Possivelmente por conta da minha deficiência técnica no campo da dança, continuou confesso admirador do forrozeiro tradicional, que não é da fazer muita papagaiada, adepto do velho rala bucho, que agarra a morena e não a solta nem que a vaca tussa. Só na hora que pára para respirar, dar um descanso e tomar uma. É peito com peito, pança com pança e bochecha com bochecha. A poeira subindo e o suor descendo (as vezes a mão boba também). É assim que dança o primo da minha amiga Vanessa.
Por conta desse jeito bem brejeiro de dançar, o camarada fica com a boca bem pertinho do ouvido da moça, facilitando o processo de cozinhar o juízo, o conhecido xaveco. Os mais ousados saem com gosto de brinco na boca. Tem cabra que se limita a cantarolar a música baixinho, na maioria das vezes, desafinado e com voz de taboca rachada. Mas não é nenhum desses o caso do primo dessa amiga.
Contou-me ela que um dia foi dançar com o dito cujo, e, mal ele a enlaçou e colou a bochecha na bochecha dela, começou soltando uns tsi-tsi-tsi intermitente no seu pé do ouvido, que ela interpretou como uma tentativa de reproduzir o som do chiado da chinela arrastando no salão. Estranhando o inusitado daquela onomatopéia e já incomodada com a desagradável sonoridade, ela sutilmente perguntou ao primo se estava tudo bem, ao que ele respondeu:
- Está sim. Tsi-tsi-tsi. Você está (tsi-tsi-tsi) dançando muito bem (tsi-tsi-tsi). Eita forrozinho bom danado (tsi-tsi-tsi).
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