sábado, 11 de junho de 2011

Conversa de latada: O palhaço e a rumbeira

Agora não tem conversa, o forró desembestou mesmo por esse Pernambuco afora e, cá no Recife e adjacências, a coisa está pegando fogo, mesmo sem as dispensáveis fogueiras.
Ontem, sexta-feira, enquanto meio mundo de gente estava entupindo o Chevrolet Hall no "São oão da Capitá", a maior concentração de forró de plástico nas terras pernambucanas, uma outra boa parte, mais seletiva e consciente do que é bom, foi à Praça do Arsenal, no Recife Antigo, testemunhar um raro encontro de feras da Música Universal Nordestina: Maciel Melo, Geraldo Azevedo e Xangai.
E eu, onde estava? Nem lá e nem lô. Juntei parte de duas tribos da minha convivência, a da dança e a da farra e fui curtir um forró de latada, sem cara de megaevento e que, mesmo sem a presença de medalhões, estava muito bem suprido de talento e competência. Foi no Azulzinho, tradicional templo do forró, localizado na Cidade Universitária, onde o virtuoso sanfoneiro Zé Bicudo, ao lado da sua  mulher, Paula Forrozeira, brinda os forrozeiros que lá comparecem com as mais belas pérolas do cancioneiro nordestino.
O propósito de todos ali concentra-se apenas em entregar-se à mais pura diversão, mas eu sabia que, para alguns dos ali presentes a maior, expectativa era me ver no forrobodó, uns de forma confessa, outros subtendida. A confirmação desta suspeita veio na hora que atravessei o salão de mãos dadas com a companheira, levando-a até o sanitário e, de súbito, percebi que fomos seguidos por dois integrantes do grupo com celular à mão, para nos filmar, pensavam que íamos dançar escondido. Caíram na nossa pegadinha. Até o professor, que lá estava de folga e muito bem entretido com sua parceira, esteve atento a esta minha manobra e frustrou-se quando viu que a dança não era a razão daquele meu ato.
Consciente dessa ansiedade e antevendo o inevitável, fiz questão de chegar o mais cedo possível, para reservar logo uma mesa estratégica, e, ao mesmo tempo, começar a ingestão do meu relaxante muscular predileto: cerveja gelada, a fim de estar no ponto na hora que a viesse a pressão.
E ela veio. De todas as formas. Chantagem emocional, convites diretos e indiretos, ameaças e muitas outras. Gente me puxando, gente me jogando, gente me empurrando e eu ganhando tempo na base da malandragem. Até que fui e desfiei meu vasto repertório de três passos, recheando-os com algumas simplórias mungangas.
Mas, estando numa noite de sorte, fui salvo de ser o centro das atenções dos amigos, pela presença inesquecível de um casal de forrozeiros que roubou a cena, com sua dança original e circense. Duvido que aqueles dois não tenham sido, outrora, o palhaço e a rumbeira de algum circo "tomara que não chova". Foram a sensação da festa. Arrisco dizer que colocaram no bolso os meus amigos da academia de dança. Não pelo esmero da técnica ou pelo capricho da coreografia, mas pelo nonsense e bizarrice dos movimentos inigualáveis e indescritíveis.
Ele, possivelmente um octogenário. Ela, nem tanto, formando uma dupla perfeita e sintonizada, com uma leveza de espírito que neutralizava o peso da idade, dando-nos uma bela lição de bem viver.

3 comentários:

Dora disse...

Honorinhooooooo!
Tu é DEZZZZZ!

Jamine Cairo disse...

Boa noite, querido!
Buscando por locais de aula de forró em Recife, acabei caindo no seu blog!
me surpreendi, tamanha a dificuldade em achar um local, via google, que tenha aulas de forró, preferencialmente pé-de-serra, em Recife!
Estou aqui há um mês e não consegui localizar ainda.
Estou morando em Boa Viagem. Você poderia me indicar algum lugar em que eu pudesse fazer aula do mais autêntico forró?
Desde já, muito obrigada!
Jamine

munirah disse...

apois eu estava vendo geraldo azevedo lindo com maciel melo e xangai. com certeza um dos shows mais lindos que ja vi!

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