Sábado, quase na boca da noite, ele já tinha tomado todas e ainda desejava mais algumas, por isso recebeu com entusiasmo a proposta da turma para esticar até o Forró do Assis a farra que começara no Mercado da Boa Vista.
Rateada a conta, foi o primeiro a tomar destino e puxar o comboio, já incomodado com o moído do povo sem sair do canto e ainda querendo pedir a saideira. Com poucos minutos chegaram ao local desejado, que durante a semana funciona como estacionamento e, nas tardes de sábado, se transforma em um aprazível reduto de forrozeiros.
Chegando lá, aboletaram-se à mesa, pediram logo a ceva gelada e ficaram cubando o ambiente. Não demorou aparecer gente conhecida que acabou se juntando àquela turma festeira. No meio desses agregados, havia uma amiga de uma das amigas do grupo, animada que só ela, e pelo chapéu de couro na cabeça e pela blusa xadrez que vestia, já dava a entender que gostar de ralar o bucho. Dito e feito, a bicha não parava de se remexer um minuto sequer, dançando sozinha assim que a música começou.
Despachada como muito homem sonha, não exitou em convidá-lo para dançar. Ele, pego de surpresa, ficou sem ação e, por não encontrar jeito de recusar o convite-intimação, acabou cedendo ao apelo e conduziu-a ao salão, dando um jeito de adverti-la sobre a sua falta de jeito para a dança, ao que ela deu pouca importância.
Esforçando-se para dar o melhor de si, tentou sincronizar o passo com a inesperada dama e a envolvente música, sei saber ao certo até onde estava sendo bem sucedido nesta tarefa. Na hora, nem percebeu que ela parecia não estar tão incomodada assim com a possível fraca performance dele. Mas ele, ainda tenso e preocupado em frustrar expectativas, inventou de justificar o embaraço da situação. Melhor tivesse ficado calado ou pisado no pé dela, pois ao tentar falar sobre a sua timidez e a influência do álcool na neutralização do bloqueio que tem com a dança, não escolheu bem as palavras e deflagrou o seguinte desaforo:
- Eu só aceitei dançar com você porque eu estou bêbado, porque se estivesse bom, nem se fosse a Juliana Paes que me chamasse eu iria...
Mais não chegou a dizer porque foi logo tachado de fuleiro, percebendo que sua declaração levava a outro entendimento. Tentou esclarecer que o motivo da recusa seria por sua timidez e não pela falta de atrativos da outra, mas como mesmo assim ela não o largou no salão e nem parou de com ele dançar, achou por bem deixar o dito pelo não dito e continuar curtindo o forrozinho de boca fechada.
Terminada a música, voltaram à mesa, e entre goles de cerveja e brindes, parece ter conseguido convencê-la de que era tímido, pois até hoje ela lhe tem em boa estima.
3 comentários:
Me identifiquei com essa garota.
hehehe
Eita cabra...eu estava nesta história e sei de quem se trata...rsrsrsrsrsrsrsrs
sorte a tua! huauhauhauhuha
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