Ainda bem que era aula de forró, porque se fosse de bolero e com o sono que eu estava ontem, eu acho que teria arriado a cabeça no ombro da dama e, assim, apoiadinho, dormiria até roncar. Além dessa inoportuna sonolência, ainda entrei na dança sem o prévio alongamento, que me ajuda a ficar mais solto e a descolar o relé, como bem diz meu amigo Eliseu, o Sultão da Boa Vista. Não deu outra: Fiquei leso e travado quase a aula toda. Ainda bem que contei logo à dama do meu estado de letargia e de demência além do normal. Como são maravilhosas e compreensivas essas mulheres! Quando eu atropelava o ritmo ao fazer um movimento desconexo, ela, dócil e pacientemente, tranquilizava-me: - Calma, deixe você acordar direito! Diante de tanta generosidade, o jeito era respirar fundo e tentar um novo recomeço.
Nesta aula, por conta deste meu estado físico e mental, também houve uma pane no meu sistema interno de comunicação. Cérebro não comandava direito as pernas, que por sua vez não buscavam se entender com os braços e estes ignoravam que faziam parte de um mesmo corpo. Pior foi na hora do peito com peito, que meu tórax era insistentemente sabotado pelo meu bucho e, ao invés de dar as peitadas que faziam parte da coreografia, eu só conseguia dar umbigada. Por incrível que pareça, até a bunda quis aprontar nesse momento, recuando sem a menor precisão, o que mais atrapalhava que ajudava.
Aproveitando que o caos estava generalizado, deixei a música em segundo plano e procurei a cumplicidade das damas para que eu absorvesse a fisiologia dos movimentos que estavam sendo trabalhados, para, em outro momento, tentar executá-los dentro do ritmo esperado.
A julgar pela preleção do professor, o povo ontem estava muito sisudo, carrancudo ou apático. Sem borogodó. Parecíamos estar mais numa aula de física quântica que de forró. Tem dia que o mar não está mesmo para peixe! Nem as dinâmicas propostas pelo professor fizeram o povo soltar a franga e dançar de forma solta e contagiante. Eu não liguei muito para isso, porque no meu caso, quando, numa festa, essas técnicas de animação não funcionam, é só eu apelar para os recursos do outro professor, o Teachers, que num instante eu me animo e danço até a marcha fúnebre como se fosse frevo.
2 comentários:
Fale em leseira não, homi.
Me identifiquei com o texto. Não sei porque,rapaz...
kkkk.
Beijão!
é, o Teacher's sempre ajuda! XD
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