o que uma dama não costuma dizer, embora fique pensando e até demonstre muitas vezes: - E aí, menino, vai ficar o tempo todo só nisso, é? Faz uma coisa diferente, homem!
Aí o cancou piou. Tive que apelar para a única carta que guardo na manga: uma sequência de giros que sempre me salva nestas horas, provando que eu não sou um Coisinha de Jesus, um dançarino de um único passo. Já tenho dois no meu repertório. Com eles já insinuo que estou em processo de adestramento, para, em breve, passar para o estágio do amostramento.
Finalmente saimos do xote. Chegou a vez do baião. O passo inicial até que não foi muito diferente do que eu costumo fazer quanto estou com umas no quengo e fico facinho, sem oferecer muita resistência a um insistente convite para dançar vindo de alguém que já tenha intimidade suficiente para fazer tal pressão e não se incomode em tentar tirar leite de peito de homem. Mas já estou vendo que a porca vai torcer o rabo na hora que tiver que mudar de passo ou então fazer a junção com outros movimentos. Nessa hora o bicho pega.
Esse negócio de enfiar a perna no meio das pernas da pareia é mesmo interessante. Se bem que eu consigo ser criativo o suficiente para, com frequência, errar o caminho entre a brecha e, foi não foi, acertar o joelho da dama. Pense num cabra desmantelado! Não é à toa que estou com artrose na patela.
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