Esta semana eu fui a um forró em que, surpreendentemente, dancei com sete mulheres. Com elas, mandei brasa no xote, xaxado e baião. E no coco também.
Eram jovens, coroas, esguias, cheinhas, umas belas, outras nem tanto. Uma já conhecida, outras jamais vistas. Teve de professora à desengonçada. De alvoroçada à tímida. De conterrânea à turista. Bem capaz de não terem sido só sete, a conta do mentiroso, mas, sim, toda uma legião de mulheres ávidas para dançar. E comigo, registre-se. Estranho foi parecer que eu era o único homem disposto e disponível para dançar, apesar dos inúmeros casais que estavam no rala-bucho. Permanece uma vaga impressão de ter ouvido uma delas confidenciar ao meu ouvido, enquanto dançávamos:
- Você dança, viu! A gente estava olhando. Todas as minhas amigas estão esperando, doidas, que você as chame para dançar também!
E dei conta de todas elas. Não sei se cem por cento, mas, ao menos, nenhuma voltou para casa com a frustração de não ter dançado.
À certa altura, suspeitei que eu estava sendo vítima de uma trama do meu professor de dança, que, achando insuficiente apresentar-me durante as aulas como exemplo de superação, resolvera aliciar algumas cúmplices para me convencerem de que eu já estou pronto para enfrentar os salões da vida. Que já me garanto com o que sei.
Mas ele não estava lá, nem ninguém mais que estampasse algum modo suspeito, a não ser Lelêu, dono de um dos bares do Mercado da Boa Vista e de uma careca kojakiana, das mais lustrosas que eu conheço. Se bem que o recinto estava só na penumbra, após apagarem metade dos candeeiros da casa, em forma de balões, e não dava para ver o povo direito.
Até hoje não sei se foi mesmo tramoia de alguém. O que sei é que só parei de dançar quando acordei, no meio da madrugada, e o sonho foi bruscamente interrompido. Um sonho com tal gosto de realidade que deixou uma desconfiança de que não foi imaginação ou delírio alcóolico, mas uma confirmação de que estão mais firmes os meus passos em direção ao pé-de-serra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário