segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vigésima terceira aula

Eu que, durante o dia, cheguei a ventilar a hipótese de procurar outra lavagem de roupa, sai da aula hoje com o ânimo revigorado e dando-me mais uma chance.
É que no fim de semana, fiz um cálculo, mas deu um calculo. Planejei curtir o forró de forma socializada com uns amigos, praticantes da nordestinidade sertaneja, mas eles, impossibilitados de chegarem junto, deixaram-me a ver navios e quase que meu barco naufraga. O involuntário monopólio provocado pela inesperada ausência, deixou-me à deriva, velas aos ventos, sem rumo e sem direção, perdido qual deficiente visual no meio de um confronto armado.
Esta não é minha praia, pensei.
Porém, vindo à aula, deparo-me com uma proposta de variação do básico "dois pra lá, dois pra cá", que consistia na inserção de um giro, quebrando a monotonia do passo. Penei, mas, tendo tido a sorte de ser colocado aos cuidados da doce Ana Luíza, fiz o dever de classe e, depois de dar inúmeras voltas feito carrapeta ou peru doido, acho que absorvi o movimento. Possivelmente já tonta, de tanto ser girada, a certo momento, ela me disse:
- Se você quiser, pode mudar o passo. Fique à vontade.
E eu, mesmo olhando ao redor e vendo os demais casais envoltos em mungangas e pantins, resignadamente  respondi:
- Deixa assim mesmo, que eu tenho que repetir até aprender. Se eu inventar de colocar outro aqui, não vou lembrar mais do que está me sendo mostrado agora e não vou recordar direito o que me foi ensinado antes, e aí nem mel, nem cabaço.
E a bichinha, como dama generosa, continuou permitindo-se ser girada até a música acabar e o professor transferi-la para outro cavalheiro, que lhe exigisse menos sacrifício.
Quanto a mim, experimentei outras damas e cheguei à conclusão de que, das duas, uma: ou eu preciso melhorar mais ou estava sendo sutilmente conduzido pela dama primeira.
No trânsito diz-se que, na dúvida, não se deve ultrapassar. Mas, neste caso, é justamente essa dúvida que me faz seguir em frente. Afinal, se levei três meses para receber uma importantíssima orientação (como segurar corretamente a dama) que era para ter sido dada deste o primeiro dia (ou que jamais foi dita como deveria ser), quem sabe daqui a mais três ou seis meses eu consiga dirimir essas dúvidas ou aprenda algo que seja um divisor de águas.
E tome forró até lá!

Um comentário:

Camylle disse...

e enquanto vai aprendendo, vai tirando proveito nos ensaios..veja pelo lado bom! rsrs
Brincadeirinhaa :P