sábado, 11 de junho de 2011

A paradinha perigosa

Na mesma aula do meu pas de deux com a bailarina, passei por apuro pior quando dançava com uma dama cujo companheiro também faz aula conosco e no momento estava sob os cuidados especiais de Alana, a quem são confiados os cavalheiros que necessitam de um tratamento mais intensivo.

Alertou-me a parceira que eu não estava dando a “paradinha” na hora do laço, como havia sido ensinado. Aluno caprichoso, na execução seguinte, concentrei-me nesse detalhe com tanto empenho, que fiquei parado mais tempo do que devia, por trás da dama, enlaçando-a pela cintura, não com segundas intenções, mas simplemente por não lembrar mais qual era o movimento seguinte. Sem me aperceber das possíveis conseqüências dessa amnésia temporária, fenômeno recorrente, surpreendi-me quando a minha dama, com a sutileza e a objetividade que lhe são peculiares, disse-me em tom de advertência:
- Basta dar uma paradinha básica e soltar logo, não carece ficar agarrado, porque do jeito que você está fazendo, vai acabar apanhando, proferindo estas últimas palavras com os olhos dirigidos para o dito camarada que, para minha felicidade, estava no lado oposto da sala, envolvido com a dança o suficiente para não ter visto a cena que poderia deixá-lo com uma impressão equivocada, e eu, no mínimo, com um olho roxo ou um dente quebrado.
Pense num remédio bom pra memória. Pois foi ela dizendo isso e eu lembrando na hora do que devia fazer. Eu nem sei se lembrei ou se improvisei, só sei que tive que fazer alguma coisa pra sair de trás da moça o mais rápido possível.

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