terça-feira, 24 de maio de 2011

Mãe e Filha

Este meu retorno às aulas coincidiu com a chegada de novos alunos e alunas. Duas são mãe e filha. Deve ser a segunda vez que comparecem. Ambas verdinhas ainda no trato com o ritmo. Na formação dos pares, a mãe ficou com o cavalheiro ao meu lado. Coube-me ficar com a filha e, assim, pôr em prática o ditado que diz “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. O reinado de um caolho diante da novel dançarina e não dos demais.

O movimento que estava sendo trabalhado já era um velho conhecido meu, embora isso não signifique que o executo com destreza. Já tendo penado anteriormente com aquela sequência de “atrás - na frente - lacei / atrás – na frente – abracei” não me foi difícil de novo “pegar” a dinâmica do passo, diferentemente da minha dama, que, desconhecendo-o, demorou a assimilar. Desejosa de aprender, com atenção e serenidade se esmerava em acompanhar minha movimentação, que, confesso, não era tão harmoniosa e segura quanto deveria, mas pareceu ser o suficiente para aquela situação e a confiança que ela parecia em mim depositar, fez com que eu me sentisse “o rei da cocada preta”, tendo a sensação de estarmos evoluindo juntos na execução daquele passo tão simplório para quem tem um mínimo de desenvoltura para a dança, e tão desafiador para os desengonçados iguais a mim.   

Por isso fiquei todo ancho e com a impressão de ter sido útil na aprendizagem daquela candidata a forrozeira, e não um atraso de vida, como era de costume me achar. A empolgação foi tanta que dei-me ao luxo de oferecer-me para dançar com a mãe dela, que àquela altura demonstrava não estar muito satisfeita com a sua resposta ao exercício. Com esta segunda dama o tempo não foi suficiente para sentir se houve progresso ou se, ao menos, ela viu alguma serventia naquele meu oferecimento. Pouco importa. Sai da aula mais confiante e dançando melhor. Será?

Completando a noite e a satisfação, tive também a oportunidade de dançar com Carminha, a quem fico devendo a infinita paciência com meu esquecimento dos passos, as valiosas dicas de movimentação e postura, bem como as broncas por eu parar no meio da dança diante da simples impressão de ter errado, suspeita infundada, segundo ela. Como são generosas essas minhas amigas de academia!

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