sábado, 30 de abril de 2011

Do xote para o baião

A aula de ontem foi um deus-nos-acuda, um desmantelo só. Quem disse que eu conseguia entrar no ritmo e acertar os passos?

Achando pouco, o professor ainda inventou de sair do xote e nos jogar no baião, o que aumentou mais ainda o meu desespero. Por que, além dos deslocamentos de pernas, tinha que fazer um remexido lá que só sendo um Elvis Presley pra dar conta.

Mesmo que a primeira parte tenha sido com todo mundo dançando solto e seguindo os movimentos do professor, à frente do grupo, o resultado foi trágico para mim e para mais um companheiro de aula, o que foi surpresa, pois eu jamais imaginava que alguém pudesse estar tão (ou mais) desengonçado que eu naquele momento. Acho que surpreendeu até o professor, que, ao observá-lo, fez um comentário mais ou menos assim:
- Que é isso fulano, você está querendo dançar feito Honório, é?

Antes, o instrutor havia feito uma preleção na qual comentou que o dançarino tem que ser criativo, para saber explorar o máximo dos movimentos que souber, mesmo que estes sejam mínimos. E com eles, fazer a dama feliz, ressaltando que, enquanto ela estiver sorrindo é porque está satisfeita. Desta forma, o dançarino conseguirá despertar o interesse das damas em dançar com ele, uma tradução para o popular “poderá pegar uma nega pra ralar o bucho”.

Dito isso, volto ao baião. Ainda enquanto estávamos dançando de forma avulsa, a dama que estava próximo a mim, tiradora de onda que só ela, perguntou-me se eu já “tava pegando a  nega” ao que lhe respondi:
- Com esse meu baião, eu não pego nem gripe!

Não demorou muito e veio o comando para dançar com a dama do lado direito e praticar a dois o que estava sendo feito individualmente. Pra minha sorte, ou infortúnio, calhou de ser a dita cuja que fez a tal pergunta, e coincidentemente, a mesma do risador frouxo da aula anterior. E deu-se tudo de novo. Mal eu colocava a mão na sua cintura e fazia os primeiros movimentos, a danada já estava rindo descontroladamente, a ponto de quase se engasgar. Se o riso da dama sempre for sinal de que ela está gostando da performance do cavalheiro, diria que essa minha dama estava em pleno êxtase de contentamento e satisfação. Mas tenho cá minhas razões para suspeitar de que não era bem esse o motivo de tanto riso. Teve um momento que ela até demorou alguns segundos séria, tempo suficiente para comentar que devia estar meio devagar naquela noite. Eu disse que isso era normal acontecer, mas, minutos depois, estranhei quando a vi toda serelepe dançando com outro cavalheiro, sem a menor demonstração de que não estaria nos seus melhores dias.

Além dela, outras três damas sofreram em minhas mãos. Umas mais, outras menos. Todas solícitas, compreensivas, pacientes e incentivadoras. Nenhuma com riso no rosto. Apenas aquele semblante sereno dos resignados e de quem não é de se queixar da vida. Nem do pareia sem noção!

Finda a aula, fui curtir um forró dos bons, de um jeito nada traumático, como fiz a maior parte da vida, sem ter que pagar mico, apenas escutando a beleza da música. E música boa e bonita foi o que não faltou na Passadisco (Shopping Sítio da Trindade). Basta dizer que era o lançamento dos discos de Luciano Magno, Flávio Leandro e Thaís Juriti, mas que contou com a participação de figuras no naipe de Jaiminho de Exu, Cezinha, Josildo Sá, Nena Queiroga, André Rio, Maria da Paz e Nádia Maia.

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