Reencontrei Theobaldo na última sexta-feira, em Olinda, por ocasião da Mimo, mostra internacional de música, realizada, simultaneamente, naquele município, no Recife e em João Pessoa. Após meses sem contato, contou-me das principais novidades: Viagem de trinta e oito dias pela Europa, com detalhes sobre Paris, Barcelona e Toledo e seu progresso no forró. Da viagem, falou sobre o choque de culturas, exemplificado pelos peitos à mostra das banhistas nas praias europeias e a predisposição sexual das mulheres estrangeiras. E eu pensando que as pernambucanas eram as mais dadas e solícitas mulheres da face da Terra!
Do forró, contou sobre sua mais recente visita ao Bar do Ceará. Foi sua prova pública. Frequentador habitual da casa, das raras vezes que lá arriscou a dançar, só em dois momentos o fez com dama que já não era conhecida. Mas, dessa vez, tomou coragem. Apresentado a duas jovens para lá levadas por uma amiga em comum, após uma hora de convivência e duas doses de uísque, arriscou perguntar se uma delas aceitaria submetê-lo a um “test drive” no forró e, para seu espanto, a reação à sua proposta não poderia ter sido mais receptiva : - Descolei, meu Deus!
A amiga, já sabedora das aulas de dança dele, e de quem esperava um grande incentivo, ao vê-lo dirigir-se ao salão, perguntou, surpresa e incrédula: Eita, e tu aprendeu a dançar, foi? De onde ele esperava uma expressão de incentivo, tipo “aí!”, “valeu!”, saiu essa expressão cheirando a descrédito que ajudou sua auto-estima a despencar. Assim, já entrou no salão titubeante mas, como toda desgraça ainda pode ser piorada, o “test drive” se mostrou uma propaganda enganosa, porque, no salão, havia um elemento perturbador da ordem, inúmeros casais disputando o minúsculo espaço, parecendo que todos eles combinaram em tropeçar em Theobaldo, fazendo-o perder o ritmo. E o rebolado. Daí, na metade da música sua dama já estava dançando com outro e Theobaldo de volta à mesa e à solidariedade do seu copo de uísque.
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