Como diz o povo, é vivendo e aprendendo. Se bem que muita coisa que nos ensinam e que a gente aprende acaba ficando para trás, por não ter serventia. Na dança deve ter disso também.
Acho que é o que vai acontecer com o movimento ensinado na aula de hoje e já meu conhecido de alguns meses atrás. Não encontro outra forma mais eficaz de descrevê-lo que dizer que é um movimento pendular em três tempos, alternando as pernas lateralmente. Algo parecido como se pegássemos um compasso de desenhar, o apoiássemos em uma de suas pontas e ficassémos revezando o ponto de apoio. Ora uma ponta, ora outra, em três tempos, algo que poderia ser esquematicamente representado por A - B - A, B - A - B, A - B - A, B - A - B. Algo bem próximo dos três pulinhos em gratidão à São Longuinho ou de um dos passos característicos do country americano, importado pelo povo dos rodeios do sudeste.
Parece que dizer como é o danado é pior do que fazê-lo bem feito. E ele nem faz jus a tanto trabalho, porque, mesmo vendo-o executado pelos melhores da sala, é muito do sem graça.
Confesso que fiz o maior esforço para executá-lo da melhor forma possível, mas eu e uma das damas com que dancei hoje tivemos o consenso de que esse é o tipo do passo que nós jamais será levado para os forrós da vida. Por mim, e por ela, ficará confinado à sala de aula, e mesmo assim, só quando o professor exigir.
A aula só não foi perdida de toda porque serviu para fixar os movimentos da aula passada e também porque, pela primeira vez, eu tive um feedback de uma dama que não deixa a menor dúvida quanto à sua sinceridade. Após dançarmos a primeira música, disse-me ela de forma dócil e sutil: Você hoje ainda não encontrou o ritmo, Honório. Essa sua declaração veio confirmar o que eu estava suspeitando, e como há quem diga que tenho exagerado na autocrítica, eu estava tentando ser mais tolerante comigo. Ainda me vi tentado a pôr a culpa na música, como costumo fazer, mas acolhi o diagnóstico com resignação e procurei relaxar e manter a concentração. E não é que na segunda música fui premiado com um "Agora!" da minha dama, que me deixou mais feliz que pinto no lixo.
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